Santa Catarina perde o poeta C. Ronald, vítima de um câncer

Um dos mais ilustres nomes da crítica de arte catarinense, ele foi advogado e juiz em diversas comarcas do Estado

Hospitalizado há uma semana, em razão de um câncer no pâncreas, morreu no domingo à tarde, no Hospital da Unimed, o poeta C. Ronald ou Carlos Ronald Schmidt, um dos mais ilustres moradores de Biguaçu. Ele deixa a mulher, Neide Campos Schmidt, e os filhos Ariadne, Amarilis, André e Bernardo e sete netos. Nascido em Florianópolis em 2 de dezembro de 1935, foi aluno do Colégio Catarinense.

Carlos Ronald Schmidt, um dos mais ilustres moradores de Biguaçu, morreu neste fim de semana – Foto: Divulgação/ND

Mais tarde, se formou em Direito, tendo trabalhado como advogado e juiz em diferentes comarcas do Estado. Atuou como jornalista no Rio de Janeiro, um dos fundadores do Grupo Litoral, foi colunista do jornal “O Estado”. É considerado um precursor na crítica de artes visuais em Santa Catarina.

“As Origens”, seu livro de estreia em 1971, foi seguido de “Ânua”. “Dias da Terra”, “As Coisas Simples”, “A Cadeira de Édipo”, “Como Pesa”, “Seguindo o Tempo” são alguns dos livros que consagraram uma poética profunda e hermética. Alicerçada em pleno domínio verbal, com
técnica densa e disciplinada, a poesia ronaldiana mexe no universal.

Os temas transitam entre os enigmas da existência, a vida e a morte. Na busca do essencial, o resultado formal é complexo, marcado pelo apuro artesanal e a genialidade. Seu último livro “Final de Uso” foi
lançado discretamente há 15 dias pela Editora Bernúncia.

Visceral na poesia e nas artes, ele também deixa um legado no campo das artes visuais, como pintor e escultor. Essa faceta, vista apenas por amigos, ganhou visibilidade em 2012, no Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), em cuidadosa curadoria da artista Juliana Hoffmann.

Abalada com a notícia da morte do amigo de longa data da família, ela conta que ele resistiu na ocasião para expor os trabalhos. Para ele, pintar era fácil, razão pela qual “encarou a poesia como o grande desafio de sua vida”. Para Juliana, o setor cultural do Estado perde um de seus
nomes mais expressivos.

A morte de C. Ronald repercutiu de imediato nas redes sociais. Amigos, nomes expressivos da cultura de Santa Catarina, publicaram manifestações de pesar e muitos lembraram que ele não
obteve o reconhecimento de sua grandeza. A escritora Urda Alice Klueger disse que Santa Catarina ficou mais pobre. A diretora de teatro Carmen Fossari manifestou sua tristeza e gratidão pela “bela obra que nos legou e permanecerá”.

O poeta português Henrique Dória postou que o Brasil perdeu “um dos seus maiores poetas. A sutileza e a magia do pensamento e da imagem faziam dele um poeta de rara grandeza”.

O velório será entre 9h e 11h, com enterro previsto para às 11h30, no Cemitério Jardim da Paz. As últimas homenagens seguirão as normas sanitárias decorrentes da Covid-19.

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