Com tufão no Japão, mudanças no clima afetam programação da Olimpíada

Provas de tiro com arco, remo, surfe e vela tiveram seus horários e datas alteradas devido ao temor das condições climáticas desfavoráveis

O verão quente, úmido e bastante instável do Japão tem mexido com os Jogos Olímpicos de Tóquio. Primeiro, por causa do calor escaldante. Agora, devido ao risco de fortes ventos e chuva. Provas de tiro com arco, remo, surfe e vela tiveram seus horários e datas alteradas devido ao temor das condições climáticas desfavoráveis.

“É uma tempestade tropical de três graus, numa escala até cinco. Então, não há o que se preocupar”, tentou tranquilizar o porta-voz dos Jogos, Masa Takaya, sobre o tufão que se aproxima do Japão.

Jogos Olímpicos começam no dia 23 de julho no Japão – Foto: Reprodução/Youtube/NDJogos Olímpicos começam no dia 23 de julho no Japão – Foto: Reprodução/Youtube/ND

Os organizadores, no entanto, já se anteciparam e fizeram alterações significativas no calendário de várias competições. O tiro com arco, por exemplo, teve sessões desta terça-feira (27) adiadas para quarta (28) e quinta-feira (29). No remo, as provas programadas para terça-feira foram reprogramadas para o fim da semana, enquanto eventos de segunda-feira foram antecipados para o domingo.

Há, ainda, o medo de que o tufão feche aeroportos do país e cancele voos, como o caso da equipe de softbol do Canadá, com passagem de volta para casa marcada para quarta-feira.

Outro risco é que uma possível tempestade eleve os níveis de esgoto despejados na Baía de Tóquio. Há dois anos, isso ocorreu na capital japonesa e o excesso de lixo provocou o cancelamento de uma prova de triatlo paraolímpico porque não havia condições de os competidores nadarem no local após fortes chuvas na véspera.

“Algumas modalidades serão afetadas pelo clima”, admitiu o diretor de esportes dos Jogos de Tóquio, Mikako Kotani. “Estamos em negociações com as federações internacionais e, se eles propuserem mudança de calendário, vamos considerar essa opção.”

O skatista brasileiro Kelvin Hoefler, por exemplo, colocou a culpa da sua medalha de prata nas condições climáticas da capital japonesa. “Não fosse o vento, eu poderia ter ganhado o ouro. Infelizmente, errei duas manobras por causa disso”, disse.

Calor escaldante

Antes da chegada da chuva, nos primeiros dias dos Jogos foi o calor que castigou os atletas. O COB (Comitê Olímpico do Brasil), inclusive, tem distribuído aos competidores que disputam provas a céu aberto coletes e colares de refrigeração. São peças onde são colocadas pedras de gelo para reduzir a temperatura corporal.

A russa Svetlana Gomboeva chegou a desmaiar em consequência de insolação nas provas de tiro com arco no Yumenoshima Park Archery Field. Ela precisou ser levada para a sala dos médicos. No final, se recuperou e ganhou a medalha de prata.

No tênis, o sérvio Novak Djokovic e o russo Daniil Medvedev reclamaram muito das altas temperaturas e conseguiram a ajuda da Federação Internacional de Tênis, que passou a conceder um tempo extra para os atletas se recuperarem fisicamente. Agora, o intervalo passa a ser de dez minutos entre o segundo e o terceiro sets, quando a temperatura exceder os 30,1ºC – no domingo, os termômetros atingiram os 33ºC, com sensação térmica ainda maior por causa da umidade do ar. “Está muito quente e úmido, e as quadras duras absorvem o calor”, reclamou o número 1 do mundo.

No skate, os atletas relataram que o calor estava amolecendo as juntas de borracha dos eixos das rodas. Isso dificultava a execução de certas manobras no Ariake Urban Sports Park.

Para a canoísta australiana Jessica Fox, o maior problema foi a temperatura da água. “É como remar na água do banho”, disse Fox.

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