Da ‘fuga’ do futebol à surpresa: a atividade física contra ansiedade e melhora da libido

Apesar de estar longe de ser a pessoa mais esportista do mundo, encontrei na atividade física uma válvula de escape para as dores causadas pelo estresse e ansiedade

Da ‘fuga’ do futebol à descoberta surpreendente: a atividade física contra a ansiedade e melhora da libído

Minha descoberta da atividade física como aliada contra a ansiedade

Eu definitivamente não sou a pessoa que ama se exercitar, fazer atividade física ou que tem um esporte como hobby. Tenho até uma história de infância engraçada, na qual minha mãe me inscreveu em uma escolinha de futebol e eu fiquei meses indo sem jogar absolutamente nada – mas o lanche que eles davam era muito bom!

Porém, recentemente descobri (de forma surpreendente) a atividade física, como a corrida e a caminhada, como ótimas aliadas contra a ansiedade. Senti melhora significativa em dores causadas por estresse nas semanas em que eu me exercito pelo menos duas vezes.

A descoberta da atividade física como aliada contra a ansiedade e não como mais uma pressão da sociedade – Foto: Danusa Rhoden SilveiraA descoberta da atividade física como aliada contra a ansiedade e não como mais uma pressão da sociedade – Foto: Danusa Rhoden Silveira

Diante disso, fui pesquisar um pouco sobre a influência da atividade física no cérebro e descobri que apenas 10 minutos de exercício físico já faz diferença no cérebro!

A descoberta foi de pesquisadores japoneses, com estudo publicado na revista Scientific Report. A pesquisa aponta que 10 minutos de atividade física deixam o cérebro com melhor desempenho e maior atividade em regiões estratégicas para as funções executivas, além de um melhor estado de humor.

Bem-estar X estética

A minha relação com a atividade física realmente melhorou quando eu entendi, na prática, que meu corpo e meu cérebro precisavam dela para funcionar bem (e não somente por uma pressão estética da sociedade, que impõe que todos os corpos precisam ser magros e esbeltos).

Paulo dos Santos é educador físico há 12 anos e atende de forma personalizada em seu estúdio. Ele começa explicando que a maioria das pessoas procuram a atividade física por estética, mas logo entendem que os benefícios na saúde são ainda maiores.

Paulo dos Santos é educador físico há 12 anos e destaca a importância da atividade física na saúde mental e corporal – Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução InternetPaulo dos Santos é educador físico há 12 anos e destaca a importância da atividade física na saúde mental e corporal – Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução Internet

“A maioria das pessoas procura atividade física pelo físico mesmo, por uma questão de padrões impostos pela sociedade. Porém percebem ao longo dos treinos que a saúde vai além da estética e focam na parte psicológica também, aquele momento em que há um ‘desligamento’ da rotina de trabalho e se foca em algo diferente e prazeroso”, destaca.

A psicóloga Ana Monfardini destaca os benefícios da atividade física no cérebro. “Nosso cérebro libera alguns neurotransmissores importantes para o equilíbrio das nossas emoções. E muitas vezes atividades diárias e cotidianas automáticas podem diminuir o nível desses neurotransmissores importantes para o nosso bem-estar. A atividade física promove a ativação desses níveis, melhorando consequentemente o nosso humor e disposição”, salienta.

Como aliada contra os sintomas de síndromes psicológicas, como a ansiedade, Ana destaca que manter um ritmo de exercício já é uma vitória para pessoas que sofrem com isso.

A psicóloga Ana Monfardini evidencia os benefícios da atividade física no cérebro – Foto: Arquivo pessoal/Reprodução InternetA psicóloga Ana Monfardini evidencia os benefícios da atividade física no cérebro – Foto: Arquivo pessoal/Reprodução Internet

“Manter a disciplina com atividades físicas não deixa de ser uma conquista, pois é um hábito que requer prática e persistência. É importante esse estímulo para quem passa por processo depressivo e ansioso. Acreditar no processo e identificar o seu próprio crescimento nesse processo contribui muito com o paciente se ver evoluindo e acreditando mais nele”, explica.

Comece devagar

Para quem não se sente à vontade em ambientes como academias convencionais, ou não conseguem manter a frequência maior da prática logo de início, Paulo dá algumas dicas. A primeira delas é: comece devagar, mas comece!

“Se você não gosta de atividade física, mas sente a necessidade de fazer algo, comece devagar, duas vezes na semana, depois vai aumentando gradativamente. Sugiro procurar um local com atendimento personalizado. Hoje o mercado tem muitas opções de estúdios que procuram ter mais privacidade, conforto e acompanhamento durante o exercício, focando em algo próprio para você”, começa.

Correr e caminhar pelo menos duas vezes por semana já tem efeitos surpreendentes na saúde mental  – Foto: Arquivo/EBC/Divulgação/NDCorrer e caminhar pelo menos duas vezes por semana já tem efeitos surpreendentes na saúde mental  – Foto: Arquivo/EBC/Divulgação/ND

“Mas se você não gosta do ritmo de academia, procure uma atividades em grupo (funcional, beach tennis, grupo de corrida, grupo de bike etc) e vá com um amigo ou amiga para que um incentive ao outro. O importante é não deixar o corpo parado”, destaca o educador físico.

Paulo salienta ainda que uma vida saudável é composta por vários elementos, inclusive o descanso e momentos de lazer. “A vida saudável vai além da atividade física, não adianta fazer exercício todos os dias se sua mente está fadigada ou sua alimentação está toda desregrada. Comer bem, fazer exercício e descansar a mente é fundamental para a vida saudável”, finaliza.

Melhora no desempenho sexual

Se eu não te convenci até agora, vamos para o último (mas não menos importante) benefício de atividades físicas. Nesse caso específico o papel da corrida na vida sexual das mulheres.

Diferente dos homens, nem sempre a falta de libido nas mulheres está associada a problemas hormonais. Para eles a testosterona desempenha uma função primordial no desejo sexual, mas para as mulheres o sistema é um pouco mais complexo e a atividade física pode fazer a diferença.

Uma pesquisa da Universidade da Califórnia com 250 homens e mulheres mostrou que aquelas pessoas se exercitam fisicamente em uma média de 40 minutos por dia têm o dobro de atividade sexual, e cerca de duas vezes mais desejo que aquelas que gastam 20 minutos diários com exercícios como caminhada ou corrida.

O estresse também é um fator determinante na diminuição do desejo sexual tanto entre homens como em mulheres. Esses danos à libido têm relação direta com ansiedade e depressão.

Para Ana, a atividade física tem um papel fundamental no bem-estar e saúde mental. “É importante pela sensação de bem-estar liberada pelos neurotransmissores, mas também a grande possibilidade de ser algo prazeroso, algo que você goste de fazer, que seja um momento do seu dia focado em você, em liberar a tensão, dançando, correndo, lutando”, enfatiza.

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