“Ainda vemos manchas na Lagoa da Conceição”, diz Associação de Moradores

Pesca e banho foram retomadas nesta quarta-feira na Lagoa; pesquisador defende estudo aprofundado da qualidade da água

Mesmo com as liberações para pesca e atividades de lazer, proferidas nesta terça-feira (6) pela Floram (Fundação Municipal de Meio Ambiente de Florianópolis) e pelo IMA (Instituto do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina), a situação da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, ainda não é a ideal. Moradores continuam apontando a presença de manchas amareladas na água.

"Ainda vemos manchas na Lagoa da Conceição" denúncia associação dos moradoresLagoa da Conceição apresenta melhora segundo análises preliminares do IMA. Foto: Divulgação/IMA

Já nesta quarta-feira (7) os pescadores retomaram a pesca na Lagoa da Conceição, afirma Volnei de Andrade, presidente da Associação de Moradores. A atividade estava proibida desde o dia 5 de março, após ser identificada a presença da maré marrom, causada pela superpopulação da microalga Fibrocapsa Japonica.

O novo laudo verificou o fim da proliferação, responsável por produzir substâncias tóxicas e a mortandade de peixes. A proliferação pode ter sido influenciada também pela emissão de efluentes após o desastre ambiental causado pelo rompimento da estrutura da Casan, no fim de janeiro.

Após o desastre os moradores denunciavam mau cheiro na Lagoa. “Aquele cheiro forte não tem mais, mas permanecem umas manchas amareladas e barrentas”, informa Andrade. “Ainda não estamos seguros e confiantes que não tem mais nada”.

Necessidade de novos estudos

De acordo com o oceanógrafo e também pesquisador Paulo Horta, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), as conclusões do laudo devem ser comemoradas. “A melhora não se deu pelo esforço institucional, mas pelo acaso”, destaca.

“Precisamos que as instituições viabilizem um diagnóstico detalhado da saúde da Lagoa da Conceição, identificando a presença de metais pesados, patógenos, entre outros, e tirem essa ‘pulga atrás da orelha'”, afirma Horta, que faz parte do Projeto Ecoando Sustentabilidade.

Os pesquisadores previam que a mortandade de peixes, devido à emissão de efluentes, ocorreria apenas entre agosto e setembro. O problema se manifestou em março. “É necessário atuar mais efetivamente para fazer biorremediação, pois o problema efetivo continua. Não houve melhora drástica da qualidade”.

Condições de eutrofização permanecem

As coletas que identificaram o fim da proliferação das algas foram realizadas no último dia 30, em seis pontos diferentes da Lagoa da Conceição. Cerca de 10 litros foram coletados em cada ponto, e a baixa concentração de algas levou o IMA a concluir que a “floração não estava mais presente (ao menos nos seis pontos avaliados)”.

Contudo, o IMA não descarta a possibilidade de novas florações. “As condições de eutrofização da Lagoa da Conceição não mudaram e não devem mudar em curto espaço de tempo, havendo potencial de ocorrerem novas florações a qualquer momento”. O processo de eutrofização ocorre com o aumento da quantidade de nutrientes na água.

Banho e pesca com restrições

A recomendação do IMA e da Floram é que o banho ocorra apenas em locais próprios. Devem ser evitados os locais onde a balneabilidade indicar impróprios e onde forem observadas manchas ou espumas na água.

“O consumo de pescados também pode ocorrer, mas não devem ser consumidos os pescados que apresentem comportamento atípico ou que estejam mortos ou moribundos”, conclui o órgão.

Associação apura perda

A Associação dos Moradores da Lagoa está realizando um levantamento das perdas sofridas pelos pescadores da região, assim como a situação dos familiares desabrigados com o rompimento da estrutura da Casan.

Com o estudo em mãos, o objetivo é pedir auxílio as autoridades, informa Andrade.

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