Amazônia pode estar ‘condenada à destruição’ pela proliferação dos incêndios

O jornal britânico The Guardian sobrevoou a floresta por duas horas e registrou grandes colunas de fumaça; no último mês foram mais de 29,3 mil incêndios

Com a grande devastação da Amazônia que registra incêndios diários, o jornal britânico The Guardian sobrevoou a floresta por duas horas e registrou grandes colunas de fumaça.  Durante o voo, ainda foram registrados minas de ouro ilegais dentro de territórios indígenas e acampamentos improvisados ​​em áreas recentemente desmatadas e carbonizadas.

Vista aérea de um grande incêndio florestal em Castanho, Brasil – 113 km de Manaus. – Foto: Arquivo/The Sun/Reprodução/ND

“A Amazônia está condenada à destruição”, disse um ex-funcionário do Ibama. “O futuro parece sombrio, sob este governo não haverá combate à destruição da floresta”, completou se referindo à posição de Bolsonaro em relação aos incêndios.

O Brasil está sob pressão de investidores estrangeiros, governos e líderes empresariais brasileiros desde que os incêndios se tornaram recorrentes na Amazônia e causaram indignação global. No último ano, celebridades e líderes mundiais como Leonardo DiCaprio e Emmanuel Macron também se posicionaram a favor da Amazônia.

Já Jair Bolsonaro negou o desmatamento nesta última semana. “Essa história de que a Amazônia está pegando fogo é uma mentira”, disse.

Em julho, o Brasil anunciou a proibição das queimadas por quatro meses, mas imagens de satélite recolhidas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que apenas em agosto foram detectados mais de 7.600 incêndios no Amazonas, o maior número desde 1998 e quase 1 mil a mais que no ano passado.

Mais de 29 mil incêndios

Nesta terça-feira (1º), o Inpe divulgou que em toda a região amazônica, composta por parte de nove estados brasileiros, foram registrados no último mês mais de 29,3 mil incêndios.

O Greenpeace calculou que houve uma redução de 8% nos incêndios entre meados de julho e meados de agosto, em comparação com o ano passado.  “Estamos vendo a tragédia do ano passado se repetir”, disse Rômulo Batista, ativista do Greenpeace em Manaus.

Durante um voo de vigilância sobre quatro estados, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Pará, Batista também testemunhou cenas chocantes de devastação. “Vimos pastagens que estavam queimando, áreas desmatadas que estavam queimando, áreas de floresta que estavam queimando”, disse.

“Madeireiros ilegais, grileiros e mineiros ilegais estão todos trabalhando e, ainda mais do que o normal, seguros de que as inspeções do governo foram reduzidas por causa da pandemia”, completou.

Falta de fiscalização

Um monitor da ONG indígena Instituto Kabu, que organizou o voo monomotor do The Guardian disse: “A falta de fiscalização do Ibama e da Polícia Federal nessa região acabou incentivando crimes ambientais em terras indígenas.”

Já Bep Protti Mekrãgnoti Re, um cacique do povo indígena Kayapó, pediu uma ação urgente para monitorar e proteger as florestas da região e a vida selvagem em seu interior: “É com a floresta e os rios que eu me alimento”, disse.

Na última semana, o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, anunciou que todas as operações anti-desmatamento deveriam ser interrompidas, embora isso tenha sido revertido após protestos.

Segundo Carlos Rittl, ambientalista brasileiro que trabalha no Instituto de Estudos Avançados de Sustentabilidade da Alemanha, os incêndios são “uma tragédia prevista” e a consequência de “um governo absolutamente sem compromisso com o meio ambiente”.

“Um pequeno número de pessoas enriquece muito com isso e, todos nós perdemos”, completou.

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