Área sem rede coletora de esgoto em Florianópolis é campeã em irregularidades

Segundo os técnicos da Blitz Sanear, os 30% da cidade sem rede coletora de esgoto lançam esgoto na rede pluvial ou a céu aberto com mais frequência

Florianópolis tem rede de esgoto implantada em cerca de 70% do município. Os 30% restantes são as áreas onde a Blitz Sanear constata mais irregularidades, sendo as mais frequentes esgoto lançado na rede pluvial ou a céu aberto.

Fiscal da Prefeitura averiguando irregularidades relacionados ao esgoto em FlorianópolisÁreas sem rede de esgoto são as que mais apresentam irregulares segundo técnicos da Blitz Sanear – Foto: Tito Pereira/Floripa Se Liga Na Rede/ND

Criada em 2018, a Blitz Sanear é uma força-tarefa de órgãos da Prefeitura de Florianópolis e Casan que apura denúncias de esgoto irregular na cidade.

Na semana passada, a Blitz Sanear flagrou e puniu casos de crime ambiental em casas na Cachoeira do Bom Jesus e Ingleses, bairros do Norte da Ilha.

Composta por Vigilância Sanitária, Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) e Casan, a força-tarefa tem apoio de uma equipe do Floripa se Liga na Rede.

Denúncias relativas a problemas na destinação do esgoto em casas, estabelecimentos comerciais, shoppings, hotéis, pousadas e condomínios são vistoriados nas ações da blitz.

Sul da Ilha tem maior déficit em relação ao esgoto

O engenheiro ambiental João Henrique de Siqueira Quissak Pereira, da Diretoria de Saneamento, atualmente vinculada à Secretaria Municipal do Meio Ambiente, explica que a Blitz Sanear surgiu para integrar a fiscalização da cidade. É dele a informação de que as áreas mais problemáticas são as que não têm rede pública coletora de esgoto.

Na Blitz Sanear, força-tarefa visita residências e constata irregularidades no sistema de esgoto de Florianópolis apresentadas em denúncias – Foto: Tito Pereira/Floripa Se Liga Na Rede/NDNa Blitz Sanear, força-tarefa visita residências e constata irregularidades no sistema de esgoto de Florianópolis apresentadas em denúncias – Foto: Tito Pereira/Floripa Se Liga Na Rede/ND

O maior déficit é no Sul da Ilha, a partir do Campeche. No Norte, há déficit em bairros como Rio Vermelho, Capivari e Santinho. Os bairros de Santo Antônio, Sambaqui e Cacupé têm rede implantada, porém, inoperante.

No momento, Florianópolis tem obras em ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto) para aumentar a cobertura. A expectativa é que o percentual se aproxime dos 80% em dois a três anos.

O engenheiro sanitarista Djone Carlos Joench é funcionário da Echoa, terceirizada da prefeitura que concentra o programa Floripa Se Liga na Rede e cede equipe para as ações da Blitz Sanear. Ele é quem fala sobre as duas irregularidades relacionadas ao esgoto mais comuns em Florianópolis.

“Esgoto na rede pluvial é a irregularidade que mais encontramos. São tubulações direto nas bocas de lobo ou em algum corpo hídrico correndo atrás do imóvel ou perto, por exemplo, uma vala ou um rio”. Djone também explica o que caracteriza o segundo problema mais frequente: esgoto a céu aberto.

Extravasamento de fossa séptica pela falta de manutenção também é problema comum segundo força-tarefa – Foto: Tito Pereira/Floripa Se Liga Na Rede/NDExtravasamento de fossa séptica pela falta de manutenção também é problema comum segundo força-tarefa – Foto: Tito Pereira/Floripa Se Liga Na Rede/ND

“Por exemplo, extravasamento de fossa séptica pela falta de manutenção do proprietário. Para fazer sucção, é preciso gastar entre R$ 500 a R$ 1,5 mil, dependendo do tamanho do imóvel e do sistema. É uma manutenção que ninguém quer fazer e quem tem só faz depois que extravasa. Tem imóvel que fica extravasando um certo período e isso é um risco à saúde”.

Blitz Sanear nos bairros

Para montar sua agenda, os representantes da força-tarefa se reúnem toda quinta-feira, levando as denúncias de esgoto irregular em Florianópolis que chegam via prefeitura ou do Ministério Público. Participam dessa articulação a Diretoria de Saneamento, a Vigilância em Saúde, Floram, Casan e a equipe de apoio da Echoa.

“Sempre que a gente precisa fazer os testes de corante, fazer identificação de algum ponto hidráulico, ou na rede pluvial ou a céu aberto, a gente tem a equipe de apoio, com um técnico e auxiliar, que executam testes de corante para que os demais integrantes possam fazer a fiscalização”, conta Djone.

Segundo João, da Secretaria de Meio Ambiente, que supervisiona a blitz, as reuniões da força-tarefa são na quinta-feira e as inspeções in loco de segunda a quarta-feira.

“Os representantes dos órgãos trazem as demandas, fundamentalmente denúncias. É feita uma avaliação da semana anterior e um planejamento”, explica. A reunião de quinta-feira define, por exemplo, os locais que serão visitados nas próximas semanas.

Embora fazendo a defesa do meio ambiente e da saúde pública, Djone conta que a população não aceita tão bem o trabalho realizado.

“Na semana passada, tivemos uma forte resistência por parte dos moradores da rua Ovídio Zierke, na Cachoeira. Fizemos uma ação ali e praticamente todos os moradores fazem contribuição da pia de cozinha, tanque e máquina de lavar roupa ou na rede pluvial ou em um córrego ali”.

Multas e notificações para corrigir os problemas

A Floram também multou, na segunda-feira (31), um imóvel misto flagrado com esgotos de máquina de lavar roupas e vaso sanitário despejados em manancial na mesma rua e, na terça-feira (1º), a força-tarefa notificou cinco de seis imóveis fiscalizados, dando-lhes prazo de 15 dias para correção das irregularidades.

“Todo imóvel precisa fazer a destinação adequada dos seus efluentes. Onde não tem a rede coletora de esgoto da Casan é responsabilidade do proprietário, na construção do imóvel, fazer um sistema individual de tratamento”, ressalta Djone.

Fiscais relatam certa resistência da população diante da constatação de irregularidades – Foto: Divulgação/NDFiscais relatam certa resistência da população diante da constatação de irregularidades – Foto: Divulgação/ND

As sanções previstas vão desde notificação e multa, que pode passar de R$ 5 mil, dependendo da gravidade do problema. Outros dois instrumentos são o lacre da tubulação e, se for atividade comercial, a suspensão dos serviços até a regularização.

Nesta segunda-feira (7) e terça-feira (8), a Blitz estará nos bairros do Norte da Ilha, novamente entre Ingleses e Cachoeira do Bom Jesus. Na quarta-feira (9) no Sul da Ilha e na quinta-feira (10) em demandas pontuais no Centro.

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