Casa é totalmente destruída devido ao avanço da maré, no Campeche

Em uma semana, nove casas foram interditadas pela Defesa Civil no Campeche devido ao risco de avanço da maré

Há quase duas décadas, o paranaense Décio Urbano Filho comprou uma casa na praia do Campeche, em Florianópolis. Ela foi dividia em duas: de um lado ficavam as dependências para receber turistas durante a temporada. Já no outro lado ficava o lar onde ia com dois filhos e dois netos aproveitar a praia no verão.

Dono de um restaurante na região, ele também utilizava a casa quando precisava administrar diretamente o estabelecimento. Entretanto, ao chegar no local na manhã desta terça-feira (2), constatou que a ressaca do mar destruiu toda a construção.

Décio Urbano tinha casa na região há quase duas décadas – Foto: Anderson Coelho/NDDécio Urbano tinha casa na região há quase duas décadas – Foto: Anderson Coelho/ND

Ao saber do avanço do mar na região, Décio primeiro foi ao local na manhã desta segunda-feira (1°), que já estava interditado. Ao chegar na casa, percebeu que o mar tinha tomado o barranco que divide a praia do terreno, que tem por volta de 900m² e que fica próximo a rua Jardim dos Eucaliptos.

A destruição da residência construída há 40 anos pela força da natureza ocorreu na madrugada desta terça-feira (2). “Agora o terreno tem por volta 400m². Cerca de 500m² foram destruídos pela água” conta o empresário.

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A destruição das duas construções foi “total”. Com exceção de parte de um banheiro e uma cozinha que compunham a casa, toda a construção foi levada pela água, afirma Alexandre João Vieira, gerente de operações e assistência da Defesa Civil de Florianópolis.

Vieira esteve no local na manhã desta terça. Além da casa de Décio, os moradores da casa ao lado tiveram que deixar o imóvel. Ela foi interditada pelas equipes da Defesa Civil pois dividia uma parede com a casa de Décio, e o órgão avaliou que os moradores corriam risco ficando lá.

Da antiga casa, só sobrou um banheiro e parte de uma cozinha. Residência ao lado também foi interditada – Foto: Anderson Coelho/Divulgação/NDDa antiga casa, só sobrou um banheiro e parte de uma cozinha. Residência ao lado também foi interditada – Foto: Anderson Coelho/Divulgação/ND

Nove casas interditadas em uma semana

O problema de Urbano tem sido enfrentando por outros moradores da região, que também construíram suas casas na beira da praia e não contavam com o avança do mar. Desde o último dia 25 de maio a Defesa Civil tem monitorado diariamente a região.

Apenas na noite da última quarta-feira (27), quatro casas foram interditadas devido aos perigos na estrutura física . Dentre elas, estava um hostel. Na manhã desta quarta-feira, o número de casas interditadas na praia do Campeche chegou a nove – todas elas em apenas uma semana.

Até então, todas as construções permanecem interditadas. A casa de Décio foi a única até então totalmente condenada pelas equipes da Defesa Civil. Até agora, os moradores tem ficado na casa de outros familiares. A Prefeitura de Florianópolis também disponibilizou abrigo.

Moradores reivindicam construção de barreira

O plano do Décio agora é reconstruir a casa no terreno ainda não tomado pela água. Mas defende que a Prefeitura tome ações mais efetivas “Construíram paliçada [barreira de madeira], mas não dava conta. Eles deviam construir uma barreira de pedra, com passarela, para conter o avanço do mar” afirma Urbano.

Durante período de ressaca, maré causa estragos em casas no Campeche – Foto: Anderson Coelho/NDDurante período de ressaca, maré causa estragos em casas no Campeche – Foto: Anderson Coelho/ND

Há duas semanas, o nd+ mostrou que a construção de um enrocamento, nome dado para a barreira de rochas, já é reivindicação ampla dos moradores do entorno da rua Jardim dos Eucaliptos.

A Amoje (Associação dos Moradores do Jardim Eucaliptos) solicitou um estudo em 2016 sobre o avanço do mar no bairro. A empresa contratada MinasHidroGeo concluiu que, se nada for feito, mar pode avançar 100 metros em 42 anos.

O enrocamento seria “feito utilizando-se blocos de rocha granítica ou Diabásica não alterada de tamanho variando de 1 a 3 toneladas a fragmentos menores utilizados entre os blocos como preenchimento” detalha o estudo.

18 Comentários

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  • Felipe
    Felipe
    O artigo esqueceu de dizer que a maioria das casas nesta área são construções irregulares. De acordo com a legislação brasileira, não é permitido construir em uma área de dunas e restinga.
  • Felipe
    Felipe
    O artigo esqueceu de dizer que a maioria das casas nesta área são construções irregulares. De acordo com a legislação brasileira, não é permitido construir em uma área de dunas e restinga. Além disso, o artigo esqueceu de apresentar os possíveis impactos secundários de um aterro com rochas e pedras, e que muitos moradores se opõem a essa solução.
  • RUDIMAR SIMOES VARGAS JUNIOR
    RUDIMAR SIMOES VARGAS JUNIOR
    O terreno do antigo hotel morro das pedras foi vendido para construção de 4 condomínios. Seguimos, nao apenas mantendo, mas ampliando as obras a beira mar. Absurdo!!!

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