Casan presta esclarecimentos ao MPF sobre desastre ambiental na Lagoa da Conceição

Companhia respondeu ofício enviado pela procuradora da República Analúcia Hartmann após abertura de inquérito civil para apurar causas e responsabilidades

A Casan prestou os primeiros esclarecimentos ao MPF (Ministério Público Federal), que abriu inquérito civil para apurar as causas e responsabilidades do rompimento da lagoa artificial da Estação de Tratamento de Esgoto da Lagoa da Conceição, registrado no último dia 25 de janeiro.

De acordo com a Casan, 35 residências e 66 pessoas foram atingidas. Foto: Reprodução/NDDe acordo com a Casan, 35 residências e 66 pessoas foram atingidas. Foto: Reprodução/ND

O ND teve acesso ao documento certificado em cartório. A resposta, com três páginas, datada de 29 de janeiro, traz apenas um relato das ações da companhia diante do ocorrido e não contempla respostas para matérias jornalísticas e a nota técnica emitida por pesquisadores sobre o desastre ambiental na Lagoa da Conceição.

De acordo com o relato assinado pelo diretor administrativo Evandro Martins, assim que ocorreu o “acidente”, a presidente (Roberta Maass dos Anjos) e o diretor de Operação e Expansão (Fábio Krueger) e demais servidores da área operacional foram ao local para “entender o que havia ocorrido”.

No local, a Casan formou uma base de operações junto com Defesa Civil Municipal e Estadual, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Prefeitura de Florianópolis, onde foi elaborado um plano de atendimento às ocorrências.

Segundo o plano estabelecido, uma equipe operacional foi acionada para estancar a ruptura, outra equipe de salvamento atendeu as vítimas que tiveram imóveis alagados e uma terceira equipe, de assistência social, foi formada para cadastrar e oferecer apoio aos atingidos.

Ações realizadas

Composta por servidores da Casan e da Defesa Civil, a equipe operacional decidiu utilizar sacos de areia no local da ruptura da duna da lagoa artificial, a “forma mais rápida” para “estancar o vazamento”.

Para cessar o escoamento de água na área do estacionamento da Avenida das Rendeiras e na servidão Manoel Luiz Duarte, seria necessário abertura de acesso na área de restinga atrás do estacionamento da Avenida das Rendeiras, para entrada de materiais (saco de areia, equipamento e mão de obra) para fechar o local da ruptura. Outra equipe faria a limpeza da Avenida das Rendeiras para liberação do trânsito.

Formada por servidores da Casan, Bombeiros e Defesa Civil, a equipe de salvamento fez duas ações. Enquanto os bombeiros utilizavam botes para retirada de moradores de 35 residências, a Defesa Civil fazia o atendimento inicial, e a Casan providenciava três caminhões hidrovácuo para drenar a água acumulada na parte baixa da servidão Manoel Luiz Duarte e transferi-la para a rede de drenagem existente.

Ainda segundo o documento, para acessar o local de ruptura da lagoa foi utilizada uma escavadeira (S90), que abriu um caminho na restinga e fez um canal para concentrar a saída de água em um só ponto da Lagoa da Conceição.

No documento, a Casan afirma ter disponibilizado para atendimento emergencial 50 profissionais entre servidores de carreira e empresas contratadas, uma escavadeira hidráulica, duas retroescavadeiras, uma mini escavadeira, quatro caminhões caçamba; três caminhões hidrovácuo e um caminhão-pipa.

A companhia também informa ter mobilizado uma equipe multidisciplinar (assistentes sociais, psicólogos e técnicos em acidente de trabalho) ainda na manhã do dia 25 para fazer o atendimento psicossocial às vítimas e um cadastramento.

O documento também destaca que um levantamento inicial identificou 35 residências e 66 pessoas atingidas, e após avaliação, foi dada prioridade para seis famílias que necessitaram de alojamento em hotéis e pousadas da região, inclusive com animais de estimação.

Em relação ao suporte dado às vítimas, a Casan relata que as famílias estão sendo hospedadas em hotéis do Centro da Capital, e na própria Lagoa da Conceição, conforme a disponibilidade de vagas e necessidade dos atingidos.

No hotel, os atingidos têm café de manhã e recebem marmitas para almoço e jantar. A Casan também afirma que está fornecendo às famílias e a todos que estão trabalhando café da manhã com sanduíches, almoço (marmitas) e lanche da tarde (sanduíches) e disponibilizou um número de telefone para contato das famílias atingidas.

A Casan ainda destaca o trabalho de empresas contratadas na limpeza da rua e a contratação emergencial de uma equipe da Unimed, inclusive com ambulância, que permaneceria no local até ontem, mas com possibilidade desse prazo ser prorrogado.

A companhia também informa que foram distribuídos kits de limpeza e que o trabalho da equipe multiprofissional prossegue, junto com os engenheiros, para fazer um atendimento casa a casa.

A Casan relatou ainda ter feito um cadastramento para levantar os danos causados e lançado em 28 de janeiro um edital de credenciamento para “possibilidade de um ressarcimento de até R$ 10 mil para as famílias atingidas pelo transbordamento da Lagoa de evapofiltração da Lagoa da Conceição”.

Em relação ao ressarcimento total, a Casan informa que será calculado após vistoria dos 30 engenheiros destacados para o trabalho, e a reparação contemplará “imóveis, lucros cessantes, danos parciais ou totais em veículos, despesas de limpeza e outros gastos alusivos ao evento”.

A Casan também informou que profissionais da companhia estariam no Centro de Operações na última sexta-feira (29) para “ajudar os moradores na solicitação desse adiantamento”.

Por último, a Casan relatou que os veículos atingidos pelas águas foram levados para o pátio do almoxarifado da companhia em São José, com autorização dos proprietários, mas alguns decidiram acionar o seguro.

A companhia ainda evitou se manifestar sobre matérias jornalísticas anexadas no ofício enviado pela procuradora da República Analucia Hartmann, por “não terem sido objeto de contextualização e questionamento do MPF”, e pela mesma lógica, preferiu não se manifestar sobre a nota técnica dos pesquisadores da UFSC,”que equivocadamente trata uma lagoa natural como barragem”.

A resposta ainda contém a listagem dos atingidos alojados pela companhia em três estabelecimentos (dois hotéis e um hostel).

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