Com o avanço da lava de vulcão, professor explica os riscos de tsunami atingir o Brasil

Professor do Departamento de Geologia explica as principais dúvidas sobre a formação do fenômeno e a possibilidade de chegar no litoral brasileiro

A erupção do vulcão Cumbre Vieja, nas Ilhas Canárias, resultou em diversas imagens impressionantes e levantou especulações sobre a possibilidade de um tsunami atingisse o litoral do Brasil.

Vulcão nas Ilhas Canárias entrou em erupção e ligou alerta para possível tsunami no litoral brasileiro – Foto: Fotos Públicas/NDVulcão nas Ilhas Canárias entrou em erupção e ligou alerta para possível tsunami no litoral brasileiro – Foto: Fotos Públicas/ND

Porém, de acordo com o professor Norberto Olmiro Horn Filho, do Departamento de Geologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), afirma que a probabilidade de um tsunami atingir a costa brasileira é considerada “muito baixa”.

A pequena possibilidade do fenômeno atingir o Brasil é por conta da grande distância entre o arquipélago e a costa brasileira, cerca de 4,5 mil quilômetros de Fortaleza-CE e Natal-RN. Além disso, o local é 7 mil quilômetros de Florianópolis.

O professor Norberto Filho explica que maremotos causadores de tsunami deveriam ocorrer nas proximidades da Cordilheira Mesoatlântica, cerca de 3 mil quilômetros da costa brasileira.

“Não se descarta totalmente essa possibilidade caso a manifestação venha a ocorrer a partir dos limites transformantes próximos da cordilheira. Dessa forma, a magnitude dos sismos não alcançaria valores elevados”.

Qual situação levaria Santa Catarina em um risco real de tsunami ou maremoto?

“É bastante improvável a possibilidade de risco real de um maremoto ou tsunami no litoral de Santa Catarina. Isso porque não têm sido detectadas falhas ou rupturas entre placas tectônicas e erupções vulcânicas, principais causas dos maremotos”.

Existe alguma área ou região do Oceano Atlântico propensa à ocorrência de algum evento sísmico que pudesse originar um tsunami?

“O Brasil está inserido na Placa Tectônica da América do Sul, cuja parte continental da placa consiste na área terrestre dos países sul-americanos e na parte oceânica, o oceano Atlântico a oeste da Cordilheira MesoAtlântica. O limite divergente separa a Placa Tectônica da América do Sul da Placa da África, localizado praticamente no meio do oceano Atlântico. Esse limite tectônico de afastamento das duas placas pode gerar eventos sísmicos de baixa magnitude, por conseguinte, maremotos e prováveis tsunamis também de baixa intensidade”

Placa tectônica onde se localiza o Brasil – Foto: Agecom/UFSC/Divulgação/NDPlaca tectônica onde se localiza o Brasil – Foto: Agecom/UFSC/Divulgação/ND

“Os setores onde a Cordilheira MesoAtlântica e as zonas de fraturas estão mais próximas da linha de costa, como nas regiões Nordeste e Norte e arquipélago São Pedro e São Paulo, representam os setores de maior probabilidade de eventos sísmicos de maior intensidade”.

Qual a origem e significado da expressão “tsunami”?

“Significa onda de porto (harbour wave), sendo conceituado como deslocamento de uma grande massa de água gerado por maremotos, erupções vulcânicas e impacto de meteoritos”.

Quais as principais causas?

“A principal causa que pode gerar um tsunami é a presença de falhas ou rupturas entre placas tectônicas no fundo oceânico”.

Formação de ondas gigantes durante tsunami – Foto: Agecom/UFSC/Divulgação/NDFormação de ondas gigantes durante tsunami – Foto: Agecom/UFSC/Divulgação/ND

“Para que uma onda gigante se forme, é necessário que tenha um maremoto, ou seja, um terremoto no mar, com seus elementos geométricos típicos incluindo o hipocentro ou foco, epicentro e as ondas sísmicas. Nem todo maremoto origina um tsunami. Tsunami e maremoto não são sinônimos”.

Um dos fenômenos observados no grande tsunami de 2004, na Ásia, foi o recuo do mar antes da onda que varreu as regiões litorâneas. Qual é a explicação científica deste fenômeno?

“Ao se aproximar da zona litorânea na plataforma continental, o tsunami tem seu comprimento e velocidade diminuído e aumento gradativo da altura. A força dos ventos empurra e puxa a superfície do oceano em escala regional, elevando o nível do mar em algumas áreas e, inevitavelmente, sugando-o em outras áreas, motivo pelo qual pode ocorrer o recuo do mar antes da chegada do tsunami”.

Conheça a Ilha La Palma

O local faz parte das sete ilhas que compõem o arquipélago das Canárias, no Oceano Atlântico Norte. Além disso, ela está cerca de 500 km do Saara Ocidental, na costa africana. As profundidades do entorno do arquipélago é de aproximadamente 2,7 mil metros.

A ilha La Palma é considerada muito jovem formada a partir de um vulcanismo insular submarino nos últimos 2 milhões de anos. Além disso, ainda está em formação, de acordo com eventos magmáticos vulcânicos básicos que tem assolado a ilha, cuja última erupção data do ano de 1971.

Tsunamis são comuns?

O evento é uma ocorrência frequente no Oceano Pacífico, onde ocorre cerca de 80% dos tsunamis, uma vez que nas margens desse oceano em contato com as margens continentais ocidentais da América do Sul e da América do Norte e das margens orientais da Ásia e da Austrália, formando o Círculo do Fogo. Neste local, é comum a geração de atividades vulcânicas, terremotos, maremotos e tsunamis.

Local do Círculo de Fogo – Foto: Agecom/UFSC/Divulgação/NDLocal do Círculo de Fogo – Foto: Agecom/UFSC/Divulgação/ND

São originados geralmente sob magnitudes dos sismos maiores que 7, gerando ondas com alturas entre 5 e 30 metros. Sua ocorrência pode ser registrada no Oceano Índico. No entanto, são raros os registros no Atlântico.

Os sismos de Valdívia, no Chile, em 1960, do Alasca, em 1964, e de Sumatra, em 2004, são exemplos de maremotos que geraram tsunamis que atravessaram oceanos inteiros.

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