Com vandalismo e brigas, festas clandestinas na Joaquina deixam cenário de destruição

Comerciantes e frequentadores da praia afirmam que festas deixam forte odor de urina e vômito, além de muito lixo espalhado no local

As frequentes festas clandestinas durante os fins de semana na praia da Joaquina, um dos principais cartões postais de Florianópolis, vem afetando diretamente frequentadores da praia e o comércio local.

Praça em frente a praia é o principal local de aglomeração nos fins de semana – Foto: Leo Munhoz/NDPraça em frente a praia é o principal local de aglomeração nos fins de semana – Foto: Leo Munhoz/ND

Festas regadas a álcool e, segundo depoimentos de pessoas que trabalham no local, até drogas, viram a noite há pelo menos três meses sempre na praça em frente à praia. As principais queixas são o lixo deixado no local, brigas entre os próprios participantes, vandalismo, além do forte odor de urina nas portas das lojas e restaurantes.

O vice-presidente da Associação de Surf da Joaquina, Érico de Souza Mergner, comenta que nunca viu algo parecido com o que vem presenciando nos últimos tempos.

“É som alto e aglomeração a noite toda. Colegas que chegam cedo para surfar se sentem ameaçados por essas pessoas, que ainda estão aqui ao amanhecer, completamente alteradas. Inclusive já presenciamos muitas brigas no estacionamento da praia. Eles ficam aqui [Joaquina] até umas 9h”, relata ao ND+.

Érico (de boné), Sérgio (blusa vermelha) e Eduardo falam sobre os problemas na praia – Foto: Leo Munhoz/NDÉrico (de boné), Sérgio (blusa vermelha) e Eduardo falam sobre os problemas na praia – Foto: Leo Munhoz/ND

“A associação entende que os participantes são jovens e querem se divertir. Porém, tudo tem um limite. Isso não justifica atos de vandalismo como sair urinando nos locais, fora as frequentes brigas que acontecem entre eles mesmos. Sempre encontramos garrafas quebradas”, completa.

A reclamação é seguida pelos surfistas Eduardo Serpa e Sérgio Cunha que frequentam diariamente a praia. “Essas atitudes afastam as famílias que frequentam a praia, inclusive teve uma surfista que foi assediada quando saia da água”, contam.

A reportagem também conversou com um guarda-vidas que trabalha na praia e preferiu não se identificar. Ele afirma que nem mesmo a guarita onde trabalha escapou de atos de vandalismo.

“Quando chego para trabalhar, no início da manhã, preciso jogar água sanitária na porta da guarita porque está fedendo a urina. Outro dia um colega meu cortou o pé em uma garrafa quebrada que haviam deixado aqui”, conta.

“Muitas vezes eles [participantes da festa] ainda estão aqui quando chegamos. É difícil haver uma comunicação, estão todos alterados, mesmo que você peça para sair, é complicado”, completa.

Impactos no comércio

Além dos frequentadores da praia, o comércio local também sente os impactos das festas clandestinas. André de Souza Nunes, um dos donos do restaurante Recanto Maurílio, afirma que a situação saiu do controle.

Ele alega que no início das manhãs de sábado e domingo os participantes da festa ocupam as cadeiras do restaurante na praia e que, quando pede para eles saírem, eles se recusam.

André vê restaurante impactado por festas clandestinas – Foto: Leo Munhoz/NDAndré vê restaurante impactado por festas clandestinas – Foto: Leo Munhoz/ND

“Essa situação afasta nossos clientes porque mancha a imagem da praia. Chegamos a tirar 12 sacos grandes de lixo da frente do restaurante em um fim de semana. Você perde mais de uma hora limpando todo o lixo deixado por eles”, afirma.

A segurança é outro ponto citado pelo empresário, uma vez que não há um vigilante noturno no local, tendo apenas um alarme.

“Em mais de 50 anos que esse restaurante tem, nunca vimos isso. Moro no Norte da Ilha. Se acontecer algo, como vou chegar até aqui a tempo? Minha porta é de vidro, fico com medo que quebrem”, questiona.

Além disso, o cheiro forte de urina na porta do estabelecimento é outro ponto que virou dor de cabeça. “Chego às 8h30 aqui e começo a limpar tudo, o cheiro é muito desagradável. Às vezes para afastar esse pessoal que ainda está na frente do meu restaurante quando eu chego, eu disparo o alarme”, explica.

Cheiro de urina e vômito

O atendente de uma loja de artesanato da praia, Felipe Mariano, conta que trabalha no local há 15 anos e nunca tinha vivido situações como essa. A loja costuma abrir diariamente às 9h, porém, nos fins de semana, ele chega às 7h30 para conseguir limpar toda a sujeira deixada.

“Vai umas duas horas até conseguir limpar tudo. É cheiro forte de urina e vômito na porta. Não posso deixar o cliente entrar aqui com esse fedor”, reclama.

Felipe relata que passa ao menos duas horas limpando a entrada da loja – Foto: Leo Munhoz/NDFelipe relata que passa ao menos duas horas limpando a entrada da loja – Foto: Leo Munhoz/ND

Ele ainda conta que as festas começaram há cerca de três meses e, com o passar do tempo, o número de participantes foi aumentando. “No início eram 20 pessoas, agora teve fins de semana que deve ter chegado a 500”, relata. “A fila de carros começa lá no início das dunas e vem até a praia”.

“No último sábado alguns desses participantes ficavam mexendo com pessoas que chegavam à praia de manhã. Isso intimida as pessoas. No inverno o movimento da loja costuma ser mais fraco, ai nos fins de semana que melhora, tem essas pessoas aqui afastando nossos clientes”, reclama o atendente.

Veja imagens das aglomerações:

Aglomeração de pessoas foi flagrada no local por frequentadores da praia – Foto: Divulgação/NDAglomeração de pessoas foi flagrada no local por frequentadores da praia – Foto: Divulgação/ND
Comerciantes recolheram o lixo deixado no local pelas festas da madrugada no último domingo – Foto: Divulgação/NDComerciantes recolheram o lixo deixado no local pelas festas da madrugada no último domingo – Foto: Divulgação/ND
Caixa d’água no local é alvo de pichação e de pessoas que param para urinar – Foto: Leo Munhoz/NDCaixa d’água no local é alvo de pichação e de pessoas que param para urinar – Foto: Leo Munhoz/ND

Surfista flagrou briga no início da manhã – Vídeo: Reprodução

Reforço na segurança

As frequentes aglomerações e festas clandestinas aos fins de semana na praia da Joaquina, em Florianópolis, foram tema de uma audiência na sede do 4º BPM (Batalhão da Polícia Militar) na tarde desta quinta-feira (8).

A polícia elaborou uma estratégia para coibir o problema. Serão realizadas rondas e abordagens intensificadas na região durante os fins de semana.

“Nossa estratégia maior agora será realmente atuar no foco nesses espaços, garantindo principalmente que essas pessoas evitem de circular alcoolizadas, ou usando entorpecentes. Além disso, fazendo verificação cabível naqueles espaços que elas estiverem colocadas”, pontua o comandante do 4º BPM, tenente-coronel, Dhiogo Cidral.

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