Conheça a beleza da guarapuvu, a árvore símbolo de Florianópolis

Espécie tem diferentes nomes no Brasil, mas se tornou patrimônio cultural da capital de Santa Catarina pelas flores amarelas, capazes de identificá-la de longe

Árvore imponente, de beleza esplêndida, com flores grandes, vistosas, de pétalas vivamente amarelas. Conhecida na Bahia como pau-de-vintém; no Rio de Janeiro é chamada de fava-divina; já no Rio Grande do Sul é o guavirovo, no entanto para os habitantes da Ilha de Santa Catarina, é simplesmente a guarapuvu, a mais bela das árvores, um patrimônio cultural da população da capital catarinense.

Guarapuvu é um símbolo da cidade de Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/ND

A beleza imposta pelas flores amarelas da guarapuvu pode ser vista, com maior intensidade, nos meses de outubro a dezembro, nas regiões da Lagoa da Conceição, Rio Vermelho e nos morros da capital catarinense. Além dos parques municipais do Córrego Grande e da Luz.  Utilizada, no passado, na fabricação de canoas, a espécie foi tombada como símbolo da cidade pela Lei nº 3.771 de 25 de maio de 1992, com isso o corte foi proibido.

“No passado teve uma importância muito grande na economia e nas práticas culturais em nossa cidade. É uma arvore que era possível fazer canoas. Existia a figura do canoeiro, de origem luso-açoriana, que era especializado em fazer canoas com o tronco da guarapuvu”, conta o professor Aldonei Machado.

Machado descreve que esse ensinamento de fazer canoa de um tronco da guarapuvu, era uma prática indígena que os lusos-açorianos ao chegarem na Ilha de Santa Catarina, no século 18, aprenderam com os nativos. “A guarapuvu é uma árvore leve e de fácil corte e os indígenas já aproveitam ela para suas práticas”, relata. A produção das embarcações hoje é rara de se observar e sem autorização da Floram (Fundação Municipal de Meio Ambiente) pode ser considerada ilegal.

Para o professor Aldonei, a guarapuvu é mais do que uma árvore símbolo de Florianópolis, ela representa um momento da história dos povos que habitaram na Ilha. “Primeiramente os povos originários, os indígenas. Mais tarde com as populações luso-açorianas. Ela contribuiu com a fusão de culturas. Simboliza a natureza e tem uma representatividade enorme para história. Precisa ser tombada e protegida”, comenta ele.

O professor sugere que, por conta da simbologia da árvore, a preservação da guarapuvu deveria ser ensinada nas escolas, por ser um elemento da natureza e que representa uma parte da história de Florianópolis.

Conservação do patrimônio

Segundo Aracidio de Freitas Barbosa Neto, geógrafo, chefe de Administração das Unidades de Conservação de Florianópolis da Floram, atualmente, há várias áreas com a presença da espécie na cidade, devido ao processo de sucessão ecológica em curso, pois a vegetação da cidade foi explorada de forma intensa ao longo do processo da urbanização e, agora, onde não colide com a urbanização, a guarapuvu está em recuperação.

Guarapuvu embeleza as encostas da capital catarinense – Foto: Anderson Coelho/ND

“Ela está em média altura dos morros, não está no topo e às vezes não está na baixada, porque essas áreas já estão ocupadas pelas casas. E o topo do morro ainda manteve uma matinha um pouco melhor. Aquela que foi mais explorada, que era pasto, que era roça em décadas passadas, é onde se está se dando a recuperação mais intensa, onde a espécie tem esse lugar de domínio. Ela cresce bem no sol”, explicou o geógrafo.

Neto afirma que a Floram não observa uma necessidade de reflorestamento para manutenção da espécie, tendo em vista que se mantém um trabalho nas unidades de conservação do município, e um cuidado das áreas de preservação permanente, que é o espaço habitual da guarapuvu.

O geógrafo explica que é bem vista iniciativas de plantio da guarapuvu, porém alerta que não é indicado plantar em lotes privados, próximos a casa, em escola, creche, ou seja, em lugares de circulação, por conta de risco de queda. “É uma madeira que cresce muito rápido, é uma madeira mole, que também morre muito rápido, quebra muito rápido, apesar de ser grossona, bonitona, ela é muito frágil. Então galhos e, mesmo, troncos podem se quebrar”, explica.

De acordo com Neto, existe uma discussão quanto às autorizações para derrubada de guarapuvu que apresenta alguma ameaça de queda. A Floram é o órgão responsável pela liberação. “A legislação diz que a espécie tem que ser preservada. A mediação disso na parte técnica é complicada. Porque, às vezes, você coloca a vida de famílias em risco. Por vezes que se autoriza a retirar, a Floram é criticada. Então é muito delicado o plantio dessa espécie, apesar de todo apelo que ela tem”, disse.

A sugestão do geógrafo é a expansão de plantio da guarapuvu em alguns lugares públicos, como algumas rodovias, uma delas a Via Expressa. “Já tem alguns garapuvus que estão florindo, mas tem espaço para plantar muitos outros. Poderia ter algumas outras ações para valorizar a espécie. Símbolo da cidade, que é belíssima, e que está agora dando esse show do amarelão”, sugere.

Sobre o Guarapuvu

Nome científico: Schizolobium parahybae

Nomes conhecidos por Unidades da Federação:

  • Santa Catarina: bacurubu, bacuruvu, gapuruvu, garapuvu, igarapobu.
  • Bahia: bacurubu, ficheira, pau-de-vintém, pinho e pino.
  • Minas Gerais: birosa, breu, guaperuvu.
  • Pernambuco: guapuruvu.
  • Rio de Janeiro: bacurubu, bandarra, fava-divina, guapururru.
  • Rio Grande do Sul: guavirovo.

Forma biológica: árvore semicaducifólia, com 10 a 40 m de altura e 30 a 120 cm, na idade adulta.

Flores: grandes, vistosas, de pétalas vivamente amarelas, reunidas em racemos terminais de até 30 cm de comprimento.

Floração: entre os meses de outubro a dezembro, em Santa Catarina.

Frutificação: de abril a agosto, em Santa Catarina

Sementes: duras e marrons. São utilizadas como enfeite e também em colares e artesanato.

Solos: guapuruvu cresce melhor em solos de fertilidade química boa, profundos e úmidos, bem drenados e com textura que varia de franca a argilosa.

Apícola: as flores do guapuruvu fornecem pólen e néctar, com 29% de açúcar, e seu mel é fluído e perfumado.

Medicinal: a casca tem propriedade terapêutica adstringente (produto mais indicado para finalizar a higienização e preparar a pele para a hidratação), sendo usada na medicina popular.

Reflorestamento para recuperação ambiental: os galhos do guapuruvu são preferidos para a construção de ninho do pássaro joão-de-barro. A espécie é recomendada também para restauração de mata ciliar em locais não sujeitos a inundação.

É uma espécie da Mata Atlântica e quando em condições ambientais e de cultivo adequados, o guapuruvu é uma das espécies de mais rápido crescimento nas regiões Sul e Sudeste do Brasil

*Fonte: Paulo Ernaini Ramalho Carvalho Engenheiro Florestal, Doutor, Pesquisador da Embrapa Florestas. 

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