Desafio da sustentabilidade é preocupação mundial

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Termos como desenvolvimento sustentável e ecodesenvolvimento se popularizaram à medida que cresceu o entendimento global sobre os impactos da humanidade no planeta

Afinal, o que é e de onde vem o conceito de sustentabilidade? O termo se popularizou tanto nas últimas décadas que, muitas vezes, é introduzido em qualquer discurso político, como forma de garantir o compromisso com algo que todo mundo sabe que é importante, mas cujo significado vem se perdendo no tempo.

Voltemos às origens, portanto. As primeiras referências a desenvolvimento sustentável começaram a surgir em 1972, durante a primeira conferência da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento, em Estocolmo, na Suécia. O termo utilizado então foi “ecodesenvolvimento”.

Meio ambiente precisa da união de esforços hoje para garantir futuro – Foto: Margot Richard/UnsplashMeio ambiente precisa da união de esforços hoje para garantir futuro – Foto: Margot Richard/Unsplash

Em 1987, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento apresentou o Relatório Brundtland.

O documento passou a utilizar a expressão “desenvolvimento sustentável”, com a seguinte definição: forma como as atuais gerações satisfazem as suas necessidades sem, no entanto, comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades.

“Em essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas”, resume o Relatório Brundtland.

De acordo com o relatório, “tanto a tecnologia quanto a organização social podem ser geridas e aprimoradas a fim de proporcionar uma nova era de crescimento econômico”.

Para atender às necessidades básicas de todos, o documento recomenda, então, “um crescimento potencial pleno, e o desenvolvimento sustentável exige claramente que haja um crescimento econômico em regiões onde tais necessidades não estão sendo atendidas”.

“Mas o simples crescimento não basta. Uma grande atividade produtiva pode coexistir com a pobreza disseminada, e isto constitui um risco para o meio ambiente. Por isso, o desenvolvimento sustentável exige que as sociedades atendam às necessidades humanas, tanto aumentando o potencial de produção quanto assegurando a todos as mesmas oportunidades”.

Um novo acordo global deve ser firmado

Com mais de 4 milhões de mortes em pouco mais de um ano, a Covid-19 expôs a fragilidade do mundo e acendeu o alerta para outras ameaças globais.

“Estamos em um ponto de ruptura em relação às mudanças climáticas”, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres. Sua sentença tem a conotação de um “agora ou nunca” e joga sobre os ombros dos mandatários dos principais países do mundo a responsabilidade de traçar um plano para evitar o pior.

Em novembro deste ano, eles estarão em Glasgow, na Escócia, durante a COP26 (Conferência da ONU para as Mudanças Climáticas) a fim de firmar um compromisso que substitua o Acordo de Paris de 2015.

Em Paris, praticamente todas as nações do mundo concordaram em participar do esforço para conter as mudanças climáticas. Ficou acordada a meta de não deixar a temperatura global aumentar mais de 2ºC, até o fim do século, em relação aos níveis pré-industriais.

Foco é reduzir poluição ambiental

Mundialmente, a tendência das emissões de gás carbônico é de alta, o que torna o horizonte curto para uma reação global.

Há consenso de que é preciso ocorrer uma queda drástica na queima de combustíveis fósseis, responsáveis pelo efeito estufa e aquecimento global. A questão é que todos têm de ceder um pouco.

Estados Unidos e China, juntos, são responsáveis por 40% das emissões globais. Ou seja, sem eles nada de decisivo é alcançável. Brasil e Índia, como grandes nações emergentes, também têm de estar a bordo de qualquer plano.

Segundo relatório do Observatório do Clima divulgado no final do ano passado, o Brasil figurou como o quinto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta. E, em 2019, as emissões registraram o maior aumento desde 2003.

China é responsável por 25% de toda emissão de gases que provocam o efeito estufa no mundo – Foto: Andreas Felske/UnsplashChina é responsável por 25% de toda emissão de gases que provocam o efeito estufa no mundo – Foto: Andreas Felske/Unsplash