Entenda o que são as espécies invasoras que ameaçam paisagem natural de Florianópolis

Lei de Florianópolis prevê eliminação completa de três espécies invasoras, grupo considerado a segunda maior ameaça à biodiversidade do mundo

A remoção de uma casuarina, no fim de maio, na praia da Armação do Pântano do Sul, revoltou moradores. A árvore abrigava um balanço utilizado pela comunidade. “Gente, que absurdo. Esquecem que árvores e plantas, no geral, têm vida?”, escreveu uma internauta nas redes sociais.

A casuarina é considerada uma espécie invasora e está entre as três espécies invasoras inicialmente previstas para serem erradicadas de Florianópolis até o fim de 2022 – as outras são o eucalipto e o pinus. Apesar do laço afetivo, a remoção é necessária para resgatar a paisagem natural da Capital.

Pinus, eucalipto e casuarinas, espécies invasoras mais graves de Florianópolis1. Casuarina retirada na praia da Armação do Pântano Sul (Divulgação/SMMA) 2. Pinus no Parque Municipal da Lagoa da Conceição (Divulgação/ Michele de Sá Dechoum/UFSC) 3. Eucaliptos no Parque Serra do Tabuleiro (Marcela Ximenses/ND)  – Foto: Montagem/ND

O objetivo da lei é a substituição por espécies nativas, que são as que se originaram e se disseminaram na Mata Atlântica sem interferência humana.

Com a evolução, alcançaram um equilíbrio com o ambiente – a exemplo das quaresmeiras, araçazeiros, pitangueiras, entre outras árvores nativas de Floranópolis.

Já as exóticas foram inseridas pelo homem, das quais as invasoras compõem um subgrupo. Estas, ao serem inseridas, se proliferam sem ajuda humana, dominam o habitat e expulsam as nativas. Com isso, desequilibram o sistema: consomem mais água, causam impactos econômicos, culturais e à saúde.

Leucenas plantadas na Via Expressa Sul – Foto: Carolina Custódio Amorim/Divulgação/NDLeucenas plantadas na Via Expressa Sul – Foto: Carolina Custódio Amorim/Divulgação/ND

Com o tempo, a paisagem fica homogênea – apenas se vê a árvore invasora. É o que ocorre no Parque do Rio Vermelho, onde estimativas apontam cerca de 30% do território tomado por pinus – espécie que acidifica o solo e impede que mesmo um arbusto cresça.

O mesmo visual é visto na Via Expressa Sul, no bairro Saco dos Limões, onde se proliferaram leucenas, que começaram a ser retiradas em 2020. A planta realiza um processo chamado de alelopatia, ao liberar substâncias químicas que impedem a profusão de espécies nativas.

“Cortar uma espécie invasora é equilibrar a Mata Atlântica. Permite outras 300 espécies nativas no lugar”, explica o geógrafo Cid Neto, chefe da Divisão de Implantação e Manejo das Unidades de Conservação, da Floram. O impacto é também turístico, uma vez que as invasoras retiram a identidade natural da Capital.

Antes um experimento, hoje uma praga

A disseminação dos pinus, casuarinas e eucaliptos em Florianópolis começou na década de 60 e 70, como um experimento do professor Henrique Berenhauser no Parque Estadual do Rio Vermelho. O objetivo era conter o avanço das dunas, e ampliar as áreas verdes. “Foram estudos científicos com critérios da época, mas inadequados ao dias atuais”, segundo Neto.

1. Sagui (Flávio Tin/Arquivo/ND) 2. Coral-do-sol (Alexander Vasenin/Wikimedia Commons/Divulgação) – Foto: Montagem/ND1. Sagui (Flávio Tin/Arquivo/ND) 2. Coral-do-sol (Alexander Vasenin/Wikimedia Commons/Divulgação) – Foto: Montagem/ND

Quanto às leucenas, a principal suspeita é que a planta foi “trazida” nos anos 90, através do solo utilizado no aterramento realizado na região, que teriam sementes de espécies. Há ainda espécies invasoras de fauna, como por exemplo o sagui, o coral-do-sol e a tilápia-do-nilo.

Em todo o Estado, o IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina) estima que há cerca de 99 espécies invasoras registradas, conforme lista de 2010. São 16 vertebrados terrestres, 13 peixes, 10 invertebrados terrestres, sete invertebrados marinhos, três invertebrados de água doce, uma alga e 49 plantas.

Remoção obrigatória

A lei (nº 9097) que regulamenta a remoção das espécies invasoras é recente, de 2012. Ela foi regulamentada em 2018, por meio do decreto 18.495, e estabelece a remoção de três árvores – pinus, eucaliptos e casuarinas – em todo o território de Florianópolis.

Espécies invasoras em Santa Catarina – Foto: IMA/Divulgação/NDEspécies invasoras em Santa Catarina – Foto: IMA/Divulgação/ND

Em 2013 ocorreu a primeira ação prevista para a lei, com a remoção de casuarinas no Morro das Pedras. Atualmente, a Floram realiza remoções no Monumento Natural Municipal da Galheta e no Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri. Há ainda ações de remoção prevista para a Praia Mole.

Um dos processos mais recentes de retirada tem como alvo os pinus no Parque do Rio Vermelho, conforme divulgou a coluna do Fábio Gadotti. O IMA informou na última segunda-feira (31) que está concluindo a formação da equipe que coordenará a retirada e a venda da madeira. É também necessário atualizar os estudos sobre o número de árvores, informou o órgão.

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