Espécies invasoras do Parque do Rio Vermelho, em Florianópolis, serão contadas para remoção

Trabalho também definirá fim econômico dos pinus e durará de dois a três meses; na região norte, remoção das espécies é feita por voluntários

A aguardada remoção das espécies invasoras do Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis, dá novos passos nesta semana. O IMA (Instituto de Meio Ambiente) define na sexta-feira (21) a equipe que irá contabilizar o número de invasoras e definir o fim econômico dos pinus que serão eliminados. É a segunda vez que o trabalho é feito no parque.

Corte de espécies invasoras ao norte do Parque Estadual do Rio Vermelho, em FlorianópolisEnquanto a região sul depende de estudo e licitação, equipes de voluntários realizam o corte das invasoras ao Norte do Parque: a região de “dispersão” das exóticas – Foto: Acervo do Parque Estadual do Rio Vermelho/Divulgação/ND

As atividades serão conduzidas por dois profissionais, dentre eles um engenheiro florestal, e durará de dois a três meses. Eles mapearão o número de indivíduos presentes e a venda posterior dos pinus removidos. As atividades serão realizadas na região sul, nas imediações da Barra da Lagoa e da SC-406, detalha Adriana Nunes, coordenadora do Parque .

É lá onde está o “grosso” das espécies, dentre elas pinus, casuarinas, eucaliptos e a recém-identificada Brachylaena discolor. Foi nesta “área original” que começou o plantio das invasoras a partir da década de 60 para a silvicultura. Elas depois se proliferam para o restante do parque.

“A partir deste trabalho a gente iniciará o processo de licitação que definirá a empresa que será responsável pela remoção, os estudos de impacto e a logística da remoção”, explica a coordenadora. Esta segunda etapa, onde será feito o “trabalho sujo” de corte das espécies, começará após os estudos.

Brachylaena discolor, espécie invasora da África do Sul que passou a constar no último plano de manejo do parque, divulgado em 2020 – Foto: Acervo do Parque Estadual do Rio Vermelho/Divulgação/NDBrachylaena discolor, espécie invasora da África do Sul que passou a constar no último plano de manejo do parque, divulgado em 2020 – Foto: Acervo do Parque Estadual do Rio Vermelho/Divulgação/ND

Segundo o plano de manejo da unidade de conservação, publicado em dezembro de 2020, cerca de 30% dos 1542 hectares do parque são tomados por invasoras. A retirada é prevista na legislação municipal, que estabelece a remoção de todas as invasoras de Florianópolis até 2022. A legislação federal também proíbe presença de espécies exóticas em unidades de conservação.

A professora Michele de Sá Dechoum, do departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), ressalta que esta não é primeira vez que a remoção é discutida. Em 2010 uma consultoria realizou inventário semelhante, detalhando o número de madeira a ser vendida e definindo o plano de restauração. “Até hoje isso nunca foi colocado em prática. É importante que isso aconteça agora”, diz.

Projeto remove invasoras da área norte

Já na área onde as invasoras se dispersaram, ao norte do Parque, o IMA realiza desde agosto a remoção em conjunto com projeto Salve Floripa. A iniciativa envolve lideranças comunitárias no corte das invasoras. Em cinco meses, cerca de 1450 pinus foram removidos na região, conforme o projeto.

A iniciativa expira em fevereiro deste ano e o foco é ultrapassar as 1500 invasoras removidas. Com a conclusão, será avaliado o quanto dos 30% do território invadido foi reduzido. O trabalho é importante para cumprir um dos motivos do parque ser protegido: preservar os aquíferos do Rio Vermelho e Ingleses, além da proteção da Restinga.

Ameaça para biodiversidade em Florianópolis

O Parque Estadual do Rio Vermelho é uma das regiões críticas quanto ao avanço das invasoras na Capital. O plantio na década de 60 foi um experimento do professor Henrique Berenhauser para ampliar as áreas verdes e vender madeira na Capital – inovadora na época, a iniciativa se tornou inadequada com o avanço do conhecimento científico.

As áreas acabaram proliferando sementes, que são leves e facilmente carregadas pelo vento. “Os pinus chegaram em áreas onde não deviam estar. Perdemos locais onde devia ter vegetação restinga, um ecossistema muito importante principalmente diante das mudanças climáticas e para a  proteção das áreas costeiras”, explica Dechoum.

Com o tempo foi comprovado que as invasoras se proliferam drasticamente, afastam animais, desequilibram o meio ambiente e impedem que as nativas cresçam. A paisagem acaba sendo tomada apenas pela invasora, o que provoca desde prejuízos ambientais até turísticos, ao remover a beleza natural.

“Hoje temos esse ônus que ficou no nosso município. O parque foi criado como área de experimental: foram trazidas várias espécies para ver ‘o que dava certo'”, explica a Dechoum. “Quando um parque tem só espécie exótica ele deixa de exercer seu papel, que é proteger as nativas”.

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