Estiagem é a mais severa desde 2006 e 45 cidades de SC já decretaram emergência

Os volumes de chuvas em Santa Catarina estão fora da normalidade desde o segundo semestre do ano passado

Uma nota técnica publicada pela SDE (Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável) e pela Sema (Secretaria Executiva de Meio Ambiente) alerta para a necessidade urgente de medidas contra o possível desabastecimento de água na maioria dos municípios catarinenses. A situação já é considerada crítica em pelo menos 20 localidades e uma das estiagens mais severas dos últimos anos no Estado.

Na nota em que declara o prolongamento de escassez hídrica nos cursos d’água do Estado, a SDE afirma que a estiagem irá ocasionar, em grande parte das regiões hidrográficas do Estado, indisponibilidade de água e/ou redução de recursos hídricos.

A secretaria recomenda que as prefeituras adotem medidas de uso racional da água, como a proibição de lavagem de calçadas, resfriamento de telhados e irrigação de jardins “atividades notadamente reconhecidas como promotoras de desperdício de água”.  A SDE também faz recomendação à indústria para que adote sistemas de reuso de água.

Estiagem abrangente

Os volumes de chuvas em Santa Catarina estão fora da normalidade desde o segundo semestre do ano passado e, segundo a Previsão Climática do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri/Ciram), as precipitações deste trimestre (abril a junho) continuarão abaixo do esperado e necessário para melhorar o nível dos rios.

Na semana passada, a Epagri/Ciram chegou a 27 estações em situação de estiagem, o resultado mais crítico desde 2013. O coordenador da Sala de Situação da Epagri/Ciram e ANA (Agência Nacional de Águas), Guilherme Xavier de Miranda Junior, explicou que a diferença dessa estiagem para a ocorrida no ano passado é a abrangência, que alcança quase todo o Estado.

De acordo com o hidrólogo, em algumas regiões catarinenses, a falta de chuva chega a 600 mm. “Esta é uma das estiagem mais severa já registrada em Santa Catarina desde 1978 e outra em 2006. A chuva não está infiltrando e não está contribuindo para o lençol freático. Isso é importante porque é o que mantém os rios. Desde 1978 e 2006 não temos uma situação parecida no estado”, afirmou Miranda Junior.

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Municípios em situação crítica

As chuvas registradas na Grande Florianópolis nesta terça-feira (28) podem ter amenizado o calor, mas não ajudaram a reduzir a gravidade da estiagem que se prolonga na região.

A situação local é preocupante, no entanto, em outras regiões. Em pior condição estão o Meio Oeste, Oeste, Extremo Oeste, Planalto Serrano, Litoral Centro, Litoral Sul e Vale do Itajaí onde a escassez de água é uma realidade.

Até esta terça (28), segundo a SDE, havia 120 municípios em atenção, 27 em alerta e 20 em estado crítico. Destes, 40 municípios já decretaram estado de emergência, inclusive por problema de abastecimento rural.

Um desses municípios é São Miguel do Oeste, que é abastecido pela Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento). De acordo com a estatal, o abastecimento na cidade está sendo feito de forma intercalada entre os bairros durante períodos de até 12 horas.

Na região serrana, o rio Antonina, manancial responsável pelo fornecimento, está praticamente seco e a Casan está utilizando açudes e poços para poder abastecer cidades como São Joaquim.

Dificuldades semelhantes também estão ocorrendo em Barra Velha e São José do Itaperiú, no Litoral Norte, e em Itaiópolis, no Vale do Itajaí, segundo a companhia.

Na Grande Florianópolis, o rio Vargem do Braço está 50% abaixo de seu volume normal para esse período. Esse manancial é um dos principais utilizados pela Casan para abastecer São José, Biguaçu, Santo Amaro da Imperatriz e parte de Florianópolis, que fazem parte do Sistema Integrado de Abastecimento. Para reforçar esse sistema e evitar desabastecimento, a companhia instalou bombas no rio Cubatão.

Na Ilha de Santa Catarina, a Lagoa do Peri teve a captação reduzida em 40% para preservar o manancial e entraram em operação nove poços do Aquífero do Campeche, que estão abastecendo a região.

Geração de energia 50% menor

A estiagem também afeta o funcionamento de UHEs (Usinas Hidrelétricas) e, portanto, a geração de energia elétrica. A Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) conta, em todo o Estado, com 12 PCHs (Pequenas Centrais Elétricas) que há pelo menos seis meses operam muito abaixo da capacidade, segundo informou o diretor de Geração, Transmissão e Novos Negócios da empresa, Pablo Cupani. “De janeiro até agora, estamos gerando 50% a menos do previsto”, apontou Cupani.

No entanto, o diretor ressaltou que não há motivo de preocupação com desabastecimento de energia elétrica porque o Estado faz parte do SIN (Sistema Interligado Nacional) e recebe a energia gerada em outras regiões do País. “A população pode ficar tranquila, pois não há risco de Santa Catarina ficar sem energia”, disse Pablo Cupani.

Comitê acompanhará crise

A criação de um Comitê Gestor da Seca em Santa Catarina recomendada pela Sema já está em andamento. Os convites foram enviados na terça (28) aos órgãos ligados à gestão de recursos hídricos e, provavelmente, seja oficialmente montado até o final desta semana, segundo o secretário-executivo de Meio Ambiente, Leonardo S.B. Porto Ferreira.

O secretário explicou que esse comitê fará reuniões semanais onde os participantes apresentarão as informações de suas respectivas áreas e que embasarão as tomadas de decisões.

“Nós, do governo, vimos como a melhor solução para o momento reunirmos todos os dados possíveis para entender a situação. Isso torna o enfrentamento mais fácil”, disse Ferreira.

Ele salientou que o Estado passa por uma situação de escassez hídrica, mas que não é inédita e que o governo reuniu especialistas que viveram outras crises para ajudar na solução. “É importante a população ter consciência do problema que já ocorreu outras vezes. Não é um problema sem solução e vai passar”, afirmou.

Confira os municípios que decretaram Situação de Emergência e solicitaram homologação ao Estado(*):

  • Abdon Batista
  • Arabutã
  • Arvoredo
  • Atalanta
  • Bandeirante
  • Belmonte
  • Brunópolis
  • Concórdia
  • Cunhataí
  • Entre Rios
  • Fraiburgo
  • Ipira
  • Ipumirim
  • Iraceminha
  • Itá
  • Itapiranga
  • Ituporanga
  • Jaborá
  • Laurentino
  • Mondaí
  • Monte Carlo
  • Nova Itaberaba
  • Ouro
  • Palmitos
  • Passo de Torres
  • Peritiba
  • Petrolândia
  • Presidente Castello Branco
  • Riqueza
  • Saltinho
  • Santa Helena
  • Santa Terezinha do Progresso
  • Santiago do Sul
  • São Carlos
  • São João do Oeste
  • São Miguel da Boa Vista
  • Saudades
  • Seara
  • Tigrinhos
  • Tunápolis
  • Urupema
  • Vargem
  • Vidal Ramos
  • Xavantina
  • Zortéa

*  Dados informados pela Defesa Civil na terça-feira (28)

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