Estiagem: Nível do rio Piraí preocupa, mas ainda não há previsão de rodízio em Joinville

Rio Cubatão está contingenciando períodos nos quais há redução de produção programada no rio Piraí

O mês de junho começou com chuva em Joinville, no Norte do Estado. Apesar de leve, a chuva já dá indícios de melhora em um problema que, apesar de não provocar racionamento, já acendeu o sinal de alerta: a estiagem.

Rio Piraí opera com níveis muito abaixo do esperado para esta época do ano – Foto: Juliano Masselai/NDTVRio Piraí opera com níveis muito abaixo do esperado para esta época do ano – Foto: Juliano Masselai/NDTV

Com um período de seca incomum para esta época do ano, Joinville enfrenta uma baixa no nível de um dos rios que abastecem a cidade, o Piraí. Responsável por levar água às torneiras de 35% dos bairros, o rio está sofrendo com a estiagem. “O nível do Cubatão está tranquilo porque ele é mais perene. Já o Piraí vem sofrendo com a estiagem porque já é sensível”, explica Jean Tragibo, gerente de água da Companhia Águas de Joinville.

Ele explica que a Companhia já opera dentro do limite no Piraí e, se a situação não se alterar, será necessário pensar em rodízio no futuro, mas ressalta que, neste momento, está sendo realizado um plano para que o rio Cubatão possa dar suporte ao Piraí. “Hoje há uma redução de produção do Piraí em horários específicos do dia. Nestes momentos, fazemos a ligação com o Cubatão para fazer o contingenciamento. Até agora, não há previsão de rodízio ou racionamento. Hoje não trabalhamos com essas hipóteses”, salienta.

Tragibo conta ainda que, até a primeira quinzena de maio, os dois rios operavam sem alteração e, na segunda metade do mês, a cidade entrou na fase de alerta devido à falta de chuvas.

O gerente diz ainda que esta estiagem não é comum para esta época do ano. Segundo ele, o histórico de chuvas aponta que esse período de estiagem ocorre, normalmente, no final de julho e a antecipação preocupa pelo tempo que ela pode durar. “Temos feito muito contato com a Epagri e Defesa Civil para monitorar essas previsões”, diz.

Rio Piraí é responsável pelo abastecimento de 35% da cidade – Foto: Juliano Masselai/NDTVRio Piraí é responsável pelo abastecimento de 35% da cidade – Foto: Juliano Masselai/NDTV

A chuva desta segunda-feira, no entanto, pode dar um “respiro”, afirma Tragibo. Ele explica que, mesmo que a chuva não seja intensa, ela pode auxiliar a perenidade do rio devido às características da vegetação que permeia o rio.

“A vegetação que temos no manancial do Piraí opera como se fosse uma grande esponja. Se essa chuva durar a semana inteira, vai encharcar a vegetação e, aos poucos, devolver para o rio, mantendo a perenidade. Se essa chuvinha se manter por três dias, já dá um respiro de uns 15 dias”, explica.

“Redução de chuvas foi muito anormal neste outono”, diz meteorologista

O outono costuma ser um período mais seco, explica o meteorologista Paulo Ivo Koentopp. Porém, a redução de chuvas neste ano é considerada anormal, afirma. “Nós temos como regime climático da nossa região o outono com períodos de seca, com a quantidade de chuvas diminuindo substancialmente. Entretanto, este outono foi muito anormal. Houve uma redução para além das expectativas em relação ao regime de chuvas”, ressalta.

Ele explica que, embora ainda seja muito precoce para traçar alguma explicação para o fenômeno, o que se sabe é que as chuvas se deslocaram para o Norte do país. “Provavelmente isso tenha acontecido porque nós temos a zona de convergência intertropical, que é o ponto de encontro entre as massas frias e quentes. Este ponto de contato geralmente circula pelo Sudeste e pelo Sul, mas agora subiu e está muito ao Norte, onde tem acontecido um volume de chuvas desproporcional para a época do ano”, diz.

Famosa cascata Piraí também mostra a redução do nível devido à estiagem – Foto: Juliano Masselai/NDTVFamosa cascata Piraí também mostra a redução do nível devido à estiagem – Foto: Juliano Masselai/NDTV

Apesar disso, os motivos que levaram a zona de convergência intertropical a se deslocar dessa maneira, ainda são desconhecidos.

Para o meteorologista, as mudanças climáticas globais podem ter papel fundamental nessa alteração. “Elas estão modificando o comportamento geral do clima, mas é muito difícil fazer uma leitura científica de qual vai ser o resultado disso tudo”, avalia.

Embora ainda não se possa traçar com precisão os motivos para as mudanças que afetam os níveis dos rios de Joinville, Koentopp dá uma indicação de que os próximos dias podem, realmente, dar um “respiro”. Segundo ele, a previsão é de que a chuva, apesar de leve, permaneça nos próximos três dias.

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