Estiagem reduz captação da Lagoa do Peri em 40%; 10 poços mantêm abastecimento

Dez poços artesianos do Aquífero do Campeche, que são utilizados, normalmente, durante a alta temporada estão em operação neste período

A intermitência de chuvas transformou a paisagem na Lagoa do Peri. Sem chuvas significativas há quase dois meses, o manancial responsável pelo abastecimento de bairros do Sul e Leste da Ilha de Santa Catarina teve a captação reduzida em cerca de 40%.

Para que a lagoa não seja ainda mais afetada pela seca e para manter o abastecimento de água, a Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) está utilizando poços.

Estiagem na Lagoa do Peri impacta na captação de água da Casan – Foto: Anderson Coelho/ND

De acordo com o diretor de Operação e Expansão da Casan, engenheiro Fábio Krieger, estão em operação 10 poços artesianos do Aquífero do Campeche, que são utilizados, normalmente, durante a alta temporada.

Apesar da situação crítica da Lagoa do Peri, Krieger afirma que não há, ainda, risco de desabastecimento. Isto porque o sistema é integrado e é possível fazer manobras com outras estações para manter o abastecimento.

Outras ações de preservação da lagoa foram adotadas pela Casan. Entre elas está o aumento na frequência de análises da quantidade de cloreto dos poços piezométricos (pontos de observação) para medir o nível freático e afastar qualquer hipótese de salinização.

A partir de maio a Casan deve iniciar a operação de sistema de flotação na estação de tratamento. Esse sistema pode reduzir efeitos comuns na estiagem, como o aumento de sedimentos ou surgimento de algas.

Pilões abaixo do nível

Os outros mananciais da Grande Florianópolis que também sofrem com a estiagem são os rios Vargem do Braço e Cubatão do Sul. No entanto, em pior situação está o Vargem, também chamado de Pilões, cujo nível está 50% abaixo do normal para esse período.

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Não há, segundo a Casan, nenhum problema de desabastecimento nos municípios da região, mas a companhia pede que a população colabore e faça o uso consciente da água.

Na Serra

A pior situação de estiagem nos municípios atendidos pela Casan ocorre na Serra, afirma o diretor da Casan. Em São Joaquim não há mais alternativa de manancial, o rio está praticamente seco. Para abastecer a cidade, a Casan está fazendo transposição de água de açude e poços artesianos.

Situação crítica

Na sexta-feira, a gerente de fiscalização da Aresc (Agência de Regulação de Serviços Públicos de SC), Luiza Borges Burgardt, disse que os acumulados de precipitação previstos na segunda quinzena de abril não devem ser suficientes para amenizar de forma significativa a situação de estiagem nas áreas mais críticas do Estado.

A condição foi intensificada pelo predomínio de sol e tempo seco nessa primeira quinzena. Além de São Joaquim, que já estava em situação crítica de abastecimento, entram também agora nessa condição Papanduva, Paulo Lopes, e Rio do Oeste.

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