Exclusivo: análises confirmam contaminação em amostras coletadas na Lagoa da Conceição

Resultado laboratorial coloca em xeque a eficiência do tratamento da ETE da Lagoa, por se tratar de efluente tratado, como garantiu a Casan

Contratada pelo Grupo ND, a análise laboratorial de amostras coletadas na Lagoa da Conceição na segunda-feira (25) confirmou alteração da qualidade da água, com alto teor de matéria orgânica e outros compostos químicos.

O exame coloca em xeque a eficiência da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) da Lagoa da Conceição e coincide com o relatório de fiscalização da Aresc de junho de 2020, que apontou a baixa eficiência de remoção de fósforo no tratamento executado na ETE.

Situação da Avenida das Rendeiras no início da manhã da segunda (25) – Foto: Divulgação/CBMSC/NDSituação da Avenida das Rendeiras no início da manhã da segunda (25) – Foto: Divulgação/CBMSC/ND

De acordo com a química Ana Böhm, do laboratório Aquavita, “todos os parâmetros ficaram fora do que a legislação permite”.  A química explica que atualmente existem duas legislações vigentes para efluentes (Resolução do Conama nº 357/2005 e a Lei Estadual 14.675/2005), que determinam porcentagens para estabelecer a eficiência do tratamento de uma carga orgânica muito alta.

“O que aconteceu é que aquela água coletada está diluída, mas deu contaminado. A Lagoa da Conceição não está preparada para receber isso, pois não tem um fluxo de água corrente e vai demorar para voltar ao normal. Não há como estimar um prazo, pois foi uma carga orgânica muito forte”, ressalta.

As análises também apontaram que se trata de efluente tratado, como afirmou a Casan em comunicado, porém, é possível constatar a contaminação por esgoto doméstico e sanitários, com altos níveis de nitratos, fósforo, nitrito e nitrogênio amoniacal.

Realmente, o que caiu (na Lagoa) não é efluente bruto. Houve um tratamento nesse efluente, o problema é que, mesmo estando tratado, tem um alto teor de matéria orgânica e outros compostos químicos. Eles não estão conseguindo dar conta do tratamento devido na estação e acaba vindo coisas que não eram para estar vindo”, explica.

Mas Böhm ressalta que efluente tratado não significa dizer que a água está 100% limpa. “Efluente tratado é uma água que está contaminada. Eu só não digo que é efluente bruto porque a carga orgânica não estava tão alta”, esclarece.

A química destaca ainda que uma das amostras foi coletada em um ponto bem distante da enxurrada para efeito de comparação, e não acusou contaminação. No local, inclusive há um placa do IMA indicando a propriedade para banho.

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