Falar em ciclone é exagero, diz engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho

Previsão da Epagri indica ventos de 70 a 80Km/h; há consenso de que o fenômeno seja menos intenso que o "bomba", mas, Coutinho discorda da utilização do termo, embora admita que haverá um ciclone

Após os alertas de um novo ciclone para esta terça-feira (7) em Santa Catarina, uma semana depois do ciclone bomba que deixou grandes estragos em Santa Catarina no dia 30 de junho, o engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho classificou os alertas e notícias como “exagero” e defende que não se deve utilizar o termo ciclone para descrever o fenômeno.

Registro do temporal ocorrido no dia 30 de junho em Florianópolis – Foto: Juliano Zanotelli/Divulgação/ND

Para ele, embora o fenômeno seja de fato um ciclone, usar o termo criaria uma falsa sensação de perigo. “Esse é mais um daqueles ciclones normais. Para não provocar medo na população não falamos a palavra ‘ciclone’. Isso vai criar na mente da população algo totalmente distorcido”, diz.

As estimativas do meteorologista Marcelo Martins, da Epagri/Ciram, são de que os ventos mais fortes devem atingir entre 70 e 80km/h. O ciclone deve ter início ainda na madrugada da terça, no Oeste do Estado, e ser registrado ainda durante a manhã nas regiões do Meio-Oeste e do Litoral Sul catarinense.

Para Coutinho, a intensidade será maior na Serra e no Litoral Sul, com estimativa de 60 a 90km/h, “em locais que normalmente passariam dos 120km/h”. Para o engenheiro agrônomo, esses avisos não são de grande utilidade, uma vez que não são um ponto fora da curva.

“Falamos em frente fria em baixa pressão, em frente ao Litoral, que depois vai para o mar aberto. O que importa agora não é a tecnicidade, mas, sim se colocar no lugar da população, que acaba de sofrer um trauma violento com a palavra ‘ciclone'”, acrescenta Coutinho.

A Defesa Civil, por meio de avisos meteorológicos, confirma a possibilidade de temporais isolados, e recomenda que a população mantenha-se longe árvores, postes, placas e afins, em abrigo, com aparelhos desligados e longe da praia e região costeira.

Diferenças nos fenômenos

A previsão da Epagri/Ciram é que até o fim de terça-feira (7) tenhamos chuva, moderada e risco de temporais localizados com raios, rajadas de vento forte e granizo. A entidade confirma a formação de um novo ciclone extratropical perto do Litoral gaúcho, ressaltando que o mesmo “não é intenso como o da última semana”.

A previsão é de vento de sudeste a norte, com rajadas persistentes de 50 a 70km/h, na terça-feira (7). Na quarta-feira (8), vento de noroeste a sudoeste (NW/SW), com rajadas de 60 a 80 km/h no Planalto Sul e Litoral.

Essa formação, segundo Coutinho, deve influenciar também nos impactos. Para o meteorologista enquanto o ciclone bomba teve maior intensificação pelo Estado, este, do dia 7, deve ganhar força quando estiver longe do território continental, no mar.

“99% dos ciclones se formam no continente e vai pro mar, se intensifica e vai embora. O outro [ciclone bomba] deu problema por que teve sua intensificação praticamente ‘em cima da gente’. O que provocou toda essa destruição não foi o ciclone, foi a frente fria que ele formou”, explica.

Em vídeo, Piter Scheuer, que trabalhar com Coutinho, atesta que na terça-feira (7) serão temporais moderados, com riscos de granizos e tempestades, mas sem comparação com o que ocorreu durante o ciclone bomba.

“Pancadas com risco de temporal, mas aqueles que a gente já está acostumado; pancada com trovoada, algum granizo, alguma ventania. Aqui e ali algum transtorno muito pontual, mas no geral uma situação tranquila. Não vejo sustentação para haver tempestades severas como tivemos na terça-feira”.

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