Ingleses continua com ponto impróprio para banho na foz do Rio Capivari

Mesmo na baixa temporada, água do mar está contaminada com sujeira e dejetos provenientes de ligações clandestinas de esgoto

Rio Capivari deságua na praia dos Ingleses. Foto Anderson CoelhoRio Capivari deságua na praia dos Ingleses. Foto Anderson Coelho

A alta temporada já acabou e apesar de milhares de turistas que triplicam a população do bairro Ingleses terem ido embora, o Rio Capivari continua a poluir o mar, no Norte da Ilha.  A Casan anuncia investimentos, a prefeitura intensifica a fiscalização para coibir ligações clandestinas de esgoto, mas a situação parece ser irreversível a medida que o bairro continua crescendo de forma desordenada.

Há 30 anos, o presidente da Associação dos Moradores dos Ingleses, Ciro Limas, tomava banho no Rio Capivari. Ele não esconde a tristeza de ver o local poluído. “Tive a oportunidade de acampar aqui próximo e à noite tomávamos banho no rio antes de dormir. Não tinha essa poluição. Quando a gente sente esse cheiro e vê o estado do rio, é triste”, lamenta.

Quem passa próximo da ponte sobre o Rio Capivari na rua das Gaivotas logo percebe o cheiro desagradável. Na beira da praia, não é diferente. Ao olhar de perto, é possível enxergar a contaminação da água diante da sujeira e da coloração dos dejetos despejados.

A situação da foz é diferente da nascente que fica distante alguns quilômetros. “Você chora de alegria e de tristeza ao chegar na nascente, pois é uma água cristalina, límpida, com peixes, é algo que você pode colocar nas mãos e beber.  Mas depois, ao se deparar com água da foz, totalmente poluída, é muito triste”, declara o jornalista Gerson Rumayor.

De acordo com os moradores, a poluição do rio aumenta a medida que a alta temporada avança, com a presença de milhares de turistas.  O fato é comprovado pelos relatórios de balneabilidade emitidos semanalmente pelo IMA (Instituto do Meio Ambiente). O último relatório que apontou o ponto como próprio para banho foi emitido em dezembro, antes do início da alta temporada.

Depois disso, todos os relatórios de balneabilidade apontaram que a água coletada no local está contaminada por coliformes fecais e imprópria para banho.  Os últimos relatórios feitos em março não apresentaram melhora das condições da água em frente à foz do Rio Capivari. “Os resultados que temos aqui são todos de impropriedade, mas provavelmente com mais duas coletas, que agora tem frequência mensal, o ponto poderá ficar próprio para banho, mas tudo vai depender de chuva, incidência de ocupação, e de uma série de fatores”, relata o gerente de medições do IMA, Marlon Daniel da Silva.

O IMA não faz análise da água do rio Capivari, mas só de olhar o local, o especialista confirma as péssimas condições. “Nós não monitoramos o rio e sim, um ponto no mar para balneabilidade, ou seja, para banho. Mas esse rio nós não consideramos balneável. Deve ser evitado a todo custo, pelo odor, pela visualização da água já se percebe uma contaminação”, constata Silva.

A situação do local chamou atenção do Ministério Público, nas esferas estadual e federal. O objetivo é encontrar os culpados, punir e cobrar soluções que ajudem a salvar o rio.  “A gente precisa encontrar onde está a irresponsabilidade. Em algum momento do processo há alguma irresponsabilidade, alguém deixou de fazer o que deveria ser feito. Se a gente não tiver uma punição que seja implacável, não vai valer a pena fazer qualquer coisa”, declara o diretor de relacionamento da ACIF (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis), Eduardo Fernandes.

O crescimento desordenado do bairro é o ponto que preocupa. As ligações clandestinas de esgoto têm sido apontadas como as culpadas de todo o processo contínuo de poluição do rio. “Hoje, para resolver a situação dos Ingleses, é necessário parar com todas as construções e ra resolver os problemas que já temos, de construções que são irregulares”, argumenta Rumayor.

Em nota, a Casan informou que a região está recebendo R$ 84 milhões em investimentos que podem contribuir para a melhora das condições do rio. Já a Prefeitura de Florianópolis busca encontrar as ligações clandestinas com a fiscalização e cobrar providências dos responsáveis. Para os próximos dias, uma limpeza deve acontecer no local.  “Com a limpeza, vamos ter uma certeza com maior eficácia das ligações clandestinas e daí vamos lacrar e multar as pessoas”, explica o secretário municipal de Infraestrutura, Valter Gallina.

+

Meio Ambiente