IMA e UFSC divergem sobre balneabilidade da Lagoa da Conceição após desastre

De acordo com os relatórios de balneabilidade do IMA, local está próprio para banho desde o dia 2 de fevereiro; oceanógrafos da UFSC pedem mais detalhamentos

A balneabilidade da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, tem sido tema de debate entre o IMA (Instituto do Meio-Ambiente) e profissionais da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), depois do desastre ambiental que ocorreu no fim de janeiro.

Desde o dia 2 de fevereiro, uma semana após o rompimento da lagoa artificial da Casan no local, o ponto está próprio para banho, de acordo com o IMA.

Pesquisadores do departamento de oceanografia da UFSC emitiram uma nota técnica que contesta alguns métodos utilizados e sugere melhorias.

Lagoa da Conceição ficou inundada após rompimento, no dia 25 de janeiro – Foto: Divulgação/CBMSC/NDLagoa da Conceição ficou inundada após rompimento, no dia 25 de janeiro – Foto: Divulgação/CBMSC/ND

O ponto 61 da Lagoa da Conceição, localizado na Avenida das Rendeiras, local mais próximo da área atingida pelo rompimento, ficou impróprio para banho no relatório do dia 26 de janeiro, um dia após o ocorrido.

Já nas duas semanas seguintes, dias 2 e 9 de fevereiro, o ponto voltou a ficar próprio. De acordo com o professor Paulo Horta, responsável pelo Lafic (Laboratório de Ficologia) da UFSC, deve haver um detalhamento maior nas análises.

“O mais importante no momento é que devemos utilizar da precaução. Eventos extremos estarão mais frequentes e intensos, expondo nossas vulnerabilidades no saneamento. Devemos buscar formas de deixarmos nosso sistema de análise mais moderno e atento às demandas destes momentos excepcionais”, diz.

Segundo ele, durante uma análise feita nos dias 25 e 26 de janeiro, logo após o desastre ambiental, os pesquisadores apresentaram ferimentos na pele causados pela água.

“Apresentei pequenas feridas na perna local onde a roupa alagou, e uma colega outros ferimentos no olho. Estávamos com EPI (Equipamento de Proteção Individual), mas estes não foram suficientes”.

Por este motivo, os profissionais pedem mais solicitam mais cautela e melhorias nos procedimentos e métodos de análise do IMA.

“Os riscos existem, muitos patógenos são mais resistentes que a bactéria utilizada pelo IMA. Poderíamos estar utilizando as termotolerantes indicadas para ambientes de água salgada ou salobra”, conclui Paulo Horta.

Análises são diferentes, segundo o IMA

Por meio da assessoria de comunicação, o IMA esclareceu que as análises realizadas pelo instituto possuem métodos diferentes daqueles utilizados pela UFSC.

Ainda de acordo comunicação do órgão, a forma como os pesquisadores da UFSC se manifestaram não foi satisfatória. Ainda assim, as sugestões citadas pela nota técnica dos pesquisadores serão analisadas pelo órgão.

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