Imprópria para banho e pesca, a Lagoa da Conceição enfrenta a maré marrom

A causa é a superpopulação de uma alga microscópica que produz substâncias tóxicas. Por isso, está imprópria para o contato primário (banho, atividades e pesca)

Depois da maré vermelha, que já inviabilizou temporariamente o cultivo e consumo de ostras e mariscos, chegou a vez de Santa Catarina e, particularmente, a Lagoa da Conceição, enfrentar a maré marrom. A causa é a superpopulação de Fibrocapsa Japonica, uma alga microscópica que produz substâncias tóxicas.

Por isso, desde quarta-feira, a Lagoa da Conceição foi considerada imprópria para o contato primário (banho, atividade de lazer e esportivas, além da captura e consumo de peixes) pelos órgãos ambientais municipal e estadual.

Lagoa da Conceição enfrenta a maré marrom – Foto: Leo Munhoz/NDLagoa da Conceição enfrenta a maré marrom – Foto: Leo Munhoz/ND

A justificativa não foi feita no comunicado emitido em conjunto pelo IMA e pela Floram. O órgão ambiental municipal ainda não divulgou laudo de análise das coletas feitas em 23 de fevereiro.

A explicação está na nota técnica emitida pelos pesquisadores do projeto Ecoando Sustentabilidade ainda no dia 25 de fevereiro, dois dias após a constatação da mortandade de peixes feita junto com os técnicos da Floram.

Os pesquisadores da UFSC coletaram amostras de 15 pontos da porção norte da Lagoa da Conceição, onde a mortandade de peixes e o mau cheiro na água foram denunciados por moradores, em áudios e vídeos distribuídos por grupos de mensagem.

De acordo com a nota técnica, é a primeira vez que a maré marrom é registrada no Estado, e poderá se intensificar se não for controlada, conforme já se verificou em outros locais.

As condições adequadas de salinidade e oceanográficas no período, combinadas com a elevada carga de nutrientes e a estagnação das águas na região, desencadearam o aparecimento da microalga.

“O problema é que essa alga produz toxinas e um muco, um material grudento, que pode congestionar as brânquias dos peixes, causando mortalidade. Eventualmente pode ser nocivo ao ser humano e trazer problemas neurológicos, pois produz neurotoxinas” afirma o pesquisador Leonardo Rorig.

De acordo com o oceanógrafo e também pesquisador Paulo Horta, algumas soluções naturais são bem-vindas, como o cultivo de algas manejáveis, que ajudariam a manter baixos os níveis de nitrogênio e fósforo, e a restauração de bancos de gramas marinhas (marismas), que ainda existem em algumas partes da Lagoa.

“Tudo deve ajudar a manter o sistema mais equilibrado. Agora é fundamental e urgente que a gente venha fortalecer o sistema de saneamento básico, produzindo um maior polimento no processo de tratamento de esgoto. O esgoto precisa sair muito melhor do que tem saído no que se refere a nitrogênio e fósforo”, salienta Horta, elegendo os elementos químicos como principal alvo das ações de remediação da Lagoa.

Horta compara a situação crítica da Lagoa da Conceição a uma bandeja que estava cheia, quando houve o rompimento da lagoa artificial da ETE da Casan na Lagoa da Conceição, episódio que lançou uma elevada carga de efluentes tratados – estima-se em cinco milhões de litros – no último dia 25 de janeiro.

Depois disso, até as condições oceanográficas, que interferem na entrada de água pelo canal da Barra da Lagoa, e o calor das primeiras semanas de fevereiro, atuaram para o desenvolvimento do processo de eutrofização (aumento da carga de nutrientes na água) já alertado na primeira nota técnica emitida pelos pesquisadores do projeto Ecoando Sustentabilidade.

“Ela enfrentou uma tempestade perfeita, com todas as variáveis e uma retroalimenta a outra. Por isso é difícil dizer o que matou o peixe”, completa Horta.

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