‘Jardim bonito’ alerta para possível poluição severa de rio em Florianópolis

Proliferação de macrófitas são sintomas da eutrofização do rio; Floram planeja novas ações para remoção da vegetação

Uma paisagem verde e que lembra um lindo jardim toma conta do Rio do Brás, em Florianópolis. Mas as aparências enganam. Localizado próximo à praia de Canasvieiras, no Norte da Ilha de Santa Catarina, o rio está eutrofizado – e as plantas só crescem em águas poluías.

Poluição do Rio Do Brás, em FlorianópolisRio do Brás, no Norte da Ilha de Santa Catarina – Foto: NDTV/Divulgação

O rio está tomado por macrófitas, plantas aquáticas que crescem em áreas poluídas. Elas estão presentes ao longo do curso do rio e tornam até difícil perceber que ele existe no local. O cenário, que lembra um jardim a céu aberto, na verdade contribuí para o Brás morrer.

“O que vemos hoje no Rio do Brás, esse jardim bonito e verde, não significa saúde do rio. Muito pelo contrário. Significa que ele não está bem, não está saudável e está pedindo ajuda”, ressalta a oceanógrafa Andreoara Schmidt.

Os traços da poluição são denunciados pela presença de pratos de isopor, garrafas plásticas e manchas que parecem óleo.

Eutrofização

As grandes quantidades de esgoto ou matéria orgânica que são lançadas nos rios são acompanhadas de substâncias como fósforo e nitrogênio. Elas estimulam uma alta produção de macrófitas  – cenário esse enfrentado pelo Brás, segundo Schmidt.

O processo ocorre também quando os rios não conseguem mais fazer a limpeza dessas substâncias. A consequência é que as plantas dificultam a incidência de luz solar e a oxigenação nos cursos d’águas, o que provoca a mortandade dos peixes.

“Antes víamos robalo, bagre. Isso aqui era um criadouro de peixes mas eles estão morrendo. E é uma pena, isso aqui era um pedaço de rio lindo e olha hoje o que virou: areia e vegetação”, desabafa o pescador Augusto Klingelfus.

URA e elevatória

O rio conta com uma URA (Unidade de Recuperação Ambiental), responsável pela coleta e tratamento direto da água do Rio do Brás. Também há uma elevatória. Ambas estruturas foram instaladas pela Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento).

Apesar disso, moradores acusam problemas de inundação e esgoto. “Qualquer chuvinha alaga tudo, inunda as ruas e as coisas sujas do rio entram pela tubulação de esgoto. É muito complicado. Todas as coisas que fizeram até agora foi para piorar a situação”, afirma o morador Itacir Ambrosi.

Segundo José Luiz Sardá, geógrafo e administrador do grupo SOS Rio do Brás, “a URA que foi instalada era para funcionar diariamente. Depois que a prefeitura fechou a Foz do Rio do Brás, em 2018, foi desativada e o problema se agravou”.

Procurada pela NDTV, a Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) informou que a elevatória e a URA estão em pleno funcionamento. A Floram afirma que não há registro de notificação do município com relação a problemas nesses equipamentos.

Nova remoção e planos futuros

Para tentar contornar o problema da eutrofização, a Floram (Fundação do Meio Ambiente) realizou no último mês de junho a remoção de 265 toneladas de vegetação do rio. Uma nova atividade é programada pela Fundação e deve ser realizada no próximo mês. O órgão afirma que há também um projeto de revitalização em fase de estudos.

“Incluí a retirada a matéria orgânica, limpeza e revitalização das margens. A gente tem cogitado um parque linear, algo que englobe convício da população, o pertencimento, a fruição e a preservação das margens do Rio do Brás. Mas é algo inicial”, afirma Beatriz Kowalski, superintendente da Floram.

Schmidt destaca ações que devem ser adotadas para preservar a saúde do rio. Elas devem englobar “toda a gestão da bacia hídrica da região: mata ciliar, situação das nascentes, monitoramento da qualidade da água, pois há uma estação de tratamento de água muito próximo. São ações que devem ser feitas para melhorar a qualidade do Rio do Brás, principalmente em sua desembocadura”.

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