Lagoa da Conceição está à beira de nova catástrofe ambiental

Após chuvas da última semana, lagoa artificial da Casan corre risco de novo rompimento; Prefeitura critica atuação da Casan no local

O nível de água da lagoa artificial da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) na Lagoa da Conceição chegou a um estado crítico depois das chuvas ocorridas na semana passada em Florianópolis.

Segundo a Defesa Civil municipal, o limite do reservatório é de 10 metros e até esta quarta-feira (16), estava em 9,57 metros.

Lagoa artificial da Casan está a meio metro do limite total – Foto: Divulgação/ Alexandre Vieira/Defesa CivilLagoa artificial da Casan está a meio metro do limite total – Foto: Divulgação/ Alexandre Vieira/Defesa Civil

Para o órgão, a situação é de vulnerabilidade e com risco de um novo rompimento como ocorreu em janeiro deste ano, que danificou 35 casas e atingiu 66 pessoas, o maior desastre ambiental da história da Capital.

“O que a gente encontrou aqui foi um sinal de vulnerabilidade. Nós temos um limite de 10 metros de nível, e esse nível chegou a 9,75 metros, com as chuvas na semana passada, hoje está em 9,57 metros. Isso demonstra que devemos ter preocupação”, disse Marcos Roberto Leal, agente técnico da Defesa Civil de Florianópolis, durante uma inspeção realizada no início da tarde desta quarta-feira (16), junto com a Secretaria de Meio Ambiente e Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis).

Diante do preocupante quadro, a Defesa Civil e a Floram produzirão um relatório demonstrando a situação vulnerável da lagoa artificial para ser agilizada uma intervenção estrutural e conter um novo rompimento. A preocupação dos órgãos de fiscalização da prefeitura é com a previsão de fortes chuvas para o próximo fim de semana em Florianópolis.

A apreensão é que caso se repita o volume de chuva registrado na semana passada na Capital com 56 mm em seis horas e 145 mm em quatro dias, isso eleve o nível da lagoa e, consequentemente, cause um novo desastre.

Casan está realizando obra emergencial após infiltração na barreira de contenção – Foto: Leo Munhoz/NDCasan está realizando obra emergencial após infiltração na barreira de contenção – Foto: Leo Munhoz/ND

“O monitoramento será constante. A Defesa Civil está atenta para evitar que haja um extravasamento, e se ocorrer o risco iminente, nosso papel é orientar a comunidade para que não seja pega de surpresa. Somado a isso, a intervenção adequada ao local, se não foi feita até agora, a partir de agora estamos reconhecendo que tem ser feito, não tem mais que deixar para depois”, declarou.

Na tarde de ontem, uma empresa contratada pela Casan realizava a colocação de reforço no talude (barreira de contenção feita de areia), uma sugestão da Floram que detectou infiltrações em vistoria ocorrida na semana passada.

“Identificamos esse problema e pedimos que fizessem essa intervenção até que o talude definitivo seja construído”, explicou Ademar Alfonso Mombach, geólogo da Floram. Ele informou que o órgão ainda não recebeu o projeto final da Casan referente às intervenções na lagoa artificial.

Intervenção municipal

O secretário de Meio Ambiente de Florianópolis, Fábio Braga, acompanhou a inspeção e fez duras críticas à atuação da Casan no local. Ele não descartou a possibilidade da prefeitura assumir os trabalhos na lagoa artificial, porém cobraria os custos à companhia de saneamento.

“Estamos acompanhando, diariamente, a evolução desse local. Diagnosticamos que as informações prestadas pela Casan à prefeitura de Florianópolis, não correspondem em nada à realidade vista aqui”, reclamou.

Há uma preocupação dos órgãos municipais quanto a um novo rompimento – Foto: Leo Munhoz/NDHá uma preocupação dos órgãos municipais quanto a um novo rompimento – Foto: Leo Munhoz/ND

Segundo Braga, a empresa teria informado logo após as obras de contenção no local que durante 30 meses não haveria comprometimento da segurança, ou seja, a possibilidade de um novo extravasamento, no entanto em reunião ocorrida na última terça-feira (15), o prazo teria reduzido, drasticamente, para apenas três meses.

“E hoje os técnicos da Floram e Defesa Civil observaram que com os riscos de chuva no próximo final de semana pode haver um rompimento. Há uma negligência da Casan na prestação de informação, há uma negligência nas ações de infraestrutura”, protestou.

Segundo o secretário de Meio Ambiente, a prefeitura considera adotar atitudes administrativas ou judiciais, ou até mesmo uma intervenção no local, para que assuma os trabalhos não realizados pela Casan.

“Claramente tinha que ser feita uma obra de infraestrutura de verdade no lago artificial, repensado a questão dessa lagoa, retirada dos sedimentos dos fundos. Deveria ter sido feita uma contenção de verdade. Começar a desassorear o fundo dessa lagoa e nada foi feito”, explicou ele, ao lembrar que uma das alternativas para o local é a construção de uma terceira lagoa para bombear os resíduos do atual reservatório.

Casan

Durante a inspeção dos órgãos municipais, funcionários da Casan estiveram no local, mas preferiram não se pronunciar. Procurada pelo Grupo ND, a assessoria da empresa não deu retorno até o fechamento dessa reportagem. O espaço está aberto.

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