Madeira reciclada em Palhoça alimenta fornos industriais em Santa Catarina

Sobras da construção civil antes destinadas aos lixões e aterros sanitários, há quatro anos é reutilizado em tinturarias, cerâmicas e malhar

Marcelo Bittencourt

Transformar lixo em lucro e ainda preservar o meio ambiente. Esta foi a ideia de um empresário de Palhoça que há quatro anos recolhe sobras de madeira descartadas na construção civil. Após um processo de seleção o material é picado e vendido para indústrias que reutilizam o produto em seus fornos. Deste modo, Leandro Schmitt, abastece tinturarias, malharias e indústrias cerâmicas com 30 toneladas de madeira que iriam para aterros sanitários.

Foi através de um programa de TV que Moacir Schmitt, 52, pai de Leandro, teve a ideia de implantar na região da Grande Florianópolis uma usina para triturar madeira. O cavaco seco, como é conhecido o produto, tem uma taxa de umidade de apenas 20%, enquanto a madeira de casqueiro – a sobra das madeireiras -, acumula um índice de 40% de umidade, em média.

“A temperatura dos fornos permanece estável porque o material está bem seco”, garante Leandro. O empresário afirma que mensalmente mais de 10.000 m³, (3 milhões de toneladas) de resíduos são fragmentados na empresa, instalada no bairro Alto Aririú.

Ao chegar ao galpão o material é selecionado e passa e por uma esteira onde todos os pregos são recolhidos por um eletro imã. “Este material vai para reciclagem também. Por semana recolhemos cerca de seis toneladas de pregos”, relata. Leandro afirma possuir licença ambiental para a atividade e lamenta a falta de apoio político nas questões ambientais.  “Caso não fosse reutilizada toda esta madeira iria para aterros ou seria queimada de qualquer jeito”, alerta.

Mais conscientização 

Leandro Schmitt lembra que a maior dificuldade encontrada no setor está em conscientizar os proprietários das pequenas indústrias, que ainda usam lenha para combustão, sobre a importância de preservar o meio ambiente. “Um metro cúbico de lenha custa R$ 70, enquanto a mesma quantidade de cavaco custa R$ 25”, compara. O problema está na adaptação para uso do cavaco. Ele diz que uma peneira, um exaustor e uma esteira seriam os investimentos necessários para a utilização do resíduo ao invés de lenha. E que, em menos de um ano o retorno seria garantido.

Schmitt recorda que no início de 2011 seu depósito estava vazio. A situação que mudou drasticamente devido à queda do dólar. “O algodão está muito caro. Por essa razão as indústrias de tecido desaceleraram a produção em Santa Catarina e agora minha mercadoria sobra”, lamenta.

Diante dos desafios de lidar com reciclagem ele acredita que com o tempo a situação melhorará. “O destino correto para cada resíduo é uma necessidade e não uma moda”, alerta. 

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Meio Ambiente