Mistério em Joinville: o jacaré Fritz morreu ou é este do vídeo?

Portal ND+ conversou com biólogo, que entende tudo sobre répteis e outros animais; veja o que ele falou sobre o Fritz e outros jacarés

Na semana do aniversário de Joinville, o Portal ND+ foi atrás de um dos “personagens” mais recentes da cidade: o jacaré Fritz, ou simplesmente Fritz, como foi carinhosamente batizado pela população.

Fritz no rio cachoeira Será o Fritz? o Jaca? ou Lacoste?  Foto: Carolina Testoni/Arquivo Pessoal/ND

Em busca de novidades do famoso habitante do rio Cachoeira, a reportagem conversou com o biólogo Sydnei Ferreira Guimarães Diniz. Sydnei está à frente do Zoobotânico há quase oito anos. 

O biólogo lembra do corpo de um jacaré encontrado em um braço de rio Cachoeira no bairro Santo Antônio em 2015. À época, muitos pensaram se tratar do Fritz. Como era um macho, media cerca de 2,5 metros, todas as características levaram a crer que poderia mesmo ser o Fritz. A notícia repercutiu na cidade. No entanto, diz o biólogo, o Fritz não tinha nenhuma marcação, nenhuma identificação, então, não é possível afirmar com certeza que o corpo era dele.

Corpo de um jacaré foi encontrado boiando em maio de 2015 em um braço do rio Cachoeira – Foto: Reprodução vídeoCorpo de um jacaré foi encontrado boiando em maio de 2015 em um braço do rio Cachoeira – Foto: Reprodução vídeo

Inclusive, três dias após a morte do jacaré, outro animal com as mesmas características do Fritz foi visto pela população no rio Cachoeira. Recebeu o nome de Jaca. Um terceiro foi avistado, este menor, e logo foi batizado de Lacoste.

Ou seja, o mistério continua.

“Como o Fritz não tinha identificação, colar, marcação no corpo, não é possível ter certeza que foi ele que morreu, até porque o Jaca tinha (ou tem) mais ou menos o mesmo tamanho”, explica o especialista, lembrando que ele mesmo avistou um jacaré passeando no Cachoeira há cerca de três anos.

Ultimamente, os jacarés não têm sido mais vistos e fotografados. Perguntado sobre o por quê desse “sumiço”, Sydnei acredita que esteja mais relacionado ao isolamento social, ou seja, menos pessoas transitando e observando os animais do que propriamente algum fenômeno natural, como chuvas em excesso, por exemplo.

“Não são animais migratórios, isto quer dizer não viajam de uma região para outra em busca de alimentos ou acasalamentos. Eles tendem a continuar na mesma região que nascem”, explicou o biólogo. 

E, coincidentemente, foi só terminar a entrevista o biólogo que a equipe de reportagem recebeu dois vídeos que mostram um jacaré no rio Cachoeira. Os vídeos foram feitos por Marcelo Cunha nesta segunda-feira (8) de manhã, véspera de feriado pelo aniversário de 170 anos de Joinville, no rio Cachoeira, na ponte, próximo à Prefeitura.

Assista aos vídeos e dê seu palpite: Fritz? Jaca? ou Lacoste?

Qual a população de jacarés em Joinville?

Segundo o biólogo Sydnei Ferreira Guimarães Diniz, não é possível quantificar o número de jacarés em Joinville. Não há um censo para que se possa estimar a quantidade desse tipo de réptil. 

O que sabe é que o jacaré-de-papo-amarelo (espécie Caiman latirostris) é encontrado em toda a região Sudeste da América do Sul. Os hábitos e as características podem variar de região para região, mas eles se adaptam às mudanças e variação de temperatura.

Reprodução

O jacaré-de-papo-amarelo, assim como a maioria das outras espécies de répteis, fazem ninhos próximos aos rios, cerca de dois a três metros da beira da água, especifica Sydnei. Eles formam um ninho com matéria orgânica que ajuda a manter o calor do sol do dia no período noturno. 

Esse calor é fundamental para chocar os ovos, a uma temperatura acima de 30 graus. A temperatura ideal para o sucesso reprodutivo, segundo o especialista, é de 32 graus.

Outra curiosidade é que a temperatura determina o sexo do animal. Se os ovos chocados estiverem a uma temperatura de 30 graus, por exemplo, nascem machos. Se estiverem a 34 graus, nascem fêmeas. Quando ficam na média de 32 graus, nasce ora fêmea ora macho, dando um maior equilíbrio à espécie.

São perigosos?

Dentro da água, p<span style="font-weight: 400;">or causa da sua coloração e características, o jacaré-de-papo-amarelo pode ser confundido com uma madeira boiando</span> para quem avistar de longe &#8211; Foto: reprodução vídeo de Marcelo Cunha/Divulgação NDjacaDentro da água, por causa da sua coloração e características, o jacaré-de-papo-amarelo pode ser confundido com uma madeira boiando para quem avistar de longe – Foto: reprodução vídeo de Marcelo Cunha/Divulgação NDjaca

Os jacarés só oferecem risco se forem acuados ou ameaçados. A fêmea, por exemplo, gosta de proteger o ninho e não admite que mexam com sua futura cria. Em qualquer outra circunstância, o bicho vai fugir e se esconder na vegetação.

Sabe por quê eles gostam de ficar ao sol?

Como são animais de sangue frio, eles dependem do calor do sol para realizar os processos metabólicos do organismo (digestão de alimentos e etc). Por isso, em dias de sol, é comum serem vistos, geralmente imóveis, fora da água.

Já dentro da água, por causa da sua coloração e características, o jacaré-de-papo-amarelo pode ser confundido com uma madeira boiando e quando está no meio da vegetação fica camuflado. 

No Zoobotânico, conta o biólogo, há um casal de jacarés há mais de dez anos. Geralmente, são avistados tomando um solzinho, imóveis, boiando. Permitem até que as tartarugas subam em suas costas.

Alimentação

Um jacaré adulto se alimenta de peixes, aves, alguns tipos de invertebrados e mamíferos de pequeno e médio portes. Mas uma capivara, por exemplo, comum em Joinville, só virará refeição se o jacaré estiver com muita fome, brinca Sydnei.

E para quem pensa em alimentar os jacarés, o biólogo faz um alerta: “a recomendação geral para qualquer animal de vida livre é deixar que ele encontre seu próprio alimento.”

Sempre é bom lembrar também que cada bichinho da natureza desempenha um papel importante no ciclo biológico da região. Por isso, quanto menos interferência humana, melhor.

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