Moradores da Lagoa da Conceição fazem manifestação cobrando ações da Casan

Em ato simbólico e pacífico, manifestantes expõem baldes sujos, pedaços de móveis destruídos e cartazes

Quase duas semanas depois do rompimento de uma estrutura de tratamento de esgoto da Casan, moradores da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, se reuniram, na manhã deste sábado (6), para exigir a recuperação do bairro. Em ato simbólico, manifestantes expõem baldes sujos, pedaços de móveis destruídos e cartazes.

Manifestantes exigem medidas da Casan – Foto: Fabiane Paza/Divulgação/NDManifestantes exigem medidas da Casan – Foto: Fabiane Paza/Divulgação/ND

Perto das 12h, já eram cerca de 60 manifestantes solicitando medidas mais efetivas da Casan e a responsabilização dos envolvidos pelo desastre, que deixou 66 pessoas desalojadas na ocasião. Embora provoque lentidão, não houve paralisação no trânsito.

O ato começou na servidão Manoel Luiz Duarte, uma das vias mais atingidas, e segue para a avenida das Rendeiras, a principal da Lagoa da Conceição. “Não podemos aguardar a recuperação natural. Isso vai impactar de forma muito forte a fauna e a flora”, alega o morador Bira, um dos organizadores da ação, que quis ser identificado apenas pelo apelido.

Os moradores contestam o edital de indenização da empresa, que prevê uma ajuda de até 10 mil reais. “Tivemos gastos emergenciais. Perdemos carros, motos. Eles queriam que esses gastos fossem cobertos através dos R$ 10 mil, sendo que esses R$ 10 mil eram para os bens perdidos”, informa, se referindo aos utensílios da casa.

Moradores afirmam que falta assistência às vítimas- – Foto: Fabiane Paza/Divulgação/NDMoradores afirmam que falta assistência às vítimas- – Foto: Fabiane Paza/Divulgação/ND

Além disso, a ajuda só seria concedida àqueles que provassem as perdas materiais. “Como as famílias vão ter notas fiscais? E as coisas que a enchente levou?”, questiona Bira.

Além dos problemas estruturais, faltaria assistência às vítimas, afirma o manifestante.

“Na sexta-feira (29), foi a primeira marmita que a Casan entregou. Até quinta, sobreviveram de doações da sociedade civil”, relevou. O rompimento aconteceu no dia 25 de janeiro, uma segunda-feira.

Alas

A manifestação, em clima de Carnaval, foi dividida em cinco alas diferentes para garantir o distanciamento social entre os participantes, evitando a contaminação pela Covid-19.

As alas foram nomeadas de forma a chamar a atenção do poder público. “Da lama ao caos”, “Crime Socioambiental” e “Casan, recupere a Lagoa” são alguns dos títulos. Até a bateria da escola de samba União da Ilha da Magia participou da manifestação.

Casan critica interferências em negociação

O procurador da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), Bruno Angeli Bonemer, disse que as pessoas estão fazendo uma ideia muita equivocada da empresa em relação às medidas adotadas após rompimento da lagoa artificial.

Segundo Bonemer, todos que aderiram ao edital vão receber valores superiores aos R$ 10 mil. Ele garantiu que a empresa está admitindo outros meios de prova – como fotografias – para comprovação de perdas como eletrodomésticos e outros bens.

A reparação financeira, segundo a Casan, contemplará imóveis, bens móveis, danos parciais ou totais em veículos, despesas de limpeza e outros gastos alusivos ao evento.

Vítimas do desastre alegam que sobrevivem do auxílio da sociedade civil – Foto: Leo Munhoz/NDVítimas do desastre alegam que sobrevivem do auxílio da sociedade civil – Foto: Leo Munhoz/ND

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