Moradores montam ‘cemitério’ a céu aberto na Lagoa da Conceição

Ativistas e moradores do bairro fixaram cruzes com mensagens de alerta para a morte de seres vivos e pedem a recuperação do local após o desastre ambiental de 25 de janeiro

No dia em que é comemorada a Páscoa, a Lagoa da Conceição, em Florianópolis, também foi “crucificada”. O ato simbólico realizado por ativistas cobra providências para o desastre ambiental ocorrido em 25 de janeiro, com o rompimento da estrutura de tratamento de efluentes da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento).

Dezenas de cruzes foram espalhadas à beira da Lagoa da Conceição – Foto: Mylena Petrucelli/Divulgação/NDDezenas de cruzes foram espalhadas à beira da Lagoa da Conceição – Foto: Mylena Petrucelli/Divulgação/ND

Dezenas de cruzes foram fixadas na beira da Lagoa em direção à avenida das Rendeiras na sexta-feira (2), cobrando providências das autoridades
responsáveis para a mortandade crescente de peixes, crustáceos, microrganismos, fauna e flora em geral.

Também chamaram atenção para os prejuízos causados às atividades antrópicas de subsistência, lazer, turismo e gastronomia no tradicional bairro da Capital catarinense.

“Estamos fazendo essa ação para tentar criar um pouco de responsabilidade para quem deveria ter. As cruzes servem para referenciar todas as mortes que aconteceram dentro da Lagoa e de vidas de pessoas que se sentem atingidas”, explica a ativista Gisele Ramos, que faz parte do Projeto Tekuapirá.

Moradores pedem atenção à situação das águas da Lagoa – Foto: Mylena Petrucelli/Divulgação/NDMoradores pedem atenção à situação das águas da Lagoa – Foto: Mylena Petrucelli/Divulgação/ND

“Pensamos em fazer o manifesto neste dia bem simbólico porque a Lagoa também foi crucificada por uma ação humana como foi Jesus Cristo. É um apelo que fazemos aqui, dando voz para a Lagoa que não pode falar, para que tenhamos um olhar carinhoso para esse cartão postal da cidade”, acrescenta Gisele.

Integrantes do projeto trazem mensagens de alerta como “Voz para quem não tem”, “Queremos a Lagoa viva”, “Imprópria até para os peixes” e “A Lagoa chora” transcritas nas cruzes, que se enfileiram pela avenida das Rendeiras, desde a Ponte da Lagoa até o número 330. A sensação a quem transita pela região é de visualizar um verdadeiro cemitério.

“A Lagoa é o nosso cartão postal. Ela já trouxe muitas pessoas para a nossa cidade, já ajudou muito no PIB da cidade, então, por direito, essa restauração para a limpeza já está paga. É um dever do poder público fazer essa restauração por ela e dar a todas as comunidades que vivem ao redor da bacia da Lagoa da Conceição a felicidade de viver como eles viviam antes”, finaliza a ativista.

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