Moradores protestam contra ampliação de estação de esgoto em Florianópolis

Comunidade afirma ser perigoso centralizar o esgoto em um local, lançando-o em uma baía com pouca corrente

Moradores dos bairros João Paulo e Saco Grande protestaram neste domingo (1º) contra as obras de ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Casan instalada na região.

Em março deste ano, a comunidade já havia protocolado no Ministério Público Federal (MPF) uma representação para instaurar um inquérito civil para investigar o impacto ambiental da instalação da ETE e pedir a paralisação das obras.

A ampliação da estrutura visa absorver, também o esgoto dos bairros Santo Antonio de Lisboa, Sambaqui e Cacupé, entre outros.

Moradores dos bairros João Paulo e Saco Grande protestam contra ETE – Foto: Divulgação/APPAAJOPMoradores dos bairros João Paulo e Saco Grande protestam contra ETE – Foto: Divulgação/APPAAJOP

“A gente precisa de tratamento de esgoto, mas não dessa forma. É muito perigoso centralizar todo esse esgoto em um local só, em cima de um manguezal, numa baía com pouca corrente. Será que essa ETE vai suportar chuvas fortes? Ou vai tudo pra dentro do mangue, como aconteceu na Lagoa da Conceição?”, questiona Silvani Ferreira, presidente da Associação dos Pescadores Profissionais, Artesanais e Amadores da Praia do João Paulo e Saco Grande.

As críticas da comunidade têm como base um relatório de fiscalização da Agência Reguladora dos Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc) de 2013, que afirma que “a ETE Saco Grande possui a saída de sólidos sedimentáveis acima dos valores previstos legalmente”, e que os “sólidos sedimentáveis são considerados indicadores de poluição”.

Comunidade critica possíveis impactos ambientais da ETE – Foto: Divulgação/APPAAJOPComunidade critica possíveis impactos ambientais da ETE – Foto: Divulgação/APPAAJOP

Em 2019, outro relatório da Aresc apontou irregularidades na ETE tais como “ausência de adequadas condições de limpeza, conservação, manutenção e/ou segurança”.

“A gente já vê que está trazendo prejuízos. A Casan tem um emissário em frente à praia, e várias vezes já vimos a água de lá saindo escura, com cheiro bem forte. Não dá pra dizer que aquilo é água tratada”, critica Ferreira.

“Depois dessa ETE, a gente viu crescer muito rápido o lodo. O capim do mangue, onde o camarão e o siri se criam e onde se cultiva marisco, está morrendo. Só aqui são mais de 100 famílias que tem a pesca artesanal como complemento de renda, é complicado”, acrescenta Silvani Ferreira.

Contraponto

Em nota, a Casan afirma que a “implantação de rede de coleta de esgoto em toda a zona Oeste da cidade e a ampliação e modernização da Estação de Tratamento vem sendo objeto de estudo desde o final da primeira década [2000] e inicio da década passada, com inúmeros estudos ambientais aprovados pelos órgãos ambientais responsáveis, inclusive IMA e ICMBio”.

Estação de tratamento de esgoto no João Paulo, antes do início das obras de ampliação – Foto: Acervo CasanEstação de tratamento de esgoto no João Paulo, antes do início das obras de ampliação – Foto: Acervo Casan

A Casan afirma também que publicou informativo e um vídeo explicativo nas redes sociais e que “tem se proposto a apresentar em reuniões presenciais a líderes da região toda a farta documentação ambiental e os detalhamentos técnicos existentes, mas algumas pessoas descartam esse diálogo, optando pelo formato do protesto”.

Por fim, a companhia diz que a “nova Estação de Tratamento só entrará em operação quando toda a rede do bairro João Paulo (e também Saco Grande e Monte Verde) estiverem plenamente instaladas”.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Meio Ambiente

Loading...