Morte de peixes em praias de Florianópolis foi por pesca acidental e biólogo faz alerta

Segundo o IMA, causa da morte das dezenas de peixes encontrados na semana passada nas praias de Jurerê e da Daniela foi pela prática de descarte de fauna

O IMA (Instituto do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina) informou que a provável causa da morte das dezenas de peixes encontrados na manhã da última quarta-feira (2), por moradores e pescadores nas praias de Jurerê e da Daniela, no Norte da Ilha, foi a prática de descarte de fauna realizada pelas embarcações de pesca.

Foram encontradas espécies como palombeta, pescadinha, corvina, carapeva, linguado, papa-terra, cocoroca, canhanha e espada.

Peixes encontrados nas praias da Daniela e Jurerê – Foto: Divulgação/ NDPeixes encontrados nas praias da Daniela e Jurerê – Foto: Divulgação/ ND

“De acordo com casos semelhantes ocorridos no Estado e estudos específicos realizados, informa que é grande a probabilidade de que a situação da Praia da Daniela, em Florianópolis, é decorrente de descarte de fauna acompanhante de embarcações pesqueiras”, disse o IMA em nota.

Segundo o órgão, os técnicos do instituto estiveram no local e fizeram uma vistoria. Eles constataram que não houve relatos de acidentes, derramamento de produtos químicos, ocorrência de algas, espumas ou mau cheiro no local previamente à identificação dos peixes.

“Estes elementos reforçam a hipótese de que os organismos encontrados mortos na praia foram transportados para a praia por meio de correntes marítimas do descarte de pesca”, reforçou o órgão ambiental.

Para o biólogo Emerilson Emerin, o aparecimento de peixes mortos na faixa de areia pode ter relação com a pesca predatória.

“Isso é um indício de pesca predatória. Ou seja, redes inapropriadas, que acabam trazendo toda uma biodiversidade — pequenas espécies, peixes ainda em crescimento. Isso causa um impacto terrível para a nossa biodiversidade marinha e para a parte econômica, principalmente para a pesca artesanal, porque esses barcos chegam muito próximos à costa”, explicou o biólogo.

Descarte do bycatch

O professor Paulo Horta, do Programa de Pós Graduação em Oceanografia da UFSC e do projeto Ecoando Sustentabilidade, avaliou que é possível que o fato registrado no Norte da Ilha seja o descarte da pesca de arrasto.

“Esse tipo de pesca tem um alvo específico e não encontra nos animais que são capturados juntos – como foi o caso dessas espécies – valor econômico ou interesse comercial”, disse ele.

Peixes mortos seria decorrência de descarte de fauna acompanhante de embarcações pesqueiras, disse o IMA – Foto: Divulgação/ NDPeixes mortos seria decorrência de descarte de fauna acompanhante de embarcações pesqueiras, disse o IMA – Foto: Divulgação/ ND

Para Horta, é necessário construir mecanismos para desmotivar o chamado “descarte do bycatch”, ou seja, a pesca acidental. O professor da UFSC salientou que devem se construir aproximações entre as instituições que fiscalizam e monitoram esse processo: IBAMA, ICMBIO e os órgãos estaduais, para que trabalhem, efetivamente, juntos com os pescadores.

“Precisa ter uma relação muito mais construtiva do que punitivista. Claro que as punições em casos específicos devem ser implementadas. Em muitos casos é necessária a conscientização. À medida em que o pescador entender que o descarte desses animais a médio e longo prazo compromete a própria atividade da pesca, eles vão compreender que algo diferente precisa ser feito. Não só o pescador, mas todo mercado consumidor”, analisou.

Destino para o mais pobres

O destino desse descarte de peixes poderia ser outro, segundo o professor Paulo Horta. Para ele, esses animais poderiam beneficiar a comunidade carente da cidade.

“Precisamos dar um bom destino para essa pesca acidental. Esses animais que acabam morrendo no processo de captura, eles precisam receber um bom destino do ponto de vista socioeconômico, tanta gente passando fome, descartar esses animais, é uma alternativa que tem que ser ponderada pela sociedade”, ressaltou.

Mas para tal, é evidente a necessidade de programas de monitoramento mais estruturados, melhor planejados, considerando todas as outras fontes potenciais de riscos que tem no litoral brasileiro.

“Não temos um bom sistema de monitoramento na região costeira, da qual nós dependemos: o turismo, a maricultura, a pesca depende de um ambiente marinho saudável”, salientou.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Meio Ambiente