Óleo no Nordeste destrói ostras desenvolvidas pela UFSC

Moluscos que foram atingidos pelo vazamento em Alagoas passaram por processo de melhoramento genético na universidade catarinense

As manchas de óleo que já atingiram 92 cidades do Nordeste desde setembro também destruíram o cultivo de ostras que foram desenvolvidas pelo laboratório da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

O IABS (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade) comprou as sementes do molusco e as doou para as marisqueiras da Associação Mariostras de Alagoas.

A compra ocorreu em março deste ano. O IABS, que atua em Alagoas e Pernambuco, foi o intermediador entre os projetos de Santa Catarina e das marisqueiras no estado nordestino.  

De acordo com a Associação Mariostras, o óleo invadiu 300 metros do rio em 18 de outubro. Como parte das ostras estava submersa, a destruição só foi descoberta na última segunda-feira (21). O desastre atingiu a subsistência das mulheres e suas famílias.

Mancha de óleo que atinge Nordeste destrói cultivo de ostras desenvolvidas pela UFSC  – Foto: Associação Mariostras/Divulgação

Os mil moluscos atingidos pelo vazamento haviam passado por processo de melhoramento genético na UFSC e estavam sendo cultivados no Rio Manguaba, em Porto de Pedras, no Litoral Nordestino. Além do rio, outras 200 localidades foram afetadas pela poluição de petróleo. 

Segundo a presidente da associação, que também é marisqueira, Ieda Lara, as mulheres se organizaram e limparam parte do cultivo, mas o Ibama informou que todos os moluscos foram contaminados.

Além das ostras catarinenses, a produção que nasceu na região também foi destruída. Cerca de 70 quilos foram descartados.

“Primeiro veio o desespero e a mobilização. A gente limpou as ostras com escovas e na mão. Mas, agora, eu sinto uma tristeza muito grande. Não sei o que dizer para as mulheres. Muitas vivem do turismo e das ostras”, lamentou. 

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A UFSC é a única instituição pública do país que produz as sementes modificadas por laboratório. Em Santa Catarina, uma empresa privada também faz o trabalho. O centro de estudos que também trabalhava com esse tipo de cultivo no Rio Grande do Norte foi fechado. 

Ostras especiais

Antes de serem entregues para a associação, os moluscos passaram seis meses no laboratório do instituto para que fossem adaptados para reprodução nas águas alagoanas – que são mais quentes.

Um dos responsáveis pelo processo, o ex-aluno da UFSC Felipe Andrade, trabalha no IABS e afirma que a iniciativa estava dando resultado.

“Elas estavam crescendo bastante. Agora, como tudo se perdeu, a gente não vai ter mais como resgatar o resultado da produção desta localidade”, disse. 

Foto: Associação Mariostras/Divulgação

Na última semana, as ostras estavam medindo 5 cm. A expectativa era de que as ostras atingissem 8 cm ao final de oito meses e, assim, estivessem prontas para venda. Cada ostra seria vendida por R$ 1,00. 

Desde 2003, o IABS desenvolve o projeto Ostras Depuradas de Alagoas, que também foi diretamente prejudicado pelo petróleo.

Na semana que passou, alguns técnicos fizeram visitas para apurar os impactos do vazamento.

A associação pretende se reunir com o governo de Alagoas no início de novembro para tentar buscar soluções e compensações sobre o impacto. 

Vazamento é considerado o maior desastre do país

O vazamento de óleo impacta o Nordeste desde 2 de setembro. Na manhã de terça-feira (29), o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou que a tragédia é a “maior agressão ambiental já sofrida” no país.

Até o momento, segundo o Ibama, 254 localidades em 92 cidades da região foram afetadas.

As causas do vazamento ainda são desconhecidas e o governo não sabe quem são os responsáveis. Além dos danos ambientais, é esperado impacto negativo também no turismo da região.

De acordo a Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), o Nordeste é o destino preferido dos brasileiros em turismo doméstico no verão. 

*Com informações da Agência Brasil

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