Mistério: o que se sabe sobre as sementes “chinesas” que invadiram Santa Catarina

Segundo especialista, sementes já foram recebidas por moradores de várias cidades do Estado como Jaraguá do Sul, Florianópolis e Timbó

Um assunto vem ganhando popularidade nas redes sociais nos últimos dias: catarinenses vêm recebendo sementes misteriosas junto com compras realizadas em e-commerces asiáticos.

Primeiro registro foi em Jaraguá do Sul, no Norte do Estado – Foto: Gabriel Zapella/Divulgação

O primeiro caso foi registrado em Jaraguá do Sul, no Norte do Estado. Um morador teria recebido dois pacotes, com as sementes, após a compra de um objeto de decoração pela internet.

Com a divulgação do caso, rapidamente novas denúncias foram recebidas pela Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina).

Ainda não há o número exato de denúncias já recebidas pela companhia. Porém, segundo a engenheira agrônoma e gestora da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da entidade, Fabiane do Santos, já há relatos de casos parecidos em cidades do Sul do Estado, Florianópolis, Timbó, Braço do Norte e região litorânea.

Como elas chegam ao cliente

De acordo com o que já foi apurado, a dinâmica do recebimento das sementes é simples: a pessoa realiza a compra em sites de e-commerce, geralmente de países de origem asiática e, ao receber a encomenda, encontra o grão que geralmente é embalado em três saquinhos, de diferentes tamanhos.

“O que já registramos é que são de diferentes tamanhos e tipos. Por isso, estamos investigando para saber a origem, até para entender se ela pode gerar algum risco à agricultura”, explica Fabiane.

A princípio, as sementes não oferecem riscos graves à saúde. Porém, como ainda não se sabe a origem, a Cidasc recomenda que as pessoas não abram as embalagens.

“Além de problemas com possíveis agrotóxicos, nossa preocupação é de que a semente seja de alguma planta exótica ou que contenha alguma praga que possa prejudicar as plantações”, conta a engenheira.

Outros países já registraram o recebimento das sementes

O recebimento de sementes por meio de compras online não é uma particularidade dos catarinenses. Outros países também já registraram casos parecidos do que ocorreu em Jaraguá do Sul.

“Temos registros de entregas em várias partes do mundo como Estados Unidos, Canadá, União Europeia e Austrália, por exemplo”, explica.

Nos Estados Unidos, por exemplo, 14 variedades já foram identificadas, segundo o jornal The New York Times. Entre as espécies, botânicos do Serviço de Inspeção de Saúde Vegetal e Animal do Departamento de Agricultura identificaram sementes de repolho, hibisco, lavanda, menta, ipomeia, mostarda, rosa, alecrim e sálvia.

Norte-americanos recebem sementes pelo correio há dois meses – Foto: Reprodução/YouTube

Os primeiros relatos foram registrados em julho, em ao menos 22 estados americanos. Para o jornal, a agência federal alegou que as evidências apontavam que os pacotes faziam parte de um “esquema de escovação”, ou seja, vendedores enviam itens não solicitados na intenção de aumentar as vendas.

Em Portugal, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, emitiu um comunicado após os primeiros registros no início de setembro. De acordo com o site “O Observador”, entre os pedidos, estava a entrega das sementes às entidades competentes, “de forma a proteger culturas e cidadãos”.

Especialista reforça que sementes não são apenas da China

Apesar de grande parte dos relatos envolver a compra em sites chineses, Fabiane reforça que as sementes não são oriundas apenas da China. Segundo ela, há informações de que os destinatários dos pacotes sejam de outros países asiáticos.

“Não devemos vincular estes produtos apenas a China. O próprio governo já emitiu nota dizendo que alguns dos endereços estavam incorretos. Então, devemos ficar atentos com isso”, reforça Fabiane.

A engenheira finaliza dizendo que o caso já está sob investigação, a fim de encontrar os responsáveis pelos envios ilegais.

Em caso de recebimento dos pacotes sem a devida procedência a orientação é que as pessoas comuniquem a Cidasc por meio do 0800-644-6510 ou (48) 3665 7300 (WhatsApp).

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