Pequenas iniciativas de sustentabilidade que transformam o mundo

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Com o lema “pensar global e agir local”, professor Jorge João de Sousa dá o exemplo em ações diárias e práticas que podem ser feitas em casa para ajudar a reciclar e reaproveitar em nome do bem-estar

Quando o assunto é sustentabilidade, Jorge não economiza nas palavras. Só nas palavras. No demais, contém-se em tudo, em nome do bem-estar do planeta, que começa por iniciativas locais.

“Já fiquei quatro meses sem usar papel-moeda”, conta, ao dizer que retomou a milenar cultura do escambo a fim de evitar desperdícios e reciclar a cadeia de produção.

O manezinho Jorge João de Sousa, 40 anos, faz compostagem de matéria orgânica, vende mel em potes reciclados e colhe os abacates que consome no quintal de casa – Foto: Anderson Coelho/NDO manezinho Jorge João de Sousa, 40 anos, faz compostagem de matéria orgânica, vende mel em potes reciclados e colhe os abacates que consome no quintal de casa – Foto: Anderson Coelho/ND

Jorge João de Sousa tem 40 anos, nasceu e mora em Florianópolis e vive uma vida “otimista e realista”, segundo sua visão, quando o assunto é sustentabilidade.

Jorge recolhe resíduos, que a maioria sequer sabe para onde vai, e evita que poluam a Lagoa.

Das lixeiras, os põe em tambores. Faz compostagem da matéria orgânica que flui pelos ralos do capitalismo de puro consumo e desperdício.

Daí, Jorge leva a uma cooperativa e garante que futuras colheitas serão garantidas aqui mesmo, em Florianópolis.

“Ser sustentável exige energia”, ele explica. Uma parte da energia, a saudável, vem de saber que nada se perde, tudo se transforma, conforme a Lei de Lavoisier. Outra parte, a menos saudável, vem do desperdício egoísta de quem não percebe que vivemos em comunidade.

Desembalar menos

Dia desses, Jorge topou com abacates caídos do pé. Alguém passando por ali talvez chutasse o abacate pra longe. Jorge o recolheu. Viu que era uma fruta madura. Levou consigo e a consumiu. Hoje, tem um abacateiro em casa.

“As pessoas acham que o que compram na feira surge ali, enquanto estamos rodeados de alimentos ao alcance da mão”.

Jorge tem seus próprios mantras. “Desembalar menos”, “evitar tirar das prateleiras”, e por aí vai.

O geógrafo é um frequentador das conferências ambientais mundiais e, ao mesmo tempo, cozinha em casa, leva a própria comida em um pote dentro da mochila sempre que sai, recolhe a água de enxágue da máquina em baldes para usar em lavações. “Pensar global e agir local”, diz.

A sustentabilidade acontece agora

Jorge mora no Campeche e na Barra da Lagoa. Alterna residências porque não se prende a um lugar, mas ao todo. Ele vende mel.

Não o produz, porém, se encarrega de recolher potes de vidros e esterilizá-los para que o mel produzido em Águas Mornas possa ser distribuído aos consumidores da Capital.

Sua vida sustentável, no entanto, não garante que as demais sejam. Porque o próprio conceito de sustentabilidade pressupõe uma força conjunta da sociedade, já que ninguém pode ser autossustentável por si próprio.

Mas é um primeiro e grande passo. Na esteira de seu exemplo, Jorge cativa pessoas a serem mais colaborativas e menos consumistas. Todos, diz, dependemos do que vem da terra.

Sobre o futuro, não é sua maior preocupação. Porque sua atenção está voltada para o agora. “A sustentabilidade acontece agora”, diz, enquanto come um punhado de frutas recolhidas em casa e observa o pôr do sol na Costeira.