Produção rural da Grande Florianópolis sofre com a estiagem prolongada

Perda se aproxima de 60% na produção de hortaliças, segundo o Sindicato Rural de São José e Região. Gado está perdendo peso, o que afeta também produção de leite

A estiagem que se prolonga em todo o Estado catarinense afeta a agricultura e pecuária na Grande Florianópolis. Na produção de hortaliças, a perda se aproxima de 60%, segundo o Sindicato Rural de São José e Região.

Na pecuária, o gado está perdendo peso por falta de pasto que a cada dia fica mais amarelo e ralo pela falta de chuva, o que pode prejudicar também a produção de leite.

O técnico agrícola Irineu Antônio Merine diz que no começo da estiagem havia água nos açudes, mas com a persistência da seca, os reservatórios estão esgotados.

“A situação está muito difícil. O prejuízo é diário porque sem chuva não tem plantação para o agricultor, não tem pasto para o gado. Isso vem se agravando pela falta de água armazenada”, afirma Merine, membro do Sindicato Rural de São José.

Estiagem preocupa produtores em São José, como Teófilo Vargas – Foto: Anderson Coelho/NDEstiagem preocupa produtores em São José, como Teófilo Vargas – Foto: Anderson Coelho/ND

Ele conta que em algumas propriedades, além da falta de pastagem, já existe a dificuldade de fornecer água de qualidade para os animais e nas plantações de legumes e verduras, onde não há sistema de armazenamento de água, é quase impossível manter a produção. “Não há outra alternativa que não seja a chuva”, ressalta o técnico agrícola.

Pragas e água barrenta

Cláudio Hoffman é agricultor há quase 30 anos e garante nunca ter passado por um estiagem como essa de agora. Ele avalia em R$ 30 mil o prejuízo causado pela seca que se estende desde dezembro.

Os danos provocados pela seca não são apenas a impossibilidade de plantar ou de colher produtos de qualidade. A falta de chuva também causa o aparecimento de pragas, como o míldio, que afetou três lotes de alfaces.

Gado está perdendo peso por falta de pasto. Situação também afeta a produção de leite  – Foto: Anderson Coelho/NDGado está perdendo peso por falta de pasto. Situação também afeta a produção de leite  – Foto: Anderson Coelho/ND

Na propriedade de Hoffman o açude secou e ele providenciou outro, mas a água está barrenta e não é possível irrigar a plantação. “Estamos usando a água apenas para plantar. A gente faz a cova e enche de água, o solo está muito seco. Não dá para fazer a irrigação com essa água suja”, diz.

Na mesma situação está a água do açude da propriedade do pecuarista Maurício José da Silva, sem condições de ser consumida pelos animais. Por isso, Maurício está comprando água potável para oferecer ao gado e buscando alternativa para alimentar o rebanho.

Ele alugou um pasto em Tijucas e vai levar os animais para lá. “A maré subiu, mas em uns 15 dias o capim volta. Lá eles vão poder se defender da fome”, diz.

O pecuarista lamenta a situação que os produtores da Grande Florianópolis estão vivendo e avalia que bem pior estão os da região Oeste. “Para lá está terrível, uma coisa muito triste. Essa é a pior de todas as secas porque está demorando muito a passar. Queria vender umas cabeças, mas está difícil, ninguém compra”, afirma. Devido à má qualidade do pasto, o gado criado por ele teve perda de até 30% do peso.

Seca afeta abelhas

Teófilo Vargas Machado tem 73 anos e lembra que quando menino, na década de 1950, viveu uma “seca terrível” em Bom Retiro, hoje o município de Urubici. “Olha, se essa seca que parece que não quer acabar for como aquela, vai ser uma calamidade. Eu lembro que foi muito ruim”, diz.

Seu Teófilo é apicultor e conta com tristeza que há meses viu as flores desaparecerem e a produção de mel minguar. Ele estima que a queda na produção durante a estiagem é de 50%.

Os 22 quilos de mel por colmeia caíram para nove quilos desde o início do ano quando as chuvas começaram a rarear. Na propriedade do apicultor, no bairro Forquilhas, em São José, o açude está muito abaixo do volume habitual.

Sem chuvas, plantas e árvores têm pouca energia para produzir flores e alimentar as abelhas. “A uva japonesa deu fruto, mas não floriu. Um troço incrível mesmo, incrível e triste. Eu não lembro de ter visto isso antes”, comenta seu Teófilo.

Poucas chuvas

A estiagem deste ano está sendo considerada pela Epagri/Ciram mais severa do que as registradas em 1978 e 2006. A particularidade desta seca é a abrangência, diferente da ocorrida no segundo semestre do ano passado.

Queda na produção de mel durante a estiagem já é estimada em 50% – Foto: Anderson Coelho/NDQueda na produção de mel durante a estiagem já é estimada em 50% – Foto: Anderson Coelho/ND

A previsão para esse trimestre (maio, junho e julho) é de precipitação na média a abaixo da média registrada em Santa Catarina. De acordo com a Epagri/Ciram, a chuva será mal distribuída no estado, com valores pouco significativos e outros mais elevados em localidades da mesma região, e com distribuição irregular durante o período.

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