Quatro espécies de baobás devem sumir com mudanças climáticas, aponta pesquisa da UFSC

Ecologistas se debruçaram sobre dados coletados em duas décadas, e concluíram que as espécies não resistiriam ao aumento da variação entre temperaturas

As mudanças climáticas já são realidade e ameaçam a existência de diversos seres vivos. Um estudo inédito e de repercussão internacional conduzido pelo departamento de ecologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) acrescentou novas ao rol: quatro espécies de baobás correm sério risco de extinção. Elas são nativas da ilha de Madagascar, no Sul do continente africano. As informações são da Agecom.

População de Adansonia suarezensis ao norte de Madagascar – Foto: Mário Tagliari/Divulgação/NDPopulação de Adansonia suarezensis ao norte de Madagascar – Foto: Mário Tagliari/Divulgação/ND

As espécies endêmicas ameaçadas são Adansonia madagascariensis, Adansonia perrieri, Adansonia suarezensis e Adansonia rubrostipa. Ao todo, há sete espécies registradas de baobás, árvore também conhecida como embondeiros, imbondeiros e calabaceiras.

O estudo é assinado pelo doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFSC Mário Tagliari, pelo cientista Ghislain Vieilledent (CIRAD – França) e por Vítor Carvalho-Rocha, também doutorando em Ecologia na UFSC.

Eles explicam que o risco se dá devido às mudanças de sazonalidade. O tema dá conta da variação média entre as temperaturas mínimas e máximas de cada mês, ao longo de um ano. É justamente o aumento desta variação de temperaturas que ameaça as espécies. As previsões do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) apontam para aumento até +1°C, até 2100 nas diferenças médias entre as temperaturas.

Segundo Tagliari, para se adaptarem os baobás deverão se redistribuir para ainda mais ao norte da ilha de Madagascar, ou seja, em direção a linha Equador, onde as variações serão menos acentuadas. Entretanto o baobás enfrentam o próprio limite terrestre. “Ocorre que os limites geográficos da ilha impedem a dispersão destas espécies nesta direção, pois simplesmente há apenas o Oceano Índico no horizonte. Consequentemente, é plausível que as espécies sejam extintas”, explica Tagliari.

Aumento da sazonalidade ameaça espécies

O aumento da sazonalidade foi previsto para uma grande parte da faixa latitudinal tropical. “Para se adaptar a essas condições, inúmeras espécies tropicais deverão migrar em direção a Linha do Equador (a linha imaginária que divide a Terra em dois hemisférios, ou que está na Latitude 0°)”, afirma o pesquisador.

As conclusões se ancoram em pesquisas de campo e imagens de satélite para agrupar informações e alimentar um modelo de nicho ecológico que prevê a distribuição das espécies a partir de diferentes variáveis ao longo do tempo. Também se apoia em uma base de dados com mais de 240 mil pontos de ocorrências das diferentes espécies de baobás. Estes dados são coletados desde o início dos anos 2000.

A abrangência do estudo também contempla o Brasil. O estudo prevê graves problemas no processo de redistribuição das espécies tropicais que poderão ser observados nos biomas brasileiros, como a Amazônia, Cerrado ou Mata Atlântica.

“Caso haja barreiras que impeçam a migração das espécies, como áreas desmatadas, rodovias e/ou áreas convertidas para a agricultura, as espécies poderão perecer com a rápida mudança do clima ao estarem sem possibilidade de se redistribuir, independente da direção. Os impactos também poderão ser sentidos em outros habitats insulares nos trópicos. A exemplo de Madagascar, se essas espécies estiverem no limite das ilhas, para onde elas irão migrar?”, questiona. Nestes casos, o risco é de que haja extinção.

A pesquisa foi publicada no Global Change Biology e repercutiu no jornal francês Le Monde.

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