Santa Catarina é o 4º estado que mais desmatou Mata Atlântica entre 2019 e 2020

Somente neste período, 887 hectares de área verde foram derrubados. Estado ainda detém 28% da mata natural em seu território

Santa Catarina conserva 2.186.316 hectares de áreas de florestas remanescentes de Mata Atlântica, o que corresponde a 22,8% do seu território. É um patrimônio importante para a preservação da vida, da água, da fauna e da flora, mas as florestas do Estado foram sumindo com o passar dos anos. O desmatamento vem sendo monitorado pela Fundação SOS Mata Atlântica desde 1989 e o último levantamento feito por imagens de satélite no país não mostrou bons resultados para Santa Catarina.

Santa Catarina foi o 4º estado que mais desmatou Mata Atlântica entre 2019 e 2020 – Foto: Divulgação/PMASanta Catarina foi o 4º estado que mais desmatou Mata Atlântica entre 2019 e 2020 – Foto: Divulgação/PMA

O desmatamento no Estado cresceu 25% entre 2019 e 2020. Ao longo desse período, 887 hectares foram desmatados, o que fez Santa Catarina ficar em 4º lugar na lista de estados que mais desmataram áreas da Mata Atlântica. Juntos, os cinco estados campeões — Minas Gerais, Bahia, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul — somam 91% de todo desmatamento registrado no país.

Segundo o diretor de conhecimento da SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto, a fundação faz análise de imagens de satélite da Mata Atlântica e dos desmatamentos na tela do computador, de maneira visual. “É uma análise bastante rigorosa. A gente identifica com essas imagens de satélite todos os fragmentos de Mata Atlântica maiores que 3 hectares, que três campos de futebol, e consegue detectar também todos os desmatamentos maiores do que 3 hectares”, contou o diretor.

A situação em Santa Catarina também é acompanhada por meio de um inventário florístico florestal, que desde 2007 faz a análise quantitativa e qualitativa das áreas do Estado. “Nós temos 500 parcelas distribuídas em todo o território. A cada 10 km nas florestas a gente tem um ponto amostral e a gente visita ele a cada cinco anos, para ver qual é a diversidade da floresta, qual o estado dela, qual o diâmetro e o tamanho das árvores, qual é o estoque de biomassa, volume de madeira e faz isso ao longo do tempo para poder ter dados confiáveis sobre esse recurso florestal”, disse o coordenador inventário florístico florestal de Santa Catarina, Alexander Vibrans.

Santa Catarina ainda detém 28% da mata natural em seu território. Já Florianópolis tem 26% de mata nativa, o que representa quase 18 mil hectares e que equivale a quase 23 mil vezes o tamanho de um campo de futebol. Essas áreas, na sua maioria, fazem parte de unidades de conservação.

Florianópolis tem unidades de conservação nos três níveis da federação – Foto: Divulgação/IMA/NDFlorianópolis tem unidades de conservação nos três níveis da federação – Foto: Divulgação/IMA/ND

A superintendente da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis), Beatriz Kowalski, explica que “no território de Florianópolis há unidades de conservação estaduais, como o Parque do Rio Vermelho, e também federais, como a Reserva do Pirajubaé e a Estação Ecológica de Carijós. Nós temos unidades de conservação nos três níveis da federação, tanto municipal e estadual quanto federal”.

O desafio dos órgãos responsáveis por essas reservas está em proteger esses locais. Na capital catarinense, as fiscalizações se concentram em coibir as ocupações irregulares, que são as maiores causadoras de desmatamento na cidade. Em 2020, o plano municipal da mata atlântica formalizou a situação das áreas da cidade, para tentar preservar esse patrimônio natural.

“As unidades de conservação são fundamentais para o controle do território municipal e para a melhoria da biodiversidade. Elas funcionam realmente como pulmões do município. Um dos objetivos mais importantes é a elaboração de um plano de manejo para todas, para que em todas elas nós consigamos definir exatamente quais são os objetivos e melhorar a sua conservação e também a comunicação com o público, que a comunidade consiga conviver nesses espaços de forma sustentável”, completou a superintendente da Floram.

Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.

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BG Florianópolis