Siris são encontrados mortos na Lagoa da Conceição, em Florianópolis

Nesta terça-feira (16), biólogos ligados à UFSC, estiveram no local coletando a água para uma análise. Ainda não se sabe o que provocou a morte dos animais

Siris foram encontrados mortos na beira da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, na região conhecida como a Ponta do Pitoco. A situação deixou os moradores preocupados com uma possível contaminação da água no local.

Siris são encontrados mortos na Lagoa da Conceição, em Florianópolis – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVSiris são encontrados mortos na Lagoa da Conceição, em Florianópolis – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

“Isso está representando algum impacto ecológico. Deve estar acontecendo alguma coisa que está matando esses siris”, disse o morador da Lagoa, Ernesto de Oliveira.

Suzana Luz Cardoso também é moradora da região. Segundo ela, “são muito mortos então está meio estranho. E esses siris que eu vi vivos do outro lado parece que estavam tentando fugir para a prainha”.

Nesta terça-feira (16), biólogos ligados à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), estiveram no local coletando a água para uma análise. O professor e biólogo Paulo Horta disse que, de novo, a Lagoa volta apresentar níveis baixos de oxigênio e que isso também pode implicar na morte de animais.

“Observando a distribuição das concentrações de oxigênio, se identifica áreas com valores muito baixos, consideradas hipóxicas. Isso significa que as concentrações de oxigênio não são suficientes para a manutenção de organismos que têm uma demanda respiratória assim como os jovens dos siris”, explicou Horta.

Segundo o professor, a qualidade da água na Lagoa sofreu um grande impacto depois do rompimento da lagoa artificial no começo deste ano: “Depois do desastre de janeiro, a Lagoa da Conceição foi colocada muito próximo do seu limite ecológico, do seu limite de funcionamento. O que acaba se observando é a eutrofização, um fenômeno que leva ao aumento da respiração de todo o sistema e a produção dessas regiões com baixas concentrações de oxigênio.”

Rompimento de talude da lagoa artificial na Lagoa da Conceição aconteceu em janeiro – Foto: Divulgação/ Alexandre Vieira/Defesa CivilRompimento de talude da lagoa artificial na Lagoa da Conceição aconteceu em janeiro – Foto: Divulgação/ Alexandre Vieira/Defesa Civil

A Floram (Fundação do Meio Ambiente de Florianópolis) encaminhou uma equipe nesta terça-feira (16) até o local. Por enquanto, não se sabe a causa exata da morte dos siris. A superintendente da Floram, Beatriz Kowalski, disse que todas as hipóteses estão sendo apuradas.

“Pode ser algo decorrente até da pesca, de alguma rede que passou por ali e acabou prejudicando os animais. Existe também o fenômeno da Maré Vermelha, que é realmente um aumento de algas em alguns momentos do ano. Ali na Lagoa da Conceição acaba sendo comum e também, eventualmente, alguma contaminação. É isso que nós estamos procurando”, afirmou a superintendente.

A Floram orienta a população para que verifique a balneabilidade da Lagoa da Conceição antes de fazer contato com a água. Desde o rompimento que causou a maior tragédia ambiental na Lagoa, a Fundação tem monitorado o projeto de recuperação de área degradada que vem sendo executado.

De acordo com Beatriz, a Floram tem feito “um trabalho muito intensivo de melhoria da qualidade que traga segurança não só para a população, mas para todo o meio ambiente. Atualmente, está sendo feito inclusive um procedimento de limpeza, porque ali no fundo da lagoa de evapoinfiltração havia muito lodo acumulado. Então, a Casan está fazendo a retirada desse lodo, pra que essa lagoa volte a infiltrar e não se repita qualquer acidente como houve em janeiro”.

A Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) foi procurada pela reportagem do Balanço Geral Florianópolis, mas não quis gravar entrevista. A Companhia informou que não se pode apontar a causa das mortes dos siris sem uma investigação aprofundada pelos órgãos ambientais e disse ainda que segue executando trabalhos para melhorar a qualidade no tratamento de esgoto na região.

Saiba mais na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.

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BG Florianópolis

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