VÍDEO: grupo avista peixes ameaçados de extinção no litoral de SC

Animais foram encontrados enquanto pesquisadores faziam a instalação de um receptor para justamente monitorar os peixes

Oito peixes da espécie “meros”, que está ameaçada de extinção, foram vistos na última semana em São Francisco do Sul, no Litoral Norte de Santa Catarina. Os animais foram encontrados enquanto pesquisadores faziam a instalação de um receptor para, justamente, monitorar os peixes.

Peixes foram avistados na última semana em São Francisco do Sul – Foto: Athila Bertoncini/Projeto MerosPeixes foram avistados na última semana em São Francisco do Sul – Foto: Athila Bertoncini/Projeto Meros

Os pesquisadores fazem parte do “Projeto Meros do Brasil”, que é patrocinado pelo Petrobras. Esta foi a primeira vez em 2021 que o grupo presencia uma agregação reprodutiva da espécie.

Desde 2014, o mero entrou na lista vermelha de espécies ameaçadas pelo Ministério do Meio Ambiente/ICMBio e, em 2016, como globalmente vulnerável de acordo com a União Internacional pela Conservação da natureza. Além disso, em 2015, uma portaria estabeleceu a proibição da captura, transporte e comercialização do peixe em território nacional.

“Flagrar uma agregação já é algo que exige muita sorte, pois temos que estar no local certo, na hora certa. No passado, essas agregações chegavam a reunir centenas de meros, porém, hoje, com a pesca predatória os números foram ficando cada vez menores”, explica Maira Borgonha, gerente geral do projeto.

Em 2012, os pesquisadores já tinham avistado outro cardume na região. Porém, na época, o grupo era composto por cerca de 45 e 50 peixes. Ainda não se sabe se a redução se dá pela extinção ou pelo período de reprodução.

“Agora, março, é o fim do período reprodutivo deles, o que pode justificar esse número menor. Por isso que o monitoramento é tão importante, pois só comparando os dados ano a ano é que conseguimos saber se a espécie está sendo mantida ou segue ameaçada”, explica Áthila Bertoncini, pesquisador do projeto.

Receptor ajudará na identificação da espécie

O registro ocorreu durante a instalação de um receptor de telemetria acústica que, a partir de agora, passará a enviar informações sobre o aparecimento de indivíduos já rastreados pelo projeto naquele ponto de agregação. A técnica consiste na implantação de um marcador (tag) ultrassônico por baixo da pele do animal, que emite um sinal sonoro, que é detectado pelos aparelhos quando próximos dele.

Ao todo, o projeto tem nove receptores instalados entre Santa Catarina e São Paulo. Com os dados, é possível obter informações sobre a movimentação e migração dos meros no litoral brasileiro.

Até o momento foram capturados 20 meros, sendo 11 fêmeas, oito machos e um exemplar de sexo indeterminado. Os tamanhos destes indivíduos variaram entre 95 centímetros e 2,10 metros de comprimento. Este último tinha cerca de 20 anos de idade e pesava aproximadamente 250 quilos.

Desde 2014 a espécie entrou na lista vermelha do Ministério do Meio Ambiente – Foto: Athila Bertoncini/Projeto MerosDesde 2014 a espécie entrou na lista vermelha do Ministério do Meio Ambiente – Foto: Athila Bertoncini/Projeto Meros

O Projeto Meros do Brasil

Criado em 2002 por um grupo de pesquisadores de Santa Catarina, o Projeto Meros do Brasil (PMB) atua hoje em nove estados da costa do Brasil (Pará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina) com o objetivo de garantir a conservação dos ecossistemas marinhos e desta que é considerada a maior espécie de garoupa do Oceano Atlântico.

Devido à destruição de seus habitas, sobrepesca e poluição, atualmente a espécie é considerada Criticamente Ameaçada de Extinção e está protegida integralmente há 18 anos. Desde então, em quase duas décadas de atuação, o PMB consolidou o seu trabalho e tem oferecido os principais subsídios para a recuperação das populações de meros na costa brasileira.

O PMB conta com o patrocínio da Petrobras desde 2006, através do Programa Petrobras Socioambiental. Cobrindo aproximadamente 1.500 quilômetros da costa brasileira, as ações do Projeto levam em conta as particularidades de cada região e são executadas de forma colaborativa entre as equipes de todos os pontos focais.

As atividades estão voltadas para a conservação da biodiversidade através da pesquisa científica, educação, comunicação, cultura e esporte, e buscam envolver as comunidades locais, valorizando o seu conhecimento, e toda a sociedade, promovendo equidade de gênero, inclusão racial e de pessoas com deficiência.

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