Vídeo mostra pesca ilegal no Salto do Yucumã: “perdi a conta no 50”

Polícia investiga a ação criminosa de três homens em área de preservação ambiental , durante o período de Piracema, no rio Uruguai

“Olha aí ó, galera, o que é uma pescaria. Ali é um arrastão, lá em cima o Salto do Yucumã. E olha como se ‘toquemos’ se trajar hoje, tudo camuflado para fingir que é o Ibama (sic). Aquele ali é o matador de peixes do rio Uruguai”, assim é o relato de um dos três pescadores que aparece em um vídeo pescando irregularmente no rio Uruguai

As imagens, registradas pelos próprios pescadores, se espalharam em grupos de WhatsApp. A pescaria teria sido realizada durante o período da Piracema, quando é proibida a pesca de qualquer categoria.

O crime ocorreu próximo ao Salto do Yucumã, a maior queda d’água longitudinal do mundo, com 1.800 metros de extensão. O local é o principal atrativo turístico do Parque do Turvo, uma das primeiras unidades de conservação instituídas no Rio Grande do Sul em 1954.

A área fica ao noroeste do município de Derrubadas (RS), junto ao rio Uruguai, fazendo divisa com Santa Catarina e El Soberbio, província argentina de Misiones

Na imagem aparece o salto do Yucumã com as cascatas caindo água e as pedras. Ao fundo aparece uma montanha e o céu azul claro.Salto do Yucumã – Foto: Secom RS/Divulgação/ND

Crime ambiental

O Comandante do 3ª Batalhão Ambiental da Brigada Militar do Rio Grande Sul, Laudemir da Rosa Gomes, explica que aonde os pescadores estavam é um local de preservação em que os peixes se aglomeram para desova. “A pesca foi feita durante a Piracema e com o agravante de ser em local de preservação ambiental, ou seja, que não permite a pesca em nenhuma época do ano.

Nos vídeos ainda é possível observar que os suspeitos utilizaram roupas com estampa camuflada, com objetivo de despistar a atenção por se semelhar a vestimenta do Ibama. Também é visível que os pescadores capturam uma elevada quantidade de peixes. 

“Se quiser ir contando pode, mas eu perdi a conta no 50. O da ponta é o destruidor de rio. Só para mostrar que os cara aqui não são fraco (sic)“, comenta o homem que está filmando enquanto os outros dois puxam a rede. 

Suspeitos ainda não foram localizados

Segundo o comandante, um BO (Boletim de Ocorrência) foi feito e a polícia investiga o paradeiro dos suspeitos. “As buscas estão sendo feitas por meio de levantamento de dados, inclusive, com base em informações que os próprios pescadores passam nos vídeos”, esclarece.

Gomes ressalta que a quantidade de peixes tirado do rio não é de conhecimento da polícia, mas nos vídeos é possível identificar que se trata de uma porção considerável. “É um enorme dano ambiental em uma área de preservação permanente”.

De acordo com ele, os criminosos estavam bem organizados, uma vez que, aparentemente, conheciam muito bem o lugar. “É um local de difícil acesso, com muitas pedras e correntezas. Somente quem conhece bem a região conseguiria chegar até lá. Eles inclusive sabiam exatamente a embarcação adequada para utilizar”.

Acompanhe as imagens abaixo:

Período da Piracema

Ainda que nos limites do Turvo seja proibido pescar em qualquer época, no período da Piracema a Instrução Normativa nº 193, de 2 de outubro de 2008, que define o Período de defeso na Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai nos estados de Santa Catarine e Rio Grande do Sul, restringe ainda mais a atividade da pesca.

A Piracema ocorre, anualmente, de 1º de outubro a 31 de janeiro e proíbe a pesca na bacia hidrográfica do rio Uruguai, nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O cabo Daniel Panizzon, da PMA (Polícia Militar Ambiental) de São Miguel do Oeste, no Extremo-Oeste de SC, diz que neste período não é permitida a pesca de qualquer categoria, modalidade e petrecho no rio Uruguai, no trecho entre a foz do rio Macaco Branco, em Itapiranga, e o rio Lajeado São Francisco, em Alto Uruguai (RS), que inclui os limites Leste e Oeste do Parque Estadual do Turvo (RS).

Na imagem aparecem quatro policiais da Polícia Militar Ambiental em uma embarcação náutica fiscalizando a pesca durante o período da Piracema. Eles estão com a farda camuflada da PMA e com um chapéu na cabeça. Na embarcação aparece escrito Polícia Militar Ambiental e o brasão da piolícia. Todos eles estão com coletes a prova de balas e um deles está com um fuzil na mão. Eles estão percorrendo o rio Uruguai.Polícia Militar Ambiental fiscaliza a pesca ilegal durante o período da Piracema. – Foto: Polícia Militar Ambiental/Divulgação/ND

“A pesca também é proibida até uma distancia de 1.500 metros das barragens de reservatório de usinas hidrelétricas, cachoeiras e corredeiras e no rio Uruguai, desde a barragem do reservatório da Usina Hidrelétrica de Machadinho até a foz do rio Ligeiro”, explica.

A Piracema também proíbe a pesca de qualquer categoria, modalidade e petrecho até uma distancia de 500 metros dos pontos de confluência de rios, além da realização de competições de pesca na bacia do rio Uruguai.

“A Piracema é o período da desova de peixes que migram para a reprodução e precisam nadar contra a correnteza em uma subida árdua até as cabeceiras dos rios para se reproduzirem. Por isso, a importância das limitações de pesca para a fundamental preservação das espécies de peixes”, acrescenta.

Fiscalizações continuam

Panizzon destaca que após o período da Piracema , a Policia Militar Ambiental, continuará realizando fiscalização dos atos de pesca. Uma vez que tanto pescadores amadores como profissionais deverão estar devidamente licenciados, e portando, no momento da pesca a respectiva licença e documento pessoal de identificação.

“Importante ressaltar que em qualquer época do ano é proibida a pesca praticada a menos de 200 metros de vertedouros, corredeiras  e cachoeiras”, completa.

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