Vômito ‘de ouro’ de baleia: quais as chances da substância fazer um milionário em SC?

Professor da UFSC explica os motivos que fazem o vômito ser tão valioso, e avisa que existem baleias cachalote na costa brasileira; no entanto, "é muito difícil" a substância chegar à praia

A sequência de sortudos na Tailândia que ficaram milionários após “ganhar na loteria” do vômito de baleia levanta o questionamento: há chances de encontrar a substância valiosa nas praias catarinenses?

De acordo com o professor de Ecologia e Zoologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Paulo Simões Lopes, até existem baleias cachalotes – responsáveis por expelir o âmbar cinza – na costa brasileira, mas há um fator geográfico que tem grande influência no assunto.

Vômitos de baleia deixa milionários na Tailândia – Foto: Reprodução/Montagem/NDVômitos de baleia deixa milionários na Tailândia – Foto: Reprodução/Montagem/ND

Em primeiro lugar, temos que entender o motivo de um vômito ser tão valioso assim. Os casos na Tailândia deixaram um catador de lixo, depois um grupo de pescadores de tainha, e por fim uma dona de casa milionários. A última, Siriporn Niamrin, de 49 anos, ficou com um valor de aproximadamente R$ 1,5 milhão.

“Não é exatamente um vômito, é um produto do intestino desses bichos, chamado âmbar cinza”, esclarece Paulo Simões Lopes.

“No passado, os perfumes do mundo inteiro precisavam desta substância, que funcionam como um fixador. É claro que, hoje em dia, esse processo é feito de maneira artificial, porque não tem como depender da digestão de baleias para todos os perfumes do mundo. Mas essa substância ainda é muito valiosa para quem fabrica perfumes caros, porque é rara”, complementa o professor, membro do LAMAQ (Laboratório de Moluscos Marinhos).

O âmbar cinza é produzido pelas baleias cachalotes. Simões explica que isso acontece porque esse animal se alimenta de lulas gigantes, que proporcionam a criação da substância.

“Essas lulas têm um biquinho, e na digestão da cachalote sobra a estrutura daquilo, que não é totalmente digerido”.

Chances de encontrar o vômito de baleia em SC

O professor Paulo Simões Lopes afirma que, durante sua experiência na área, já viu muitas baleias cachalote na costa brasileira.

No entanto, a substância valiosa é muito rara de ser encontrada nas praias do país e de Santa Catarina. Isso se deve a uma condição geográfica.

“Em toda aquela costa entre a Tailândia e o Japão, existe uma costa abissal, o oceano é muito fundo pertinho da praia, ele desce verticalmente. E as baleias cachalotes gostam desse oceano fundo, então por lá elas acabam transitando muito perto da areia. Dessa forma, quando o âmbar cinza flutua, ele acaba, por vezes, indo parar na praia”, salienta Simões.

No nosso caso, a formação é diferente, como completa o professor.

“Aqui onde estamos, é muito mais difícil essa substância aparecer. Isso porque elas ficam a uma distância de mais de 180 km da costa, não tem baleias cachalotes mais perto. É uma viagem grande, o que torna essa chegada muito mais difícil”, conclui.

Os “ganhadores da loteria” na Tailândia

O caso mais recente foi da dona de casa Siriporn Niamrin, de 49 anos. Ela encontrou um grande bloco de vômito de baleia na província de Nakhon Si Thammarat, na Tailândia.

“Foi sorte encontrar uma peça tão grande. Espero que me traga dinheiro. Estou mantendo-o seguro em minha casa e pedi ao conselho local uma visita para verificá-lo”, disse Siriporn ao The Sun.

Vômito de baleia faz de uma dona de casa milionária – Foto: ReproduçãoVômito de baleia faz de uma dona de casa milionária – Foto: Reprodução

Em 2019, o sortudo da vez foi um catador de lixo, que encontrou o vômito enquanto “garimpava a praia”.

Catador de lixo mostra a fonte de sua fortuna – Foto: ReproduçãoCatador de lixo mostra a fonte de sua fortuna – Foto: Reprodução

Já no início de 2021, um grupo de pescadores de tainha percebeu uma forma branca no meio das ondas, em direção à praia, enquanto empurrava o barco para a doca. Chalermchai Mahapan encontrou um pedaço de vômito de baleia, avaliado em até R$ 1,2 milhão.

“Eu não tinha ideia do que era essa coisa até que perguntei aos aldeões idosos aqui que me informaram sobre o âmbar gris”, disse Mahapan ao Daily Mail.

Uma amostra da pedra foi enviada a um laboratório, que confirmou a composição da matéria. “Sinto-me muito sortudo por tê-lo encontrado”, celebrou o agora milionário Mahapan.

Chalermchai Mahapan, de apenas 22 anos, ficou rico de dar nojo – Foto: ReproduçãoChalermchai Mahapan, de apenas 22 anos, ficou rico de dar nojo – Foto: Reprodução
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