Daniel e sua casa de guerreiros lutadores

Rogerio da Silva/ND

Daniel (D) sonha em lutar fora do país

     Daniel Campestrini luta por um sonho: sua primeira viagem ao exterior para a disputa de uma competição profissional em Sanda, uma modalidade chinesa de artes marciais ainda pouco difundida no Brasil. Ela reúne kickboxing, boxe e luta olímpica e também é chamada de Sanshou. O destino escolhido é a Finlândia no primeiro semestre de 2012. Enquanto acerta os detalhes do contrato para os duelos na Escandinávia, ele segue sua batalha em busca de espaço no cenário nacional do MMA (sigla em inglês que significa Artes Marciais Misturadas).

     Com uma dedicação impressionante às lutas, Daniel pratica boxe, kickboxing, jiu-jítsu e muay thai e coordena um projeto social na Escola Estadual Olavo Bilac, em Pirabeiraba, onde ensina 25 crianças e adolescentes de 10 a 17 anos as técnicas das mais diversas lutas. Em novembro passado, Daniel e sua equipe disputaram uma competição em Biguaçú, na Grande Florianópolis. Como treinador, ele viu seus pupilos voltarem para casa com três medalhas. Um ouro, com Alexei Henriqueto e dois bronzes, com Maurício dos Anjos e Luiz dos Anjos.

     Em 2007, Daniel chegou a treinar com a equipe Gracie, uma das mais renomadas academias de jiu-jítsu no Brasil e agora mantém na cidade a equipe Giudice Team, cujo local de treinamento fica num espaço logo acima da arquibancada do ginásio da Escola Olavo Bilac, em Pirabeiraba.

     Para realizar seu sonho de lutar pela primeira vez como profissional fora do país em 2012, ele depende de patrocinadores, por causa dos custos de viagem, alimentação, hospedagem e inscrição. A primeira destas lutas será em fevereiro. Daniel corre contra o tempo e caso consiga apoio, embarca para a Finlândia, caso contrário, tentará mais uma vez em junho, no mesmo local. “Ainda está difícil conseguir patrocínio. Tenho o auxílio da Rádio Pirabeiraba (emissora comunitária da região), mas ainda não é suficiente”, garante.

Casa de guerreiros

     O mesmo espaço onde treinam atletas de um nível técnico mais apurado, também serve de base para novos talentos das artes marciais. O ginásio da Escola Olavo Bilac, em Pirabeiraba, tem um cantinho destinado ao projeto “Warrior House”, que significa “casa de guerreiros”, onde cerca de 30 crianças aprendem técnicas de artes marciais.

     Daniel é o coordenador do projeto, que conta com o apoio da comunidade e tem por objetivo, além da prática desportiva, a disciplina e incentivo aos estudos. “Para participar tem que apresentar as notas”, garante Campestrini, ao reforçar a obrigatoriedade do bom desempenho escolar como premissa básica para continuar freqüentando as aulas.

     Atualmente, as aulas são realizadas apenas na escola Olavo Bilac, mas há a ideia de se estender o programa para outras escolas da região rural de Pirabeiraba, como da Estrada Mildau. Para participar, não há custo algum para os alunos. O material de treinamento, como luvas, protetores e uniformes são fornecidos gratuitamente por meio de uma parceria com empresários e lideranças políticas locais.

     Outro requisito é o acompanhamento dos pais, que são convidados a assistir aos treinamentos semanalmente e acompanhar a evolução técnica e pessoal de seus filhos a fim de estabelecer um ambiente familiar e tornar a prática esportiva de modalidades tidas como violentas, mais acolhedora. Quem quiser participar pode se dirigir à Escola Estadual Olavo Bilac, em Pirabeiraba a partir do dia 27 de fevereiro, quando as aulas na escola e na “Warrior House” recomeçam.

Rogerio da Silva/ND

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