Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Ex-miss Florianópolis faz sucesso no ramo de semijoias em todo o Brasil

Ex-miss Florianópolis desistiu do ramo da hotelaria e turismo, investiu em moda e criou uma marca de semijoias presente em todas as regiões do Brasil e em diferentes continentes

Blanca Soares estreia as semijoias de sua marca no festival Bossa Market, em Estoril, Portugal, em 2019 – Foto: Divulgação/ND

Gaúcha de Pelotas, ela veio morar na Ilha em 1998 para estudar hotelaria e turismo. No ano seguinte, trabalhando no antigo Golden Bingo, foi surpreendida com o convite para representar Florianópolis no concurso Miss Santa Catarina, o que resgatou sua paixão pela moda, adormecida desde que desistira da carreira de modelo. Em 2000, mudou-se para o interior paulista e, depois, para a capital, onde formou-se em moda e criou uma marca de semijoias que se espalharam pelo Brasil e pelo exterior.

Tua passagem pela Capital foi rápida, mas marcante: chegaste em 1998, te tornaste miss Florianópolis em 1999 e foste embora em 2000. Como foi o período em que moraste aqui?

Após concluir os estudos, decidi abandonar a carreira de modelo e artística no Rio Grande do Sul e mudar completamente de vida. Sendo assim, meu sonho começou a se concretizar. Com a ajuda da minha mãe, mudei para a cidade dos sonhos, Floripa! Fui morar em Canasvieiras, com o propósito de fazer a faculdade de hotelaria e turismo. Trabalhei em duas empresas, Praiana Enxovais e Golden Bingo. Meus dias eram muito corridos, praticamente sem tempo para nada. Como hoje em dia (risos).

Bárbara Erig Gieseler (à esq.), miss Florianópolis e miss SC 1998, oficializou a passagem de faixa à miss Florianópolis 1999, Blanca Soares, em outubro, no aniversário do Lira Tênis Clube – Foto: Giovani Lorenzen/Reprodução/A Notícia/ND

Como te tornaste miss Florianópolis 1999?

Eu trabalhava no Golden Bingo, como operadora de caixa, e uma grande amiga do Moacir [Benvenutti, colunista social] e cliente do bingo, apresentou-me a ele. Falou da minha trajetória como modelo no Sul, na Elite Models, onde fui finalista da minha cidade (Pelotas) do concurso The Look Of The Year. Moacir, com toda aquela classe, dirigiu-se a mim e falou: “você tem o perfil para o que eu estou procurando”. Fiquei supercuriosa.

No dia seguinte, ele entrou em contato comigo e explicou-me que organizava o Miss Santa Catarina, e queria muito que eu participasse. Na hora, tive aquele sentimento de alegria, mas respondi de imediato que já havia abandonado a carreira de modelo e estava focada nos estudos. Moacir, então, falou que eu tinha muitas chances e insistiu.

A tão sonhada noite chegou, me tornei a miss Florianópolis 1999. Uma mistura de sentimentos tomou conta de mim. Parecia que eu estava sonhando acordada. Tornar-me miss Florianópolis foi muito gratificante pelo fato de eu ser de outra cidade e de outro Estado. Foi importante mostrar para muitas meninas que é possível realizar um sonho e, assim, orgulhar a terra e o povo que eu tanto amava e tinha admiração. Serei eternamente grata pela oportunidade que o Moacir me deu. Ele era uma pessoa incrível.

Blanca Soares estampando a cobertura do Baile da Cidade (Vermelho e Preto), no Carnaval 1999 do Paula Ramos Esporte Clube, publicada na revista “Manchete”  – Foto: Reprodução/Manchete/ND

Foi a faixa de miss que resgatou o teu dom para a moda?

Sim, a faixa de miss despertou em mim ainda mais a paixão que sempre tive por moda, deixando para trás aquela carreira que eu tinha planejado na área de turismo.

Misses costumam dizer que sonhavam com isto. Era o teu caso? Como foi o teu reinado?

Ser miss sempre foi um sonho de infância, me encantava ao vê-las pela televisão. Acreditas que eu treinava aquele tchauzinho de miss, brincando quando era criança (risos)? Representar Florianópolis foi muito especial, pelo povo, pela cultura, pelo folclore e por todos seus valores e belezas infinitas. Participei de diversos eventos representando a sociedade florianopolitana, fizemos ações filantrópicas, viajei bastante pelo Estado de Santa Catarina e Brasil.

Da esq. para dir.: Grace Martins (Balneário Camboriú), Blanca Soares (Florianópolis) e Isabele Fischer (Itapema), respectivamente, com os trajes típicos mais luxuoso, mais original e mais criativo do Miss SC 1999, realizado em novembro, no Centreventos Cau Hansen, em Joinville – Foto: Giovani Lorenzen/Reprodução/A Notícia/ND

Para onde tua vida seguiu quando foste embora de Florianópolis?

Tive duas propostas de trabalho ao mesmo tempo: uma, para trabalhar como modelo no Japão; outra, da empresa que eu trabalhava, para morar em Ribeirão Preto (SP) e inaugurar a nova filial do Golden Bingo. Rapidamente, optei pela segunda, pois era uma grande oportunidade de crescimento profissional e financeiro. Logo em seguida, fui morar em São Paulo.

Já morando na capital paulista, foste estudar moda, área diferente da tua primeira formação (hotelaria e turismo). Sentias que era um bom mercado para atuares?

São Paulo sempre foi um lugar de oportunidades, e a moda sempre me despertava uma grande paixão. Resolvi, então, fazer a minha segunda faculdade, de moda, na FMU (Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas), me identificava muito mais que a hotelaria e turismo

Criaste uma marca de semijoias com o teu nome, em 2008. Como foi este início?

Precisava de uma renda para pagar a faculdade. Comecei a criar alguns modelos de semijoias para amigas. Vi que tinha uma ótima aceitação. Muitas pessoas me ajudaram e incentivaram nesse início, e serei grata eternamente. Criei a minha primeira marca, Blanca Soares Semijoias, e participei de diversos bazares nos melhores clubes paulistanos: Hebraica, Pinheiros, Paulistano e Paineiras.

Posando com a coleção Capri, na Itália – Foto: Umberto D’Aniello/Divulgação/ND

De que forma as peças foram se espalhando pelas lojas do Brasil?

Diante do sucesso que minhas criações faziam, eu almejava algo maior, praticamente impossível, mas sempre sonhei grande. Queria ganhar o mundo (risos). Foi então que decidi que iria atuar no ramo atacadista. Tive ajuda de uma grande amiga, que acabou se tornando sócia nessa nova etapa. Participamos da nossa primeira feira atacadista em São Paulo e, mais uma vez, não tive dúvida que estava no caminho certo. Foi um sucesso! Vendemos para lojistas de diversos lugares do Brasil. Gratidão definia.

Em 2012, o nome da marca mudou para Blanca Leone. Por que esta decisão?

Em 2012, resolvi seguir uma etapa sem sócios. Queria mudar, fazer algo novo, ser livre para colocar minhas ideias em prática e continuar crescendo (todo designer é sonhador). Após assistir ao filme “O Incrível Exército de Brancaleone”, identifiquei-me muito com a sonoridade e semelhança do nome e com a história do filme, pois venciam todas as batalhas. Um exército infalível. Fiz um posicionamento em branding, mudei a marca para Blanca Leone Jewelry.

Blanca leva semijoias brasileiras à feira Bijorhca Paris, na França – Foto: Divulgação/ND

Costumas participar de feiras internacionais. Em quais países já estiveste? Como os estrangeiros veem as semijoias brasileiras?

Minhas criações, por serem elaboradas artesanalmente, com um design diferenciado e qualidade, me proporcionaram participar e expor em feiras internacionais renomadas de grandes designers, tais  como: Bijorhca Paris, Homi Milano (Milão), Acessory The Show (Nova Iorque), JIS Miami, JCK Las Vegas, Istambul Jewelry Show, Hong Kong Jewelry. Os estrangeiros amam o nosso trabalho, e valorizam muito. Tive uma ótima aceitação.

Onde mais as tuas peças estão hoje?

Exportamos para diversos países: Bélgica, Emirados Árabes, Espanha, Suíça, França, Itália, Estados Unidos, Equador, Grécia, Costa Rica, Panamá e, há um ano, abri minha primeira empresa internacional, em Portugal. Agora, temos a Blanca Leone Portugal.

Todos elas são desenvolvidas por ti?

Todas as peças são criadas por mim. Busco, primeiramente, uma inspiração, e logo já idealizo o que quero, começo a fazer um esboço, escolho as combinações de cores, pois trabalhamos com muitas matérias-primas, desde pedras naturais a cristais. Banhamos a ouro os metais e confeccionamos a peça-piloto para começarmos a produção.

Foto: Umberto D’Aniello/Divulgação/ND

Quantas pessoas trabalham na tua empresa?

Na oficina, 50 pessoas, pois nossas peças são todas feitas a mão, nosso trabalho é bem artesanal. No showroom, quatro pessoas.

Criaste recentemente uma coleção chamada “Feelings”, que dizes ser especial. Por quê?

“Feelings” é uma coleção que traduz alguns sentimentos diante dessa pandemia e isolamento, onde o amor se tornou o sentimento de maior valor, energia, equilíbrio, sorte, felicidade, dor, saudade… Representei em palavras gravadas em moedas nas pulseiras, em cores, em amuletos, em pingentes, enfim, cada peça carrega um sentimento diferente e também foram feitas com muito amor e apreço.

Neste ano, fizeste uma experiência em design de roupas. Irás expandir para este nicho?

Eu inaugurei, recentemente, o showroom Blanca Leone Exclusive, de varejo e atacado, em Moema, bairro onde eu moro e startei mais uma modalidade, que são as roupas. Desde a faculdade, sonhava em montar uma confecção, mas, como a empresa de semijoias estava em ascensão, resolvi adiar esse sonho. Pretendo, sim, expandir, pois moda e acessórios caminham juntos e são um mercado promissor.

Há quanto tempo não vens a Florianópolis? Planos de voltar, investir na Ilha?

Faz muito tempo que não consigo ir para Florianópolis. Minha vida durante os últimos 15 anos ficou muito corrida e a agenda lotada de viagens. Pretendo voltar em breve. Tenho muitas saudades desse lugar especial, que fui tão feliz e guardo no coração. Quem sabe um dia eu abro uma filial da Blanca Leone e volto a morar nessa tranquilidade de cidade de frente para o mar (“sonho meu…”).