Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Jovem com cicatrizes faz sucesso em campanhas nacionais de moda e publicidade

O rosto da modelo de Santa Catarina se tornou conhecido em pouco tempo no país todo, e ela quer mais

Um acidente de carro junto com a avó, a irmã mais velha e o irmão mais novo, próximo a Joinville, no Norte catarinense, quando a família se mudava de Curitiba para Florianópolis, marcou o rosto da menina de nove anos, que cresceu admirando o mundo da moda, mas sem alimentar o sonho de fazer parte dele.

Hoje, aos 23, foram justamente aquelas marcas que a alçaram à então improvável – e comentada – carreira de modelo. O assunto rendeu até entrevista no “Fala Brasil” da última terça-feira (15).

Giulia Dias estava sendo preparada pela agenciadora Andréa Damiani, que já a conhecia fazia um bom tempo, desde o ano passado, quando radicalizou o visual: raspou e descoloriu os cabelos castanhos claros, expondo de vez a cicatriz.

Estudante de secretariado executivo na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e de relações internacionais na Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), área que pretende atuar no futuro, ela está estourando pelo país na campanha de uma gigante dos cosméticos.

Além deste, a bela de 1,75 metro e chamativos olhos azuis já participou de outros trabalhos nacionais, e há mais sendo executados ou engatilhados pra breve.

Ao contrário do comum a muitas modelos, Giulia não tem preocupação em praticar atividades de risco, como se aventurar sempre que pode sobre a prancha de um skate, esporte que seus pais transformaram em marca e loja quando ela era criança.

Giulia Dias raspou e descoloriu os cabelos para se tornar modelo – Foto: Lúcio Almeida/Divulgação/NDGiulia Dias raspou e descoloriu os cabelos para se tornar modelo – Foto: Lúcio Almeida/Divulgação/ND

Tinhas cabelos longos, que escondiam a cicatriz. Hoje, eles são bem curtos, deixando o rosto ostentar a marca. Como se deu a “virada de chave”, tornar o que incomodava em algo positivo?

Nunca tive problema com minhas cicatrizes. Mas, de forma involuntária, usava muito o cabelo no rosto. Quando raspei, no começo da pandemia, foi uma libertação total de crenças limitantes. Acho que o que motivou foi a incerteza do que estava por vir e uma inquietação interna com o que estava acontecendo no momento. Foi maravilhoso, uma sensação de libertação total, me senti mais empoderada, segura de mim mesma e mais resiliente ainda!

Ser modelo era um desejo de menina que, talvez, consideravas impossível?

Sempre fui apaixonada pela moda. Desde criança, achava algo glamuroso. Era mais um sonho do que desejo, porque acreditava que esse mundo não tinha espaço para mim, por não ter um corpo “padrão” e ter as cicatrizes.

“Nunca tive problema com minhas cicatrizes” – Foto: Sher Santos/Divulgação/ND“Nunca tive problema com minhas cicatrizes” – Foto: Sher Santos/Divulgação/ND

As marcas do acidente fizeram te sentir excluída deste sonho. Anos depois, foram exatamente elas que te incluíram nele…

Eu sempre tive comigo que o meu propósito de vida era algo grande, e que em um momento iria descobrir o que seria, mas nunca pensei que fosse como modelo. Agora, vejo que as cicatrizes me trouxeram em um patamar da minha vida que estou influenciando e representando muitas pessoas, e estou bem feliz!

Como a oportunidade de modelar chegou?

A Andréa Damiani entrou em contato comigo no começo da pandemia porque estava abrindo a agência digital dela, e me chamou para participar do casting. Eu aceitei, mas disse que ia raspar o cabelo antes, e ela amou. Começamos a trabalhar juntas e, em seguida, ela me apresentou para a minha agência de São Paulo, a Way.

Giulia, hoje, é agenciada em Florianópolis e em São Paulo – Foto: Amanda Mercer/Divulgação/NDGiulia, hoje, é agenciada em Florianópolis e em São Paulo – Foto: Amanda Mercer/Divulgação/ND

Mesmo com pouquíssimo tempo neste meio, já figuras em campanhas nacionais. Como está a repercussão? Isto te surpreende, assusta?

A repercussão está muito boa. Recebo muitas mensagens de pessoas falando como se sentem inspiradas em mim e representadas. Eu fico muito feliz. Não estou assustada, acho que a ficha tá caindo ainda.

Quais foram os teus trabalhos até agora?

Eu comecei com uma marca local de Floripa, de lingeries, a Violet. Em seguida, fui pegando alguns trabalhos mais fotográficos. Aí, fiz uma campanha para a Dakota Calçados e duas para a Avon. Recentemente, fiz RCHLO (Riachuelo)/Midway e, em Brusque, fotografei para a Booq.

Carreira está em rápida ascensão – Foto: Felipe Valim/Divulgação/NDCarreira está em rápida ascensão – Foto: Felipe Valim/Divulgação/ND

A Avon acaba de lançar uma campanha superfalada, reunindo mulheres fora do padrão para a moda (a gorda, a trans, a idosa, a grávida, com deficiência, com cicatrizes) e na qual apareces com destaque. O que vocês, modelos, estão afirmando ali?

Estamos transmitindo uma mensagem de representatividade e empoderamento, que não são nossas características físicas que vão definir quem somos e o que podemos ser. Queremos mostrar que todos os corpos e tipos de pessoas podem e devem ser representadas no mundo da moda.

Assista abaixo ao comercial da Avon:

Apesar de ser tudo ainda recente, acreditas que podem surgir convites para trabalhos no exterior? Almejas isto?

Eu espero que todo meu trabalho e dedicação possam, sim, me render trabalhos fora do país, mas quero marcar bastante o mercado nacional antes.

É comum modelos e misses criarem ou se envolverem em iniciativas humanitárias ou de inclusão social. A ideia te atrai?

Sim, quero muito criar o meu próprio projeto social. Enquanto essa meta não for realizada, vou ajudando outras ONGs e pessoas da forma que posso.

“Não são nossas características físicas que vão definir quem somos e o que podemos ser” – Foto: Hudson Rennan/Divulgação/ND“Não são nossas características físicas que vão definir quem somos e o que podemos ser” – Foto: Hudson Rennan/Divulgação/ND

Estás conseguindo conciliar a agenda de modelo com as faculdades? Pretendes ainda trabalhar nas áreas que escolhestes estudar?

Tento sempre me organizar com antecedência em relação à entrega de provas e trabalhos, para que nada acumule e me atrapalhe. A ideia é, sim, terminar as faculdades, mas, enquanto eu estiver colhendo bons frutos como modelo, pretendo continuar na carreira. Mas quero em algum momento da minha vida trabalhar na aérea acadêmica de relações internacionais.

Continuas andando de skate?

Ando de skate desde que me conheço por gente (hahaha). Tento andar pelo menos uma vez na semana. A minha família vive do skate desde sempre. Meus pais têm uma marca, a Drop Dead. Às vezes, trabalho com eles em eventos e começos de coleções de roupas. Então, é mais uma paixão do que somente uma prática esportiva. Meu pai e meu irmão também andam.

Giulia não deixa de fazer suas manobras no skate, sua paixão – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/NDGiulia não deixa de fazer suas manobras no skate, sua paixão – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/ND
Acidente automobilístico na infância deixou marcas também na barriga – Foto: Hudson Rennan/Divulgação/NDAcidente automobilístico na infância deixou marcas também na barriga – Foto: Hudson Rennan/Divulgação/ND
Giulia Dias – Foto: Junior Becker/Divulgação/NDGiulia Dias – Foto: Junior Becker/Divulgação/ND

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Loading...