Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Mexicana Andrea Meza vence o 69° Miss Universo

A brasileira Julia Gama ficou em segundo lugar, posição que o país não alcançava desde 2007

A mexicana Andrea Meza, 26 anos, é a nova miss Universo. O anúncio foi feito perto da meia-noite (horário de Brasília) deste domingo (16), após quase três horas de evento no Seminole Hard Rock Hotel & Casino Hollywood, na Flórida, Estados Unidos.

Modelo, engenheira de software e embaixadora oficial do turismo de sua cidade-natal, Chihuahua, ela terá o reinado mais curto da história do concurso, sete meses apenas, já que a 69ª edição não pôde ser realizada em 2020 por causa da pandemia e a 70ª ocorrerá em dezembro deste ano.

A morena de cabelos castanhos e 1,80 metro de altura é veterana em competições de beleza, tendo disputado títulos dentro e fora do México desde 2016. Ela já era apontada pelo público como uma das favoritas quando começou a divulgação das 74 candidatas de todos os continentes.

Esta é a terceira vez que o país conquista a coroa de miss Universo (a atual, uma joia estimada em US$ 5 milhões), apesar de concorrer desde a primeira edição, em 1952, e ter sediado o evento por quatro vezes: 1978 (Acapulco), 1989 (Cancún), 1993 e 2007 (Cidade do México). A primeira mexicana eleita foi Lupita Jones, em 1991, e a segunda, Ximena Navarrete, em 2010.

A mexicana Andrea Meza sendo coroada miss Universo 2020 pela antecessora, a sul-africana Zozibini Tunzi – Foto: Reprodução/Redes sociais/Divulgação/NDA mexicana Andrea Meza sendo coroada miss Universo 2020 pela antecessora, a sul-africana Zozibini Tunzi – Foto: Reprodução/Redes sociais/Divulgação/ND

Brasil: segundo lugar

A representante brasileira, Julia Gama, 27 anos, ficou em segundo lugar. As apostas nela vinham crescendo no decorrer da semana por sua desenvoltura e beleza plástica, que passaram a se sobressair já na chegada aos Estados Unidos e confirmadas nas etapas preliminares desde quinta (traje típico e entrevista) e sexta-feira (traje de gala e de banho).

Gaúcha de corpo esculpido, comunicativa, poliglota (português, inglês, espanhol e mandarim), com completo domínio de palco, de câmeras e de plateia, foi rápida e segura ao formular a resposta à entrevista e o discurso da etapa final em inglês fluente, ambos com tempo máximo de 30 segundos. Provavelmente, era a mais bem preparada para vencer.

Em ordem aleatória, ela foi a 16ª das 21 chamadas (eram 20 até 2019) na primeira peneira da noite e a última das 10 semifinalistas, da qual cinco foram para a final. Tem sido assim com a misses brasileiras, anunciadas quando restam poucas ou apenas uma vaga, deixando o público daqui com o coração na mão.

O Brasil ganhou o Miss Universo apenas duas vezes – em 1963, com a gaúcha Ieda Maria Vargas, e em 1968, com a baiana Martha Vasconcellos – e chegou ao segundo lugar em seis edições: 1954, com a baiana Martha Rocha; 1957, com a amazonense Terezinha Morango; 1958, com a fluminense Adalgisa Colombo; 1972, com a gaúcha Rejane Goulart; 2007, com a mineira Natália Guimarães; e, agora, com Julia Gama.

Confira o desfile individual de Julia Gama em traje de gala:

O espetáculo

Tirando alguns fatos relevantes, como o concurso de 2020 ter sido realizado em 2021; de o título ter ficado mais de um ano e cinco meses (o reinado mais longo) com a mesma miss, a sul-africana Zozibini Tunzi; de a miss Curaçao, Chantal Wiertz, ser autista; de a miss Costa Rica, Ivonne Cerdas, ser disléxica; da presença apenas das delegações na plateia; e de todas as candidatas eliminadas terem aparecido de máscaras para o encerramento, não houve nada de muito extraordinário.

Chamaram a atenção a estreia de Camarões e a ausência da Alemanha (depois de 52 anos); o predomínio das morenas e negras (as de cabelos claros, olha lá, chegavam a um quinto do total); o júri totalmente feminino; as mensagens engajadas pelos direitos de igualdade de gênero, de liberdade política, pela saúde mental e contra o assédio sexual; a capa transparente e desnecessária para o desfile de biquíni; e a força das latinas:

-Onze das top 21: Argentina, Austrália, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Curaçao, Estados Unidos, Filipinas, França, Grã-Bretanha, Índia, Indonésia, Jamaica, México, Mianmar, Nicarágua, Porto Rico, Peru, República Dominicana, Tailândia e Vietnã (escolhida pelo público na internet).

-Sete das top 10: Austrália, Brasil, Costa Rica, Índia, Jamaica, México, Porto Rico, Peru, República Dominicana e Tailândia.

-Quatro das top 5: Brasil, Índia, México, Peru e República Dominicana.

O evento continua sendo um belo espetáculo, acompanhado por gente do mundo todo, cada vez mais formatado como programa de TV, em tempo calculado, usando de clipes pré-editados em detrimento de etapas ao vivo, o que alongaria demais a apresentação.

Neste ano, a transmissão foi conduzida pelo ator Mario López e pela miss Universo 2012, Olivia Culpo, e teve participação do cantor porto-riquenho Luis Fonsi, vencedor do Grammy, antes do resultado final.

Assista abaixo o momento do anúncio da vencedora:

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