A invicta Kinberly

Campeã. Joinvilense é uma das melhores lutadoras de muay thai do Brasil

Fotos Luciano Moraes/ND

Chutes e socos. Kinberly trreina na academia Junior Aguiar Team 

Em 2010, quando começou a praticar muay thai profissionalmente, Kinberly Novaes estabeleceu suas metas, como exige a disciplina de qualquer arte marcial. Dois anos depois, talvez nem ela imaginasse chegar a uma marca como a que ostenta: ainda não foi derrotada uma vez sequer. “Confesso que quase vi essa marca cair na última competição, quando venci por nocaute uma luta praticamente perdida por pontos, a vinte segundos do final”, diz Kinberly, referindo-se ao Golden Girls 5, disputado no dia 27 de maio em Curitiba, envolvendo as oito melhores lutadoras do ranking profissional até 55 kg (a categoria de Kinberly, que já chegou ao grau azul). Além do troféu de campeã, ela trouxe uma moto como prêmio.
Nascida em Joinville em 1991, irmã do meio de outras duas, ela nem imaginava fazer carreira sobre um ringue ou num tatame. Influência da família não havia: “Minha irmã mais velha, Jéssica, foi dançarina e é quase formada engenheira; a mais nova, Vitória, faz o ensino médio”. O pai, Rogério Novaes, é engenheiro e foi candidato a prefeito e a governador pelo Partido Verde. Na verdade, Kinberly só foi parar num ringue a convite de uma amiga que lutava. “Fui, gostei e não larguei mais.” Lá se vão quatro anos desde a primeira luta amadora, sempre na academia Junior Aguiar Team (Junior foi Perfil em agosto do ano passado).
Em sua primeira competição como amadora, em Jaraguá do Sul há quatro anos, Kinberly começou perdendo duas lutas. Porém, após passar para o profissional, foi enfileirando vitórias e subindo de grau, comprovando que as artes marciais realmente são sua vocação – e profissão. “Eu me realizo quando estou no tatame, treinando, ou no ringue, lutando. Também pratico kick boxing, MMA e jiu-jitsu pela Impacto Team.” MMA, do inglês mixing martial arts, ou artes marciais mistas, é hoje a categoria mais popular do vale tudo, e onde despontam lutadores brasileiros como Anderson Silva, Royce Gracie, Júnior Cigano e Vitor Belfort. Foi nesta especialidade, por sinal, que Kinberly conquistou a vitória que considera mais expressiva – em casa. “Foi no Nitrix Champion Fight 8, disputado em setembro do ano passado em Joinville. Venci Jéssica Andrade, que até então estava invicta”, orgulha-se Kinberly.

Kimberly, ao vencer o 11º Nitrix Fight Championship, realizado em maio no Centreventos

Eu me realizo quando estou no tatame, treinando, ou no ringue, lutando. Também pratico kick boxing, MMA e jiu-jitsu pela Impacto Team.”

 

Família na torcida
A lutadora vem enriquecendo o currículo com conquistas: é a primeira em sua categoria no ranking brasileiro; foi campeã sul-americana e melhor atleta no ano passado, no Paraguai; ganhou o Pan-Americano de 2010, em Guarujá (SP); foi campeã mundial na Tailândia em 2010 e na Macedônia, no ano passado.
Outra grande vitória foi doméstica: “No início, meu pai não escondia o receio em me ver subir no ringue. Mas agora, além de apoiar, ainda carrega toda a família para torcer por mim”. Para retribuir, Kinberly é filiada ao Partido Verde e ajuda no que for possível nas campanhas de Rogério Novaes.
No dia da entrevista, Kinberly ostentava um olho roxo, além de manchas da mesma cor nas pernas, lembranças dolorosas da vitoriosa campanha no Golden Girls. As contusões, porém, não estão entre suas principais preocupações: “Nunca tive lesões graves, e as manchas logo desaparecem”. Mas o toque feminino logo aparece: “Se der, aplique um photoshop nas manchas”.
A campeão também não se esquece de agradecer às pessoas que a ajudam a colecionar títulos: os mestres Junior e Juliana da Junior Aguiar Team; Ricardo Ferreira, da Impacto; o preparador físico João Rosário e todos os demais praticantes de artes marciais que lutam com ela e colaboram nos treinos – realizados de segunda a sábado, em diversas academias, intercalados com aulas que a professora Kinberly ministra, de muay thai e boxe. Ah, sim, a vida afetiva vai tão bem como a carreira. “O Rodrigo é um grande apoiador”, garante, apontando para o namorado, já preparado para acompanhá-la no tatame.

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