Guilherme Tadeu Uliana, o “Bigode”, descobriu no muay thai um novo rumo para a vida

Ele defende a disciplina no tatame e na vida como chaves para o sucesso

“Respeitar”, a palavra que inicia os cinco primeiros “mandamentos do muay thai”, é o verbo que Guilherme Tadeu Uliana mais procura conjugar na vida, seja no tatame, em treinos, competições e dando aulas, seja na vida em família e, acima de tudo, na sociedade. “Como em todas as artes marciais, também no muay thai aprendemos a demonstrar respeito, manter disciplina, bons hábitos de saúde e amor pelo esporte. Desde que decidi tornar esta modalidade meu ganha-pão, sigo os mandamentos à risca”, garante “Bigode”, como é conhecido nos meios esportivos o atleta e professor.

Fabrício Porto/ND

Aos 23 anos, Guilherme já foi tricampeão catarinense, brasileiro e sul-americano, entre amador e profissional

Natural de Joinville, aos 23 anos Guilherme já coleciona diversos títulos no esporte. Na infância, porém, dedicava-se às atividades corriqueiras de qualquer guri, jogando bola e se divertindo com os amigos no bairro Saguaçu, em que se criou. Do Colégio Adventista foi para o Senai, onde concluiu o ensino médio com o diploma de técnico em usinagem. “Cheguei a trabalhar um ano numa empresa de usinagem, como operador de máquina CNC. Mas a experiência só serviu para ter certeza de que aquela não era minha vocação”, admite.

Guilherme já gostava de “brincar de luta” com o irmão mais velho, Afonso, mas a inspiração para as artes marciais surgiu quando estudava no Senai. “Uma amiga me sugeriu entrar numa academia. Como na época, além das lutas com meu irmão, eu era fã do filme ‘Ong Bak’, acabei encarando o desafio.” (“Ong Bak – Guerreiro Sagrado” é uma produção tailandesa de 2003, dirigida por Prachya Pinkaew, em que uma pequena e tranquila cidade vê a cabeça de uma de suas principais estátuas, a do buda Ong Bak, ser roubada; um jovem guerreiro, lutador especializado em muay boran, um tipo de arte marcial antecessora do muay thai, vai em busca do ladrão até Bangkok, capital da Tailândia, para recuperar Ong Bak)

Campeão e professor

Guilherme Tadeu tinha 15 anos e só o esboço do bigode que o tornaria conhecido (e que não usa mais), quando pisou pela primeira vez num tatame, na academia de Júnior Aguiar, seu primeiro professor. E já percebeu que ali estava seu futuro: “Já me dei bem desde o início, muito graças à competência e ao incentivo do Júnior, um grande mestre. Comecei a disputar competições internas, ganhei títulos fora da academia e me decidi a ser professor” – e o irmão desisiu das brincadeiras de luta.

Guilherme admite, porém, que no início o receio de enfrentar adversários fora da academia era grande: “Deu muito frio na barriga quando encarei minha primeira competição, ainda como amador, num torneio entre academias em Indaial, há cinco anos. Ganhei a primeira luta e perdi a segunda. Mas ganhei, sobretudo, a confiança para seguir em frente e tornar o muay thai minha profissão”.

As injeções naturais de adrenalina que o próprio organismo se aplica, garante Guilherme, de repetem a cada vez que pisa no tatame para mais uma luta. Da sua segunda experiência, em Curitiba, saiu com o nariz sangrando, mas com o orgulho intato. Em 2013, enfim, estreou como profissional, na categoria 67 a 71 kg, num torneio em São João Batista. “Numa luta de três rounds terminada em empate, precisei lutar um round extra, saindo vencedor por pontos”, recorda. A partir de então, a prateleira começou a se encher de medalhas e troféus. Entre os períodos amador e profissional, Guilherme já foi tricampeão catarinense, brasileiro e sul-americano.

A maior vitória, porém, vem da certeza de ter escolhido o caminho certo: “Comecei a dar aulas em setembro de 2011, e hoje tenho quase setenta alunos”. Além de treinar e ensinar no tatame onde tudo começou, Guilherme (contatos pelo 9926-9953) utiliza instalações de outras academias da cidade como Sport Fit, One, Clínica Vasti, Corpo e Ação e Summit. Terceiranista de Educação Física na Univille, sonha em viajar pelo mundo depois que se formar: “Quero conhecer Holanda e Tailândia, as mecas mundiais do muay thai”.

10 mandamentos do muay thai:
1- Respeitar os pais
2 – Respeitar o mestre e/ou professor
3 – Respeitar os mais graduados
4 – Respeitar os mais fracos
5 – Respeitar os mais fortes
6 – Nunca agredir
7 – Utilizar as técnicas do muay thai somente para defesa
8 – Treinar sempre
9 – Manter o caráter e a honra em primeiro lugar
10 – Ter amor à equipe, a segunda família

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