25 anos sem Mamonas Assassinas: relembre o show histórico em Blumenau

Em 22 de outubro de 1995, a banda realizou uma das maiores apresentações de sua carreira para mais de 42 mil pessoas em festival que virou até livro

O trágico acidente aéreo na Serra da Cantareira, em São Paulo, que tirou a vida dos cinco integrantes dos Mamonas Assassinas, completa 25 anos nesta terça-feira (2).

Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli viviam o auge de uma curta e intensa carreira, que durou pouco mais de um ano e meio.

Tempo suficiente para fazer história na música nacional, e também deixar sua marca em Santa Catarina. Em outubro de 1995, a banda realizava um dos maiores shows de sua carreira no festival Skol Rock, em Blumenau.

O idealizador do evento, Fabrício Wolff, relembra os bastidores do dia inesquecível para a cidade catarinense.

Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli eram integrantes do grupo – Foto: Divulgação/NDDinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli eram integrantes do grupo – Foto: Divulgação/ND

Os Mamonas Assassinas lançaram seu único disco no dia 23 de junho de 1995, cerca de oito meses antes da fatalidade. O sucesso foi tanto que os levou a uma carreira meteórica com shows quase diários em todas as regiões do Brasil.

Em Santa Catarina, foram mais de 10 shows, entre setembro de 1995 e fevereiro de 1996. Além de Blumenau, a banda passou por Brusque, Rio do Sul, Joinville, Chapecó, Jaraguá do Sul, Criciúma, Itajaí, Santo Amaro da Imperatriz, Tubarão e a apresentação derradeira foi em Florianópolis.

Show para 42 mil pessoas em Blumenau

O festival Skol Rock, conforme os dados informados pelo idealizador, Fabrício Wolff, foi realizado em três anos: 1994, 1995 e 1996. A média de público do evento foi em torno de 15 mil pessoas.

No entanto, no dia 22 de outubro de 1995, uma multidão de 42 mil pessoas se reuniu na Prainha para ver os Mamonas Assassinas na maior apresentação da história do Skol Rock.

“Das bandas que vieram às três edições do Skol Rock, Mamonas Assassinas era a única que, até então, não tinha exatamente uma história de sucesso. Pois foi exatamente o show de maior repercussão e número de pessoas no festival”, conta Wolff.

Os bastidores do evento, desde a contratação da banda, até ocorrências do pós-show, foram contados por Fabrício Wolff no livro “O Festival que Você Não Viu”.

A lotação foi tanta que chegou a preocupar o organizador. “Não posso negar que sequer consegui apreciar a apresentação da banda. Minha torcida é para que acabasse logo e ninguém viesse a se machucar.

Essa preocupação só saía da minha cabeça quando via o rosto de adolescente chorando pela emoção de ver aqueles cinco rapazes vestidos de maneira estranha”, relata.

Em entrevista concedida pela banda posteriormente, eles confirmaram que o show em Blumenau havia sido o com o maior número de pessoas da carreira da banda naquela altura.

Bastidores

“Nos bastidores, os Mamonas eram tão descontraídos quanto nos palcos. O Dinho era um brincalhão que gostava de fazer graça mesmo fora dos holofotes”, lembra Fabrício Wolff.

“Mostravam-se alegres e não pareciam tão preocupados assim com o show. Exceto por uma interjeição do vocalista Dinho: ‘Parece estar cheio lá na frente, não?’, referindo-se ao público que esperava a apresentação”, conta o idealizador do festival.

No camarim, as brincadeiras tomavam conta do ambiente. O produtor Juracy Almeida, que acompanhou a banda em outros shows por Santa Catarina, lembra do momento em que Dinho reconheceu uma fã paraplégico, que também estava presente no show em Rio do Sul.

Dinho brinca com fã no camarim em Santa Catarina – Foto: Reprodução/ O Festival Que Você Não ViuDinho brinca com fã no camarim em Santa Catarina – Foto: Reprodução/ O Festival Que Você Não Viu

“Ele sentava-se no colo do cara, que também era bem divertido, e saíam fazendo cavalo de pau com a cadeira de rodas. Era uma festa”, comenta.

Luto em Blumenau

Após a notícia da morte do grupo, no dia 2 de março de 1996, um dia antes do quinteto embarcar rumo a uma turnê internacional, em Portugal, provocou uma enorme comoção em todo o país.

Em Blumenau, cidade que ficou marcada por uma apresentação histórica cinco meses antes do ocorrido, a sensação era de tristeza inconsolável.

“O adeus blumenauense àquele quinteto irreverente e alegre contou com bandas locais que executaram as músicas do grupo de Guarulhos e uma missa realizada pelo padre João Bachmann.

Realizada na Concha Acústica que existe no local, em um domingo à tarde, o evento póstumo, gratuito, reuniu mais de cinco mil pessoas.

Do mesmo local onde verteram lágrimas de emoção por assistir à banda que estourava no país e conquistava fâs a cada segundo, as lágrimas agora tinham outra razão, era a despedida de cinco rapazes que conquistaram o coração das pessoas, mesmo que elas não os conhecessem direito.

Se tivessem a oportunidade, talvez chorassem muito mais naquela tarde de domingo”, conclui Fabrício Wolff.

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