Artistas catarinenses viveram intensamente a participação na Virada Cultural de São Paulo

Cerca de 30 pessoas enfrentaram a aventura, entre músicos, bailarinos, técnicos de som e agregados

Franciele Huebel/Divulgação/ND

Brasse Groove atraiu grande público

Muitos fatores poderiam desencorajar a ex­cursão manezinha a São Paulo. O pouco tempo de preparação para participar da Virada Cultural, a longa viagem de ônibus, o frio, sono, etc. Mas se todas as cerca de 30 pessoas que enfrentaram a aventura, entre músicos, bailarinos, técnicos de som e agregados, fossem entrevistados, não res­ta dúvida de que as respostas seriam as mesmas. Das cinco apresentações, umas com bom públi­co, outras nem tanto, o maior objetivo foi cum­prido – mostrar a cara no maior evento de rua do Brasil. Resumindo: valeu muito a pena.

Grande parte das pessoas que embarcou no Largo da Alfândega, no Centro da Capital, às 6h de sábado, não tinha dormido. A empolgação por tocar na Virada era nítida no rosto de todos, in­clusive o meu, pela responsabilidade de contar aos leitores tudo o que aconteceu em São Pau­lo. Foram muitos os momentos valiosos, como o convite ao trombonista e bombardinista Carlos Schmidt para participar da tradicional roda do choro. Além de fazer dois shows, com o Bombar­dino no Choro e o Brass Groove Brasil, Schmi­dt foi chamado pelo diretor artístico do evento, José Carlos Gnaspini, para compor um seleto time que tocou madrugada adentro.

Outro momento marcante foi a apresentação da Califaliza. No decorrer das músicas as pessoas que passavam pelo palco Coreto Bovespa, atraí­das pelo alto volume das guitarras, começaram a parar para ver o quarteto, que conseguiu intera­gir bastante com o bom público que se formou. O compositor François Muleka, que tinha toca­do no dia anterior, foi de avião para São Paulo e, no horário combinado (4h da manhã), estava lá para encantar os novos fãs com o seu show inti­mista. Uma coisa é certa, ninguém vai esquecer tão cedo dessa experiência.

Sintonia fina

O acerto tardio com a organização da Virada Cultural impediu que dois dos grupos não se apresentassem com a formação completa. O violonista Luiz Sebastião Juttel não conseguiu viajar a São Paulo e foi substituído pelo virtuoso Raphael Galcer no Bombardino no Choro. Mesmo caso do baixista Rafael Calegari – Tiê Pereira tocou com perfeição o set, mesmo sem ensaio, como entregou o baterista do Brass Grove Brasil, Cristiano Forte, 41. A amizade entre os instrumentistas de Florianópolis faz com que esses encontros sejam possíveis quando alguém não pode tocar.

O amor pela música, acima de tudo, aliado a outras qualidades como talento, claro, e responsabilidade, fazem com que o resultado seja sempre tão bom ou melhor do que se fosse a banda original. “Moro em Florianópolis faz pouco tempo e uma coisa que me surpreendeu muito é que os músicos daqui fazem questão de se reunirem com uma turma diferente quando surge outro trabalho, para que cada um tenha a sua característica. O Tiê chegou em cima do palco. Se ele diz que está tudo ok, nem nos preocupamos”, afirmou Forte.

Além de tocar a Brass Groove Brasil, o baterista também faz parte da Coda e outros dois tributos (Pink Floyd e System of a Down), sem contar as apresentações como contratado. Essa troca de experiências é fundamental para o seu desenvolvimento como artista. “Quando se chama um músico para o teu trabalho, você tem a chance de ver as tuas músicas soarem de forma diferente, assim como quando se substitui alguém. São pessoas novas e possibilidades de outros trabalhos”, salientou.

Maratona Cultural pode ir a SP

Impressionado com a qualidade artística dos músicos catarinenses que se apresentaram na Virada Cultural, o diretor artístico do evento, José Mauro Gnaspini, 42, me revelou o objetivo de criar um festival próprio com artistas de Florianópolis. Para o produtor, essa participação pode servir de trampolim para emplacar “uma coisa mais visível que corra sozinha no calendário”.

“Sempre tivemos interesse, mas nunca tinha dado certo. Acho muito legal ter esse tipo de participação, porque não tem muito esse trânsito. Tem o Dazaranha, mas shows de bandas de Floripa são raridade em São Paulo. A Virada é um grande diluidor, acontece um monte de coisa ao mesmo tempo. A partir desta experiência podemos pensar em uma data própria que não concorresse com tudo”, informou.

Em 2011, ano da primeira Maratona Cultural, Gnaspini foi uma espécie de consultor, auxiliando a organização nos aspectos técnicos. O diretor artístico classificou o evento de Florianópolis como fantástico e com cara própria. “Demos uma volta na cidade, passei tudo o podia de know how. Pena que aqui não conseguimos fazer mais. Queria fazer uma coisa maior, com mais gente, mas conseguimos viabilizar com a vontade dos produtores”, afirmou. 

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