Cantor Zé Neto revela mágoa com sertanejos e cria mal estar na música

Momento ocorreu durante live que Zé Neto e Cristiano faziam ao lado da dupla João Bosco e Vinícius. Entenda o que aconteceu e a repercussão do caso

O cantor Zé Neto, da dupla Zé Neto e Cristiano, revelou uma mágoa com uma das duplas sertanejas referência do estilo no país. Eles não gostaram da maneira como foram tratados pela dupla Chrystian e Ralf.

Ao lado de Cristiano, durante uma live, Zé Neto disse: “Pra mim, Chrystian e Ralf, uma das melhores e maiores duplas sertanejas, de uma qualidade sem igual. Infelizmente, não sei se pelo dia ou pelo momento, nós não tivemos uma experiência muito boa com eles”.

Zé Neto e Cristiano teriam se sentido desprezados por Chrystian e Ralf durante show em Minas Gerais, em 2019 – Foto: Allysson Moreno/Divulgação/NDZé Neto e Cristiano teriam se sentido desprezados por Chrystian e Ralf durante show em Minas Gerais, em 2019 – Foto: Allysson Moreno/Divulgação/ND

“Espero um dia poder sentar com vocês e conversar e conhecer vocês de um jeito melhor”, disse. A dupla Zé Neto e Cristiano faz parte da nova geração do estilo no país, o sertanejo “universitário” e tem dez anos de carreira.

Chrystian e Ralf são considerados sertanejos “raiz” com 40 anos de estrada.

A decepção teria ocorrido em 2019 em um show em Minas Gerais. Fãs da dupla veterana, Zé Neto e Cristiano teriam se sentido desprezados pelos ídolos.

Música sertaneja

A música sertaneja surgiu no campo, nas rodas de viola com composições relacionadas à vida no interior. Mas de lá para cá, o estilo passou por uma transição. Nas décadas de 1960 e 1970 veio o sertanejo “raiz” com duplas como Milionário & José Rico e Tonico & Tinoco.

Em 1980 e início de 1990, foi a vez do sertanejo “romântico” com duplas como Chitãozinho & Xororó e Zezé di Carmargo e Luciano. Nos anos 2000, a indústria fonográfica acompanhou o crescimento da música caipira. É quando entra em cena o sertanejo “universitário”, um dos mais populares do Brasil com público e cantores mais jovens.

Zé Neto e Cristiano conquistaram uma legião de fãs com hits que explodiram pelos quatro cantos do país. No ano passado, a dupla emplacou três canções no ranking das 50 músicas mais tocadas nas rádios brasileiras como “Notificação Preferida”.

Referência

Já a dupla Chrystian e Ralf é uma referência do sertanejo no país. A dupla já se manifestou publicamente criticando a nova geração de sertanejo, dizendo que pediram para trocar instrumentos.

Eles não levaram em consideração, pois a mídia deles é a internet. “A gente não precisava ouvir as baboseiras dos caras e deixar essa opinião prevalecer, que é mostrar sua arte. Eu não canto um “A” se eu não gostar”, disse Ralf.

Chrystian e Ralf tem uma carreira independente e muitas vezes recusaram fazer parcerias com Roberto Carlos, com Jorge e Matheus e Chitãozinho & Xororó”.

Sertanejo universitário

Com 20 anos de carreira, João Bosco e Vinícius foram um dos pioneiros do sertanejo universitário. Eles estavam com Zé Neto e Cristiano na hora do desabafo. Para a dupla, Zé Neto trouxe à tona um sentimento comum a muitos sertanejos da nova geração.

“O desabafo do Zé foi para dizer que nós precisamos nos unir e ao invés de fazer críticas um ao trabalho do outro, acho que o respeito, empatia, carinho, a generosidade têm de prevalecer dentro de um gênero tão querido como a música sertaneja”, disse Vinícius.

Origem do termo

Os cantores explicaram que o termo “sertanejo universitário” é ligado ao público e não ao ritmo. Eles disseram que os amigos de faculdade frequentavam as apresentações. Isso não significa que a musicalidade da dupla tenha alguma diferença para o sertanejo a não ser a renovação.

Eduardo Costa esclarece que não existe música sertaneja universitária. “O que existe é música sertaneja cantada em bares que eram frequentados por universitários”.

Vinícius defende a nova geração. “Devemos respeitar a nova geração e, quando tiver oportunidade, com mais experiência, ao invés de fazer crítica, auxiliar essa galera nova”.

Chrystian e Ralf receberam um convite de João Bosco e Vinícius, mas não aceitaram. Eles ainda não desistiram da parceria que poderia selar a paz entre sertanejo “raiz” e sertanejo “universitário”.

Com mais de 30 anos de carreira, o cantor Teodoro, da dupla Teodoro e Sampaio, gostou da ideia de juntar os sertanejos. Para ele, tudo não passou de um mal entendido. “Acho que foi uma má interpretação. Acho que Chrystian não quis ofender e o Ralf também não”.

União e parceria! Tudo que o público espera, afinal o ritmo sertanejo está no coração dos brasileiros e, não por acaso, é o estilo mais executado nas rádios do país há mais de 20 anos.

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