Cantora lança clipe com MC Kevin gravado no hotel onde cantor morreu

Gabily lança nesta sexta (4) vídeo da música 'Bilhete Premiado' e disse que acidente foi uma 'coincidência trágica'

A cantora Gabily lança nesta sexta-feira (4) a música “Bilhete Premiado”, parceria com Kevin o Chris, que vem acompanhada de um clipe que tem a participação de MC Kevin.

Esse é o último vídeo gravado por MC Kevin, que morreu no mês passado após cair do quinto andar de um hotel, no Rio de Janeiro.

Gabily e MC Kevin em clipe que estreia nesta sexta (4) – Foto: Montagem R7 / DivulgaçãoGabily e MC Kevin em clipe que estreia nesta sexta (4) – Foto: Montagem R7 / Divulgação

Amiga do artista, a cantora conversou com o R7 sobre os bastidores do clipe, filmado no mesmo hotel, poucos dias antes do acidente acontecer: “Foi uma coincidência trágica. Ele criou um negócio com aquele hotel que nem eu entendi. Depois que a gente gravou o clipe, ele me mandou mensagem porque queria ficar naquele hotel, ele tinha adorado. Foi um dia muito incrível que a gente viveu lá. A gente gravou pelo hotel inteiro, a gente fez uma bagunça.”

MC Kevin não canta na música, ele participa apenas atuando no vídeo. A cantora explica a ideia por trás da produção: “Me inspirei em um trabalho que foi feito pelo DJ Khaled, o Justin Bieber e o Drake. A música [chamada Popstar] é cantada pelo Drake, mas o Justin Bieber que faz o clipe. Só que eu quis criar uma ‘confusãozinha’ maior por ter artistas com o mesmo nome. E o Kevin sempre teve vontade de atuar.”

Segundo Gabily, quando ela descobriu que Kevin tinha planos de fazer trabalhos como ator, o convite pareceu certeiro: “Agora, depois de tudo o que aconteceu, eu percebi que tinha que ter sido ele para esse clipe. Tive várias opções de colocar outras pessoas e mesmo assim sempre acontecia alguma coisa que não ficava viável para gravar.”

Após a morte do amigo, a cantora pensou em cancelar o trabalho. A música seria lançada na sexta-feira, 21 de maio, e Kevin morreu no domingo, dia 16: “Estava tudo programado para a gente soltar foto juntos [divulgando Bilhete Premiado] na segunda-feira (17). Depois, eu nem ia lançar mais a música, eu tinha cancelado tudo, só que eu percebi que eu tinha que lançar, até porque estou com o último trabalho visual dele. Então eu pensei, quando eu consegui, porque eu estava muito abalada, e decidi com a minha equipe lançar em homenagem a ele.”

Gabily conta que Kevin chegou a ver o vídeo pronto e aprovou o resultado: “Um clipe para ficar finalizado leva de 7 a 10 dias, só que, por uma mera coincidência, a gente tinha que entregar o clipe pronto 3 dias depois que a gente gravou. Tudo teve que ser muito rápido, e aí parece que ele precisava ver esse trabalho pronto antes de partir.”

A família do cantor também já viu o resultado: “Um dia antes do Kevin ir para o Rio, ele levou a Deolane [Bezerra, mulher dele] e eu pude conhecer ela. Eu mostrei o clipe, a gente conversou a noite inteira. Na semana passada, fiz uma visita para a mãe dele. Eu mostrei o clipe em primeira mão, todo mundo ficou muito feliz, porque é o melhor clipe da carreira dele, por mais que ele não esteja cantando. É o clipe que ele está mais bonito, mais desenvolto.”

Estava no auge

A artista avalia que Kevin, que tinha 23 anos, estava no auge: “Era o momento em que ele estava produzindo mais, em que ele estava escrevendo mais músicas. A melhor parte da vida dele foi essa”. O clipe de Bilhete Premiado é parte de um projeto de Gabily no qual os vídeos se conectam e formam uma espécie de filme: “Esse clipe com o Kevin só veio para somar em tudo que eu estou querendo passar com o meu trabalho.”

Para Gabily, o funkeiro era o mesmo em sua vida pública e particular: “As pessoas dão sempre o destaque para a polêmica, mas o Kevin ajudava muita gente, ajudava muitas comunidades, ele tinha um coração muito puro. Ele era muito de verdade mesmo. Hoje todo mundo quer ser perfeito, passar uma visão perfeita da vida que não existe. Todo mundo erra, todo mundo tem defeitos.”

Ela finaliza deixando uma reflexão sobre o amigo: “Ele sempre foi quem ele quis ser e não estava nem aí para o julgamento alheio. Ele não tinha medo de mostrar nada. Temos que viver mesmo, errar, acertar, não ter medo, porque a vida é um sopro. Talvez se ele não tivesse vivido a vida dessa forma, ele não teria aproveitado tanto antes de partir”.

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